Pochettino desabafa sobre caso de Balogun após eliminação
Treinador argentino disse que polêmica envolvendo a decisão da Fifa em reverter a expulsão do centroavante antes da partida não teve influência na goleada
O técnico Mauricio Pochettino evitou atribuir à polêmica envolvendo Folarin Balogun a eliminação dos Estados Unidos na Copa do Mundo de 2026, mas fez um forte desabafo após a goleada por 4 a 1 sofrida para a Bélgica, nesta segunda-feira, em Seattle, pelas oitavas de final.
O treinador criticou a repercussão em torno do caso, lamentou os ataques recebidos nas redes sociais e rechaçou a tentativa de relacionar política e ética ao episódio que antecedeu a partida decisiva.
Frustração e Decepção
A controvérsia começou após o Comitê Disciplinar da Fifa revogar a suspensão automática de Balogun, expulso no duelo contra a Bósnia e Herzegovina. A decisão permitiu que o atacante, artilheiro da seleção americana no Mundial com três gols, enfrentasse a Bélgica.
A medida ganhou ainda mais repercussão depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou ter telefonado ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, pedindo a liberação do jogador.
Apesar do ambiente turbulento, Pochettino negou que o episódio tenha influenciado o desempenho da equipe.
“Quero dizer uma coisa, mas é muito pessoal. Estou muito frustrado e decepcionado com as pessoas. Elas deveriam compreender a situação e não misturar as coisas. Em toda essa situação, que foi algo de caráter pessoal, não acredito que isso tenha afetado o nosso desempenho. Não é uma desculpa, e não podemos usar desculpas. Simplesmente não era o nosso dia“, afirmou.
Na sequência, o argentino lamentou os ataques sofridos por ele e por pessoas envolvidas na polêmica.
“Qual é o sentido de insultar alguém, de enviar uma quantidade enorme de mensagens ofensivas ou até ameaças? Estou muito decepcionado com muitas pessoas. Misturam as coisas. Colocam política no meio, falam em manipulação, questionam ética e integridade“, completou.
Pochettino durante coletiva após eliminação na Copa do Mundo (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Alex Pantling)
Caso Balogun e o cartão vermelho
Balogun havia sido expulso diante da Bósnia após receber cartão vermelho do árbitro brasileiro Raphael Claus, em lance revisado pelo VAR por um pisão no calcanhar do zagueiro Muharemovic.
Posteriormente, o Comitê Disciplinar da Fifa anulou a suspensão automática do atacante. A decisão gerou questionamentos depois que Trump revelou ter conversado com Infantino para defender a presença do jogador na partida contra a Bélgica. Na ocasião, o presidente americano chegou a chamar Claus de “árbitro suspeito”.
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) saiu em defesa do árbitro, destacando que Claus possui uma trajetória marcada por “excelência técnica, conduta ética e absoluto respeito ao futebol”. Infantino, por sua vez, negou qualquer interferência política e afirmou que o Comitê Disciplinar atua de forma independente.
Pochettino reforçou que apenas cumpriu seu papel como treinador. “Eu sou o treinador da seleção. Existe uma regra que permite à federação solicitar que um jogador fique disponível. A minha função era treinar a equipe. Se o jogador estava disponível porque o regulamento da Fifa permitia isso, então não havia problema.”
O treinador também criticou o rumo tomado pelo debate. “Se começarmos a discutir a história deste jogo falando de ética ou tentando misturar esses assuntos, isso me decepciona pessoalmente. O debate deveria ser apenas sobre a possibilidade prevista no regulamento para essa situação, como já aconteceu com outros jogadores e outras seleções.“
Balogun teve sua expulsão revertida após tomar cartão vermelho contra a Bósnia (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Dale MacMillan)
Bélgica foi superior
Ao analisar a atuação dos Estados Unidos, Pochettino reconheceu a superioridade belga e descartou qualquer influência da polêmica no rendimento da equipe. “Não jogamos da maneira que deveríamos nem mostramos a qualidade que temos. Tudo o que estava acontecendo ao redor ficou do lado de fora. Não acho que tenha sido uma situação que tenha afetado o grupo. A Bélgica foi melhor do que nós, e é isso.“
Mesmo com a eliminação nas oitavas de final, Balogun encerrou a campanha como principal goleador da seleção americana na Copa do Mundo, com três gols marcados.
