Ferrari passa 2025 em branco na F1 e acumula dúvidas sobre desempenho
Escuderia italiana completa 17 anos sem títulos; falhas no projeto do carro e instabilidade interna explicam mais uma temporada frustrante
O pódio duplo em Abu Dhabi, no encerramento da temporada 2024, alimentou a sensação de que a Ferrari havia retomado o caminho certo. Mesmo com o vice no Mundial de Construtores, superada pela McLaren, o discurso em Maranello era de confiança em um 2025 capaz de encerrar a longa seca iniciada em 2008. Doze meses depois, porém, o otimismo deu lugar a um quadro bem menos animador.
A Ferrari passou 2025 sem vencer uma corrida principal na Fórmula 1. Lewis Hamilton chegou a triunfar na sprint da China, mas o resultado não entra nas estatísticas oficiais da categoria.
A falta de resultados expressivos, o desânimo de pilotos renomados e os conflitos internos marcaram a temporada da equipe de Maranello. O desempenho abaixo do esperado ampliou o jejum de títulos para 17 anos, o maior da história da escuderia, e expôs os principais fatores por trás de um ano amplamente frustrante.
SF-25 simboliza temporada frustrante da Ferrari
Embalada pelo bom desempenho de 2024, quando somou cinco vitórias, a Ferrari iniciou a temporada seguinte cercada de confiança. A chegada de Lewis Hamilton reforçava a sensação de que o projeto tinha tudo para engrenar rapidamente. Na prática, porém, o caminho escolhido não se confirmou.
Batizado de SF-25, o carro representou uma ruptura clara em relação ao modelo anterior. A equipe apostou em um conceito mais agressivo, com o monoposto rodando mais próximo do solo para ganhar rendimento em altas velocidades — justamente um dos pontos que haviam limitado o desempenho no ano anterior. A estratégia, no entanto, não entregou os resultados esperados.
“O raciocínio por trás dessa mudança de arquitetura foi limpar o fluxo de ar ao redor do carro, ao mesmo tempo, ampliando a margem para um maior desenvolvimento aerodinâmico, que já estava praticamente esgotado anteriormente,” disse o time italiano.
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Hamilton cobra mudanças e expõe desgaste interno na Ferrari
Hamilton tentou se integrar à Ferrari desde o início, aproximando-se da equipe e mergulhando nos processos internos. Com o andamento da temporada, passou a enxergar a necessidade de correções urgentes no projeto e na forma de trabalho da escuderia.
Após o GP da Bélgica, o britânico enviou relatórios à direção cobrando mudanças estruturais e técnicas, incluindo problemas do SF-25 e dificuldades como o aquecimento dos pneus. Meses depois, reforçou as críticas e demonstrou frustração com a pouca influência nas decisões e a resistência interna.
O ambiente ficou ainda mais tenso após o GP de São Paulo, com o abandono dos dois carros. O episódio evidenciou o desgaste interno e o desalinhamento entre pilotos e comando da Ferrari.
SF-25 de Lewis Hamilton e Charles Leclerc no Circuito da Emilia-Romagna (Foto: reprodução/ Peter Fox/ Getty Images Embed)
Falhas de comunicação ampliam crise da Ferrari na temporada
Além dos entraves técnicos e estruturais, a Ferrari também enfrentou problemas de comunicação ao longo da temporada. Em alguns momentos, Hamilton e Leclerc demonstraram incômodo com a troca de informações via rádio, mas o caso mais sensível envolveu o heptacampeão e seu engenheiro de pista, Riccardo Adami.
Desde a etapa de abertura, na Austrália, surgiram sinais de desalinhamento. Hamilton se mostrou irritado com a repetição constante das mensagens no rádio e chegou a pedir, mais de uma vez, que as instruções fossem transmitidas apenas uma vez, para evitar distrações durante a pilotagem.
A relação ganhou contornos mais evidentes no GP de Mônaco, quando uma resposta considerada imprecisa sobre a distância para os líderes gerou desconforto. Após a corrida, Hamilton agradeceu pelo trabalho, mas não recebeu retorno do engenheiro, o que chamou atenção. O episódio alimentou dúvidas sobre a continuidade da parceria e simbolizou mais um aspecto do ambiente instável vivido pela Ferrari em 2025.
