Infantino recua e desiste de vender ações da FIFA após pressão da UEFA
Criação de empresa para administrar principais torneios e abrir espaço para investidores privados sofreu rejeição e boicote de confederações
O presidente da FIFA, Gianni Infantino, desistiu do projeto que previa a entrada de investidores privados na estrutura comercial da entidade. A proposta enfrentou resistência após o boicote iniciado pela UEFA, ao qual aderiram a CONCACAF e a Confederação Asiática de Futebol, colocando em xeque a participação das federações associadas em torneios organizados pela entidade.
A iniciativa buscava ampliar a capacidade de investimento da FIFA por meio de um novo modelo de gestão comercial. No entanto, a falta de consenso entre as entidades que comandam o futebol internacional levou a direção da organização a recuar.
A decisão evita um embate político, mas mantém aberto o debate sobre como a FIFA pretende financiar seus projetos nos próximos anos e reforça a força política de Infantino.
Projeto da FIFA previa maior arrecadação e possíveis investimentos
Na prática, o plano buscava reorganizar a área comercial da entidade em uma empresa independente, responsável pela exploração econômica de torneios como a Copa do Mundo e outras competições internacionais. Com parte dessa empresa disponível para investidores, a expectativa era captar recursos bilionários que poderiam ser destinados ao desenvolvimento do futebol, melhorias na infraestrutura e programas de incentivo às federações nacionais.
Gianni Infantino atual presidente da FIFA (Foto: reprodução/NurPhoto/Getty Image Embed)
Mesmo com esse potencial financeiro, a proposta despertou dúvidas sobre os possíveis impactos na governança da FIFA. Para muitos dirigentes, preservar a autonomia da entidade era mais importante do que ampliar receitas por meio de investidores externos. O episódio também evidenciou que mudanças envolvendo o patrimônio comercial da FIFA exigem amplo consenso entre as confederações, principalmente quando afetam diretamente o futuro das principais competições do calendário internacional.
Pressão das confederações fez a FIFA mudar de rumo
Embora a iniciativa da entidade apresentasse potencial de sucesso, com o objetivo de aumentar a arrecadação e criar novas fontes de financiamento para seus projetos, ela encontrou forte oposição, inicialmente da UEFA, que liderou o movimento contrário à proposta e foi categórica ao afirmar que “a Copa do Mundo não está à venda”.
O movimento contou ainda com a adesão da CONCACAF e da Confederação Asiática de Futebol. A preocupação das confederações estava relacionada aos possíveis impactos da participação de investidores privados na gestão comercial da FIFA.
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UEFA emitiu nota oficial repudiando postura da FIFA (Foto: reprodução/Instagram/@uefa)
”Rejeitamos de forma unânime e inequívoca a proposta da FIFA de transferir participações de propriedade na Copa do Mundo e em outras competições da FIFA para investidores privados. A Copa do Mundo não pode ser tratada como um produto de investimento. Ela é um dos maiores legados esportivos do futebol. Foi construída ao longo de gerações por jogadores, seleções nacionais e torcedores em todos os continentes. Nenhuma parte dela deve jamais ser entregue a investidores privados. A Copa do Mundo não está à venda”, diz trecho da nota oficial divulgada pela Uefa (…)
A posição da Europa é clara. Nunca daremos legitimidade a esse modelo. Ninguém tem autoridade moral para vender aquilo que apenas detém em confiança para a próxima geração. Como resultado da discussão de hoje, nenhuma seleção nacional da Uuefa participará de qualquer competição da FIFA enquanto essas propostas permanecerem em vigor, a menos que sejam totalmente abandonadas e garantias vinculantes sejam dadas de que a FIFA jamais voltará a abrir sua governança ou competições à propriedade privada”, afirmou a entidade em outro trecho da nota.”
Entre os principais argumentos apresentados estava o risco de interesses financeiros passarem a influenciar decisões estratégicas sobre competições internacionais, calendário esportivo e acordos comerciais. Outro ponto levantado foi a necessidade de preservar a independência da entidade e garantir que escolhas importantes continuem sendo tomadas com base nos interesses do futebol, e não na expectativa de retorno para acionistas. A resistência ganhou força entre outras confederações, tornando o ambiente político desfavorável para o projeto avançar.
A resistência ganhou força rapidamente, principalmente entre as principais confederações do futebol. Sem apoio suficiente para seguir adiante, Infantino preferiu retirar a proposta e evitar um confronto político dentro da organização.
A decisão também foi interpretada como uma forma de preservar a unidade entre as associações filiadas em um momento importante para a expansão das competições internacionais.
Reeleição de Infantino abalada
O arquivamento do projeto não significa que a FIFA deixará de buscar novas formas de ampliar suas receitas. A entidade vive um período de expansão de suas competições e precisa garantir recursos suficientes para sustentar esse crescimento nos próximos anos. A realização de torneios maiores, a criação de novos eventos e os investimentos em programas de desenvolvimento do futebol exigem um planejamento financeiro cada vez mais robusto. Por isso, a busca por alternativas para fortalecer o caixa da organização deve continuar fazendo parte da agenda da atual gestão.
A expectativa é que futuras propostas sejam discutidas com mais transparência e diálogo com as confederações, evitando novos conflitos políticos. O desafio da FIFA será encontrar um equilíbrio entre ampliar sua capacidade de investimento e preservar a autonomia da entidade sobre seus principais ativos comerciais e esportivos.
Mesmo após o arquivamento do projeto, a tentativa de reeleição de Gianni Infantino perdeu importantes aliados. A UEFA passou a defender que o dirigente suíço renuncie ao cargo de presidente da FIFA. Apesar da crise instalada, a tendência é que a direção da entidade continue estudando alternativas para aumentar o faturamento sem abrir mão do controle sobre seus ativos mais valiosos.
Para Infantino, o desafio agora será construir soluções que contem com maior apoio das federações e evitem novos desgastes políticos.
