FIA estuda ajustes no gerenciamento de energia da Fórmula 1

Fórmula 1 pode ter mudanças no gerenciamento de energia dos carros; FIA analisa críticas de pilotos e deve discutir o tema após o GP da China

09 mar, 2026
Carros na largada do Grande Prêmio do Japão | Reprodução/X/@F1
Carros na largada do Grande Prêmio do Japão | Reprodução/X/@F1

A gestão de energia dos carros da Fórmula 1 voltou ao centro das discussões após as primeiras corridas da temporada. Pilotos e equipes têm demonstrado preocupação com o impacto do sistema de bateria no desempenho dos carros e nas disputas por posição. Diante das críticas, a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) estuda possíveis ajustes no regulamento após a realização do Grande Prêmio da China.

Novo regulamento aumentou peso da parte elétrica

A nova geração de carros da Fórmula 1 trouxe mudanças importantes na unidade de potência. A partir deste regulamento, o sistema elétrico passou a representar cerca de 50% da potência total dos carros, dividindo protagonismo com o motor a combustão. Essa mudança teve como objetivo tornar a categoria mais eficiente e alinhada às tecnologias sustentáveis. No entanto, o aumento da potência elétrica também trouxe desafios inesperados.

Os carros têm enfrentado dificuldades para recuperar energia durante as corridas. Normalmente, essa recuperação ocorre em frenagens ou quando o piloto reduz o ritmo nas retas, técnica conhecida como lift and coast. Mesmo assim, em muitos casos a recarga não tem sido suficiente.

Outro problema observado foi o chamado superclipping, quando a bateria se esgota no meio de uma reta, fazendo o carro perder potência de forma repentina.


Pilotos reclamaram abertamente do novo sistema de energia (Foto: reprodução/Lars Baron/Getty Images Embed)


Ultrapassagens e críticas dos pilotos

O impacto desse sistema ficou evidente no Grande Prêmio da Austrália, disputado no circuito de Albert Park. A prova teve cerca de 120 ultrapassagens, muitas delas diretamente influenciadas pelo nível de carga das baterias.

Com o uso do modo de ultrapassagem ou do boost, os pilotos conseguem mais potência momentânea para superar um adversário. Porém, como a recuperação de energia é limitada, o carro ultrapassado muitas vezes consegue contra-atacar rapidamente caso tenha mais carga disponível.

A situação gerou críticas de alguns dos principais nomes da categoria. O atual campeão Lando Norris e o tetracampeão Max Verstappen classificaram o comportamento das corridas como “artificial”. Verstappen chegou a comparar algumas disputas com o jogo Mario Kart, no qual os personagens utilizam poderes especiais durante as corridas.

Além disso, o novo sistema também afetou as largadas. Durante a pré-temporada, os pilotos tiveram dificuldades para acelerar quando as luzes se apagavam. Para minimizar o problema, a FIA passou a permitir cinco segundos adicionais para que os competidores elevem a rotação do motor antes da largada. Mesmo com a adaptação, alguns pilotos relataram iniciar corridas com pouca carga na bateria, o que também levantou preocupações de segurança após incidentes nas primeiras voltas.

A situação deve voltar a ser discutida após o próximo fim de semana de corrida. A categoria disputa o Grande Prêmio da China no circuito de Shanghai International Circuit, etapa considerada importante para que a FIA reúna mais dados sobre o comportamento das novas unidades de potência.

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