Fórmula 1 fecha primeira fase do campeonato em alta
Com vitória da McLaren, a Fórmula 1 fecha primeira fase do Mundial em alta, com cenário de briga pelo título de Mercedes e Ferrari no restante da temporada
A vitória de Lando Norris no GP da Hungria não chegou a ser uma grande surpresa. Em Hungaroring, um dos circuitos mais difíceis do calendário da Fórmula 1 para ultrapassar, largar na pole costuma representar uma enorme vantagem.
Mesmo assim, o triunfo esteve longe de ser tranquilo. Norris precisou administrar a pressão ao longo da corrida para conquistar sua primeira vitória da temporada usando o número 1 em seu MCL40 e fechar a primeira metade do campeonato em alta. Mais importante do que o resultado, porém, foi a mensagem deixada pela McLaren: a equipe finalmente parece pronta para entrar de vez na disputa pelas vitórias.
McLaren muda o cenário do campeonato
Apesar da fama de “Mônaco sem muros”, Hungaroring entregou uma corrida movimentada, especialmente nas voltas iniciais. Oscar Piastri largou melhor que Norris, assumiu a liderança e aproveitou um erro do companheiro na curva 3 para tomar a ponta. Pouco depois, porém, o australiano perdeu rendimento, acabou ultrapassado e posteriormente abandonou a prova. Ainda assim, o fim de semana representou um marco para a McLaren.
O pacote de cinco atualizações levado à Hungria mostrou resultado imediato e transformou o desempenho do MCL40. É verdade que as características do circuito favoreceram um carro com alta carga aerodinâmica, mas a evolução apresentada sugere que o time britânico finalmente reduziu a distância para Mercedes e Ferrari. Com uma terceira equipe vencendo em 2026, a expectativa para a segunda metade da temporada aumenta consideravelmente.
Lando Norris conquistou triunfo da McLaren em 2026 (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Jakub Porzycki)
Mercedes segue favorita, mas vantagem diminui
Nos testes de pré-temporada, a Mercedes dava sinais de que dominaria o campeonato. Andrea Kimi Antonelli e George Russell monopolizaram as primeiras corridas e fizeram parecer que a temporada caminharia para um roteiro previsível, similar aos primeiros 3 anos da era híbrido, quando Hamilton e Nico Rosberg monopolizaram a categoria de 2014 a 2016.
Onze etapas depois, o panorama mudou. Antonelli ainda continua como principal candidato ao título e ampliou sua vantagem ao terminar em terceiro na Hungria, mas o contexto ao seu redor é completamente diferente.
Russell teve uma largada complicada, precisou fazer uma corrida de recuperação e terminou apenas em sexto. Em uma fase inicial do campeonato, quando a Mercedes possuía ampla superioridade, dificilmente perderia tantas posições para rivais diretos.
Agora, Ferrari, McLaren e até a Red Bull passaram a interferir com frequência na luta pelas primeiras colocações, aumentando a imprevisibilidade da disputa.
Max Verstappen tem se mostrado como ponto fora da curva na Red Bull (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Beata Zawrzel)
Verstappen segue competitivo, mas ainda sem carro para vencer
Outro destaque da prova em Hungaring foi Max Verstappen. O holandês tetracampeão mundial terminou em segundo lugar após mais uma atuação consistente, extraindo o máximo de um carro que ainda apresenta limitações.
Mesmo enfrentando problemas de aderência, Verstappen voltou a demonstrar sua capacidade de decidir disputas roda a roda, como fez contra Lewis Hamilton durante a corrida. O problema continua sendo o equipamento.
Até aqui, o GP da Áustria permanece como a única etapa em que a Red Bull realmente apresentou condições de lutar pela vitória em igualdade com os adversários. Enquanto Ferrari e McLaren aceleram o desenvolvimento de seus carros, a equipe de Milton Keynes parece correr atrás do prejuízo.
Audi fecha semestre em crescimento
Se entre as equipes da frente a McLaren foi a principal vencedora do fim de semana, no pelotão intermediário a Audi também deixou Budapeste com motivos para comemorar.
Nico Hülkenberg terminou em nono lugar e garantiu o primeiro top 10 da equipe em 2026. Gabriel Bortoleto ficou em 11º pela quarta vez na temporada, mas novamente mostrou ritmo competitivo, boa gestão de pneus e estratégia eficiente.
Depois de largar apenas da 14ª posição, o brasileiro ganhou posições na pista e reforçou a impressão de que a Audi começa a consolidar sua evolução.
A equipe alemã já disputa diretamente com a Racing Bulls o posto de quinta força do grid, um avanço significativo para um projeto que estreou neste ano desenvolvendo simultaneamente seu próprio chassi e unidade de potência.
A comparação com outras operações recentes evidencia esse crescimento. Mesmo utilizando a antiga estrutura da Sauber, a Audi conseguiu acelerar seu desenvolvimento em ritmo superior ao de outros projetos iniciantes como Cadillac e Aston Martin, em sua nova fase com motores Honda.
Audi começa a emergir como força no meio de pelotão (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Clive Rose)
Segunda metade promete equilíbrio na Fórmula 1
A Fórmula 1 chega às férias de verão em um cenário muito diferente daquele imaginado no início do ano. O temor de um campeonato dominado por uma única equipe deu lugar a uma disputa muito mais aberta.
Em 11 etapas, três construtores diferentes já venceram corridas, enquanto Mercedes, Ferrari, McLaren e Red Bull demonstram capacidade de brigar pelas primeiras posições em diferentes tipos de circuito. A pausa agora interrompe justamente o momento em que o campeonato ganha novos ingredientes.
A principal dúvida para a etapa de Zandvoort será saber se a McLaren conseguirá confirmar a evolução apresentada na Hungria e manter o nível de competitividade contra Mercedes e Ferrari. Os italianos, por sinal, chegam pressionados após um fim de semana abaixo das expectativas em um circuito que, teoricamente, favorecia as características do SF-26. Se a resposta for positiva, a segunda metade da temporada tem tudo para entregar a disputa mais equilibrada de 2026 até aqui.
