Novak Djokovic decide sair da Associação Profissional de Jogadores de Tênis

Um dos fundadores da entidade, o tenista disse que divergências sobre governança e rumos institucionais levaram à decisão de deixar a associação

05 jan, 2026
Djokovic é o maior vencedor da história do tênis masculino | Reprodução/Kym Illman/Getty Images Embed
Djokovic é o maior vencedor da história do tênis masculino | Reprodução/Kym Illman/Getty Images Embed

O tenista sérvio Novak Djokovic decidiu encerrar sua participação na Associação Profissional de Jogadores de Tênis (PTPA), entidade que ajudou a criar há cinco anos. O anúncio foi feito neste domingo (4), por meio de uma manifestação pública nas redes sociais, na qual o atleta indicou divergências profundas em relação à condução administrativa e à falta de alinhamento ético com os rumos adotados pela organização. Segundo ele, questões relacionadas à transparência institucional e aos mecanismos de governança pesaram para a decisão definitiva.

Considerado um dos maiores nomes da história do esporte, com 24 títulos de Grand Slam no currículo, Djokovic afirmou que sua permanência na associação já não refletia seus princípios pessoais nem sua visão sobre como o tênis profissional deve ser administrado. O rompimento ocorre em um momento de forte tensão política e jurídica dentro do circuito internacional.

Divergências internas e desgaste institucional

A PTPA foi fundada em 2020 por Djokovic e pelo canadense Vasek Pospisil com a proposta de criar uma entidade independente, capaz de representar os interesses dos jogadores de forma mais autônoma em relação às federações tradicionais. A iniciativa surgiu como resposta a críticas recorrentes sobre a concentração de poder nas mãos da ATP, da WTA e da Federação Internacional de Tênis (ITF).

Na época, a criação da associação provocou reações mistas entre os atletas. Djokovic chegou a deixar o cargo de presidente do conselho de jogadores da ATP para viabilizar o projeto, contrariando posicionamentos de figuras influentes como Roger Federer e Rafael Nadal, que defendiam a manutenção do modelo institucional vigente.


Rafael Nadal discordou da criação da PTPA (Imagem: reprodução/Carlos Alvarez/Getty Images Embed)


Apesar do protagonismo inicial, o sérvio indicou que, com o passar do tempo, a condução estratégica da PTPA tomou caminhos que já não correspondiam à sua forma de enxergar o futuro do esporte. Em sua declaração, ressaltou o orgulho pela proposta original, mas reconheceu que houve um distanciamento irreversível entre sua postura e as decisões atuais da entidade.

Processos judiciais e disputa por reformas no tênis

A saída de Djokovic acontece em meio ao maior embate jurídico já protagonizado pela PTPA. Em 2025, a associação ingressou com uma ação judicial contra as principais instituições do tênis mundial, incluindo ATP, WTA, ITF e órgãos responsáveis pelo controle antidoping. O objetivo declarado era questionar a estrutura de poder, o modelo de governança e a distribuição das receitas no esporte.

Posteriormente, o processo foi ampliado para incluir os organizadores dos quatro torneios de Grand Slam, Australian Open, Roland Garros, US Open e Wimbledon. A acusação sustenta que essas entidades atuariam de forma coordenada, restringindo oportunidades econômicas, limitando premiações e negligenciando a saúde física e mental dos atletas.

Embora tenha defendido publicamente a necessidade de reformas, Djokovic deixou claro, em entrevistas recentes, que não concordava integralmente com todos os pontos apresentados na ação judicial. Já o diretor-executivo da PTPA, Ahmad Nassar, afirmou que o foco principal não seria levar o caso até uma sentença final, mas pressionar por mudanças estruturais, especialmente na divisão das receitas dos grandes torneios.

Atualmente, os jogadores recebem entre 15% e 20% do faturamento dos Grand Slams, percentual considerado baixo quando comparado a ligas como NBA, NFL e MLB, que destinam cerca de metade de suas receitas aos atletas.

Ao se desligar da associação, Djokovic afirmou que pretende concentrar seus esforços na carreira esportiva, na vida familiar e em outras formas de contribuir com o tênis que estejam em consonância com seus valores pessoais. Para ele, o ciclo dentro da PTPA chegou oficialmente ao fim.

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