Espanha vence Copa do Mundo e jogadores prestam homenagens às suas raízes
Seleção espanhola vence Argentina na prorrogação e atletas campeões sobem ao pódio com bandeiras que pertencem as comunidade e cidades autônomas
Neste domingo (19), a Espanha se consagrou bicampeã mundial ao vencer a Argentina por 1 a 0 na final da Copa do Mundo 2026, no MetLife Stadium, em Nova Jersey. Durante a cerimônia de premiação, um detalhe chamou a atenção do público: alguns atletas estavam com bandeiras diferentes da tradicional vermelha e amarela, e isso está atrelado ao modo como o país se formou ao longo dos anos.
A Espanha foi formada pela unificação de diferentes reinos nos séculos XV, XVI e XVII até 1715. Atualmente, o país tem 17 comunidades e duas cidades autônomas, cada uma com identidade cultural, tradições e, em muitos casos, bandeira própria. Assim, além da bandeira nacional, diversos jogadores decidiram representar suas regiões de origem durante a celebração, o que destaca o orgulho que os atletas têm pelas próprias raízes, sem deixar de celebrar a conquista coletiva.
Identidade regional faz parte da tradição espanhola
A presença dessas bandeiras não representa divisão dentro da seleção; pelo contrário, trata-se de uma tradição recorrente em competições esportivas envolvendo atletas espanhóis. É comum ver os jogadores recebendo títulos com as bandeiras que representam suas raízes, homenageando os familiares, as cidades natais e a cultura local.
Entre as bandeiras vistas no pódio estavam a da Comunidade Valenciana, levada pelo atacante Ferran Torres, autor do gol do título; Pedri, com a das Ilhas Canárias; e Borja Iglesias, com a bandeira da Galícia. Também teve jogadores com as bandeiras de suas cidades, mesmo sem serem autônomas, como os meio-campistas Dani Olmo, com a de Terrassa, e Alex Baena, com a de Roquetas de Mar.
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Ferran Torres faz gol na prorrogação e garante título à Espanha (Foto: reprodução/Instagram/@ferrantorres)
No entanto, algumas comunidades não aceitam esse modelo de comemoração. Regiões, como Catalunha e País Basco, possuem histórico de movimentos autonomistas e independentistas que vão em confronto com a identidade espanhola. Apesar de a bandeira da República da Catalunha ter sido proibida nos torneios nacionais no país e de ser muito vista nos jogos do Barcelona, ela é diferente da usada para se referir à comunidade autônoma.
Atualmente, o país espanhol é formado pelas comunidades autônomas de Andaluzia, Aragão, Astúrias, Ilhas Baleares, Ilhas Canárias, Cantábria, Castela-La Mancha, Castela e Leão, Catalunha, Comunidade Valenciana, Extremadura, Galícia, La Rioja, Comunidade de Madrid, Região de Múrcia, Navarra e País Basco. Além disso, as duas cidades autônomas de Ceuta e Melilla completam o território.
Título rende premiação milionária aos campeões
Ao vencer a Copa do Mundo de 2026 dos Estados Unidos, do Canadá e do México, a Seleção da Espanha recebe o prestígio esportivo de conquistar duas vezes o torneio no século 21, a primeira no ano de 2010. E também, pela campanha vencedora, a Federação Espanhola receberá aproximadamente 50 milhões de dólares (cerca de R$ 280 milhões), valor recorde distribuído pela FIFA para o campeão desta edição.
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Espanha se torna bicampeã mundial (Foto: reprodução/Instagram/@sefutbol/@rfef)
Segundo informações da imprensa espanhola, cerca de 44% desse montante será destinado aos jogadores. Cada atleta do elenco campeão deverá receber cerca de 756 mil euros (aproximadamente R$ 4,8 milhões na cotação atual), conforme acordo firmado entre a Federação Espanhola e o grupo antes do início da competição.
O prêmio reflete o aumento da premiação total da Copa do Mundo de 2026, que alcançou US$ 655 milhões distribuídos entre as seleções participantes, superando significativamente os valores pagos na edição de 2022. A Espanha encerra o torneio com o segundo título mundial, com uma das campanhas mais consistentes e com a defesa menos vazada da competição. Durante o mundial, a seleção sofreu apenas um gol, no jogo contra a Bélgica, valendo vaga para as quartas de final. Além disso, consolida uma nova geração de talentos liderada por nomes como Rodri, Lamine Yamal, Nico Williams e Ferran Torres.
