Chloé transforma memória e conexão em roupas na coleção de Outono/Inverno
Sob direção criativa de Chemena Kamali, coleção apresentada na Paris Fashion Week aposta em camadas, referências folclóricas e na força afetiva das peças
O desfile da Chloé desta quinta-feira (5) reafirma que a direção criativa da Chemena Kamali é um dos momentos mais sensíveis e consistentes da atual fase da maison. Isso porque a coleção de Outono/Inverno 26 apresentada na Semana de Moda de Paris traz uma narrativa que vai além da construção estética das roupas, ela reflete sobre a memória, as tradições culturais, a emoção e coloca a mulher como figura de força e autenticidade.
Kamali faz uma revisitação ao arquivo da marca dos anos de 1960 até início dos anos 1980, ao trazer peças inspiradas na estética boêmia, historicamente associada à identidade da grife, que agora aparece reinterpretada com mais sofisticação e textura, os vestidos fluidos de seda, blusas românticas e peças em chiffon que surgem em camadas leves, criando movimento e profundidade, tudo isso atrelado a quem a mulher Chlóe é.
Silhuetas que mostram força e delicadeza
A coleção parte da ideia de que as roupas guardam histórias, por isso é possível notar peças amassadas e com algumas imperfeições evocando que roupas devem ser usadas para serem vividas, mais do que apreciadas. Em uma visão contemporânea e nostalgia que aparece desde a escolha dos materiais, até na construção das silhuetas que mesclam delicadeza e força, mostrando que a mulher Chlóe pode ser às duas coisas ao mesmo, sem se rotular pelos padrões ditados pela sociedade.
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Desfile Chloé Outono/Inverno 26 (Vídeo: reprodução/Instagram/@chloe)
Kamali brinca com essa ideia criando contrastes interessantes, como por exemplo, a blusa, que aparece com destaque na coleção, e ganha várias versões bordadas ou com volumes que reforçam a espontaneidade no feminino e romântico, ligado ao boho que está atrelado a história da marca. Depois disso temos os vestidos delicados, mas que são apresentados juntos com calças de couro, capas estruturadas e botas de cano alto forradas de pele, as estampas florais que são substituídas pelo xadrez, jeans cintura alta, jaquetas volumosas, quebrando a suavidade e dando um equilíbrio contemporâneo e urbano.
Na carta entregue aos convidados, Chemena fala sobre explorar o significado do “folk” e tudo que abrange uma comunidade, suas histórias, crenças, rituais e técnicas. As peças do desfile mostram muito as tradições folclóricas e rituais populares, tudo que envolve a empatia e os símbolos que unem a humanidade com o passado, principalmente ao destacar os trabalhos manuais, como os bordados, as texturas, os plissados e outros detalhes que respiram referências culturais.
“Em um mundo que frequentemente parece mecanizado e acelerado, senti-me atraída de volta à essência do ‘fazer’: o toque humano, o espírito de comunidade, a conexão e os valores compartilhados”, diz a diretora da Chloé ao final da carta.
Coleção Outono/Inverno 26 Chloé (Foto: reprodução/Instagram/@chloe)
Toda a atmosfera da coleção se completa quando observamos o cenário escolhido, uma sala de conferências ligada à UNESCO em Paris, que vem para reforçar a narrativa de união, diálogo, humanidade e emoção em um desfile que faz o público olhar para o mundo, além das roupas apresentadas, que elas são uma forma de conexão.
Modelo brasileira na passarela
O encerramento do desfile ficou a cargo da supermodelo brasileira Raquel Zimmermann, que mantém uma relação de longa data com a maison Chloé. Ao longo de sua trajetória, a modelo participou de diferentes momentos da história recente da marca. Em 2010, por exemplo, trabalhou com a então diretora criativa Hannah MacGibbon, e voltou a colaborar anos depois, em 2023, durante a gestão de Gabriela Hearst.
Nesta temporada, Zimmermann já havia chamado atenção nas passarelas antes mesmo do desfile da Chloé. A modelo participou da New York Fashion Week, onde abriu o desfile da Khaite, momento que marcou seu retorno às passarelas após oito anos, afastada do circuito internacional.
