Renda e diversidade marcam semana de Copenhagen

Com foco em responsabilidade ambiental e incentivo a marcas emergentes, evento dinamarquês apresenta as tendências da temporada Primavera/Verão 2027

05 ago, 2026
Desfile Primavera/Verão 2027 da The Garment | Reprodução/Instagarm/@cphfw
Desfile Primavera/Verão 2027 da The Garment | Reprodução/Instagarm/@cphfw

Na segunda-feira (3), deu início à Copenhagen Fashion Week, conhecida por sua proposta inovadora, autêntica e sustentável.  Em uma programação que reúne 36 desfiles com marcas consolidadas como Ganni, Cecilie Bahnsen, Stine Goya e Baum and Pferdgarten, e novos talentos, a quinta capital da moda promete agitar a temporada de Primavera/Verão 2027.

Nesta edição, a semana comemora duas décadas de história, desde o início em 2006, mas a decisão que iria mudar o rumo da CPHFW veio em 2018, quando a CEO Cecilie Thorsmark decidiu acrescentar normas sustentáveis para suprir necessidades do consumidor e do mundo. Após isso, todas as marcas no lineup da semana precisam seguir códigos rígidos sobre responsabilidade ecológica, design, direção estratégica, escolha de materiais, condições de trabalho, envolvimento do consumidor e desfile.

Para a CPHFW de Primavera/Verão 2027, a vaga de convidado internacional foi para a nova-iorquina Collina Strada. Enquanto o evento também marca o retorno de marcas como OpéraSPORT, Marimekko e Stine Goya.

Novas marcas ganham protagonismo

Entre os diferenciais da Copenhagen Fashion Week está o investimento contínuo em designers emergentes. Um dos grandes destaques do primeiro dia foi o desfile da Stem, do programa CPHFW NEWTALENT, que oferece visibilidade, mentorias e oportunidades para marcas que estão construindo sua trajetória no mercado, criando uma ponte entre novos criadores e compradores, imprensa e investidores. A Stem veio com uma crítica sobre a produção das roupas; modelos desfilaram de forma devagar.

Enquanto Anne Sofie Madsen, outra marca integrante do CPHFW NEWTALENT, apresentou a coleção intitulada “The New Desire”, com foco em silhuetas fluidas e transparentes, com cortes diferenciados que quebravam o romantismo das peças, em uma releitura suave do estilo dinamarquês. A ideia do desfile também contrasta com a coleção de janeiro, em que a marca trouxe uma versão mais sombria e sem esperança.


Desfile Primavera/Verão 2027 da The Garment (Foto: reprodução/Instagram/@cphfw)


Entre os convidados, a renda foi a peça que mais apareceu nas produções, seja como um acessório amarrado na cabeça, em meias-calças, em um detalhe por baixo de saias ou em saias sobrepostas a calças e vestidos. Para a criatividade da Copenhagen Fashion Week, tudo era possível e estiloso, ainda mais com a renda entregando leveza e romantismo na medida certa para os looks no verão europeu.

Na passarela, a peça também marcou presença no desfile da The Garment, que reafirmou a identidade baseada no minimalismo escandinavo. A apresentação da coleção de Primavera/Verão 2027 mostrou uma paleta de cores predominante em tons neutros, com destaque para a alfaiataria com blazers estruturados, conjuntos monocromáticos e vestidos de caimento fluido. Para complementar, as produções, uma hora ou outra, ganhavam um detalhe de renda em blusas e vestidos.

Celebração da diversidade

A Copenhagen Fashion Week é a semana que mais promove sustentabilidade e diversidade na sua lineup. Nos desfiles da OpéraSPORT, da Pandora com a marca Stem, Gestuz, Paolina Russo e I Want Masculina, foi possível ver corpos plus size usando as mais diversas produções, das mais formais, como alfaiataria, até as mais despojadas, com camisas estampadas.


Coleção Primavera/Verão 2027 da I Want Masculina (Foto: reprodução/Instagram/@iwantmasculina)


Modelos maduras também marcaram presença nas passarelas. Na Stine Goya, elas abriram a apresentação, uma usando um vestido acetinado prateado, solto e sem mangas, enquanto a outra estava com uma camisa estampada em tons de verde, complementando a produção com uma calça pantalona preta. Na Herskind, as modelos estavam com conjuntos mais formais; na Malene Birger, três modelos maduras fizeram presença com as peças da coleção. Enquanto isso, na The Garment, a modelo de cabelos grisalhos desfilou um vestido branco com franjas na barra, combinado a um blazer bege.

Em uma verdadeira celebração da diversidade, a I Want Masculina apresentou propostas que brincavam ao não separar as produções em masculinas e femininas; a moda não-binária foi carro-chefe da coleção. Saia, meia-calça, salto alto e vestidos foram combinados com peças mais estruturadas, como blazers e sobretudo. Todos os modelos usavam os looks sem distinção binária. A marca ainda complementou o styling com tatuagens, peças mostravam de forma proposital a pele para que as tatuagens se tornassem parte da narrativa contada.

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