Vasco vence o Boca na Bombonera e fica a um passo da final da Sul-Americana

Cruz-Maltino marca com Adson, resiste à pressão argentina após expulsão de Andrés Gómez e leva vantagem para o jogo decisivo no Rio de Janeiro

13 out, 2026
Jogadores do Vasco comemoram gol diante do Boca Juniors | Reprodução/X/@newscolina
Jogadores do Vasco comemoram gol diante do Boca Juniors | Reprodução/X/@newscolina

O Vasco foi à Argentina, encarou a pressão de La Bombonera e voltou para casa com uma vitória que pode marcar a campanha continental. Nesta terça-feira (13), o Cruz-Maltino venceu o Boca Juniors por 1 a 0, pelo jogo de ida da semifinal da Copa Sul-Americana. Adson marcou o gol da partida, e a equipe brasileira precisou mostrar força defensiva para sustentar o resultado depois de perder Andrés Gómez, expulso no segundo tempo.

O placar mínimo não traduz sozinho o tamanho do desafio enfrentado pelo Vasco. Diante de um adversário tradicional em competições continentais e empurrado por sua torcida, o time carioca não se limitou a proteger a própria área desde o início. Encontrou espaços, atacou com velocidade e construiu a vantagem ainda na primeira etapa. Depois, quando o roteiro mudou, precisou trocar o protagonismo pela resistência.

Adson aproveita o bom início vascaíno

O Vasco começou a partida com personalidade e não se deixou intimidar pelo ambiente da Bombonera. A equipe buscou avançar e encontrou em Andrés Gómez uma opção importante para acelerar as jogadas pelo lado do campo. O gol saiu no primeiro tempo: após cruzamento, Adson apareceu na área e cabeceou para vencer o goleiro do Boca.

A vantagem premiou a iniciativa vascaína e obrigou os argentinos a assumirem mais riscos. O Boca passou a buscar o empate, mas encontrou dificuldades para transformar a posse e a pressão em oportunidades claras. O Cruz-Maltino, por sua vez, seguiu atento aos espaços para contra-atacar e teve chances de ampliar.

A atuação do primeiro tempo foi importante não apenas pelo gol, mas pela forma como o Vasco administrou o cenário. Em vez de se retrair diante da torcida adversária, o time conseguiu competir e levou para o intervalo a vantagem que mudaria o plano de jogo na etapa final.

Expulsão muda o roteiro e transforma o jogo em resistência

A partida ganhou outro contorno no segundo tempo. Aos 18 minutos, Andrés Gómez recebeu dois cartões amarelos em sequência após reclamar e empurrar o árbitro, deixando o Vasco com dez jogadores. A expulsão obrigou a equipe a reorganizar suas linhas e abriu espaço para uma pressão mais intensa do Boca.

Com superioridade numérica, os argentinos avançaram e passaram a rondar a área vascaína. Lautaro Blanco acertou a trave, Santiago Ascacíbar também levou perigo, e Léo Jardim apareceu em momentos importantes para impedir o empate. Robert Renan e os demais defensores tiveram trabalho para bloquear finalizações e afastar cruzamentos.

O Vasco já não conseguia atacar com a mesma frequência, mas demonstrou concentração para suportar a pressão. A equipe protegeu a vantagem sem deixar de procurar oportunidades para aliviar o sufoco. Nos minutos finais, cada corte defensivo e cada defesa ganharam peso de gol — e o Boca não conseguiu encontrar o caminho para as redes.


Melhores momentos da vitória do Vasco por 1 a 0 sobre o Boca Juniors (Vídeo: reprodução/Youtube/@SBTSports)


Uma vantagem importante, mas ainda sem decisão

A vitória tem valor histórico para o Cruz-Maltino: foi o primeiro triunfo do clube sobre o Boca Juniors em competições oficiais, depois de confrontos anteriores pela Libertadores e pela Copa Mercosul em 2001. O resultado também encerrou uma espera de 75 anos desde a única vitória vascaína registrada contra os argentinos, em amistoso disputado em 1951 — um dado que ajuda a dimensionar o peso simbólico da noite, sem confundir partidas oficiais e amistosas.

O trabalho, porém, ainda não terminou. Com a vitória por um gol de diferença, o Vasco joga pelo empate na partida de volta para avançar à final. Se o Boca vencer por um gol, a decisão vai para os pênaltis; se ganhar por dois ou mais, os argentinos ficam com a vaga. O confronto está marcado para a próxima terça-feira (20), no Rio de Janeiro, com o Maracanã definido após uma disputa judicial sobre o estádio.

O Vasco sai de Buenos Aires com mais do que um resultado favorável: leva confiança, um gol de vantagem e a prova de que consegue competir em um dos ambientes mais difíceis do continente. A expulsão tornou o caminho mais complicado, mas a equipe não se desorganizou a ponto de perder o controle do placar. Agora, diante de sua torcida, terá a oportunidade de transformar a vitória na Bombonera em classificação para a decisão da Sul-Americana.

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