Entre Lyon e Copa: Endrick trabalha para se recompor e voltar à boa fase

Da decisão de ser emprestado pelo Real ao começo arrasador no Lyon, brasileiro foi para o “tudo ou nada” em busca de voltar a figurar antes do Mundial

03 fev, 2026
Atacante vem dando a volta por cima pelo Lyon | Reprodução/Instagram/@doentesporgutebol
Atacante vem dando a volta por cima pelo Lyon | Reprodução/Instagram/@doentesporgutebol

Com a próxima Copa do Mundo como objetivo central, Endrick tomou uma decisão decisiva para manter vivo o sonho de vestir a camisa da Seleção Brasileira. Às vésperas do Mundial, ficar sem minutos em campo deixou de ser uma possibilidade aceitável. Para um jogador que busca espaço entre os convocados, a inatividade representava um risco alto demais.

Foi com esse senso de urgência, quase um “tudo ou nada”, que o atacante optou por deixar o Real Madrid por empréstimo e apostar no Lyon, no fim do ano passado. Seis meses antes da Copa, a resposta começou a aparecer: sequência, protagonismo e impacto imediato no futebol francês. A seguir, os bastidores da escolha pelo clube francês e a rotina do jogador que tenta convencer Carlo Ancelotti na reta final do ciclo.

A decisão de deixar o Real Madrid

Recuperado de uma lesão muscular sofrida em julho de 2025 — uma recaída de um problema iniciado em maio, Endrick voltou a ficar à disposição do Real Madrid na reta final da temporada. Ainda assim, era visto como a última opção para o ataque do técnico Xabi Alonso. Sem perspectiva de sequência, a busca por um novo clube passou a ser tratada como necessária por todas as partes envolvidas.

A concorrência no elenco merengue era pesada. Endrick disputava espaço com nomes consolidados, como Kylian Mbappé, na briga pela artilharia europeia, além do jovem Gonzalo García, que ganhou espaço justamente durante o período de ausência do brasileiro, inclusive no Mundial de Clubes de 2025. Para quem tinha a Copa do Mundo como meta, a falta de minutos não era apenas um obstáculo — era um risco concreto de ficar fora da lista final, mesmo pertencendo a um dos maiores clubes do planeta.

Nos últimos meses de 2025, Endrick e seu estafe chegaram ao entendimento de que a prioridade precisava ser estar em campo. Abrir mão disso significaria comprometer visibilidade, ritmo e chances reais de convocação. Por isso, o empréstimo não foi apenas uma escolha esportiva, mas uma decisão estratégica de sobrevivência em meio à concorrência e de manutenção do sonho de voltar a defender a seleção brasileira.


 Endrick havia perdido espaço no elenco do Real Madrid (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Florencia Tan Jun)


Negociações com o Lyon

Com a decisão pelo empréstimo tomada, o estafe do atacante estabeleceu critérios claros para definir o destino. Voltar ao futebol brasileiro sequer entrou no radar. O Lyon surgiu como a opção ideal dentro do cenário analisado.

O dirigente Matthieu Louis-Jean teve papel central na negociação, chegando a viajar mais de uma vez para se reunir com os representantes de Endrick e apresentar o projeto esportivo do clube. A Ligue 1 foi vista como uma liga competitiva, com grande exposição internacional, e o elenco do Lyon oferecia algo fundamental: espaço real para protagonismo. O time francês carecia de um atacante com as características de Endrick. O artilheiro da equipe até então era o meia tcheco Pavel Šulc, com 13 gols. Além disso, o clube tem histórico positivo com brasileiros: Juninho Pernambucano é ídolo absoluto do time, e nomes como Lucas Paquetá e Bruno Guimarães deram saltos importantes na carreira atuando em Lyon.

O ambiente esportivo, a necessidade técnica do elenco e a visibilidade do futebol francês — que hoje abriga o último vencedor do prêmio de melhor do mundo, Ousmane Dembélé — pesaram na escolha. O acordo firmado foi de seis meses, até 30 de junho de 2026, sem opção de compra. O Lyon pagou cerca de 1 milhão de euros pelo empréstimo e assumiu metade do salário do jogador.


 Endrick assinou com o Lyon até o meio do ano, por empréstimo (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Olivier Chassignole)


Impacto imediato e rotina focada

Desde a chegada à França, Endrick mergulhou em uma rotina de foco absoluto. Longe de distrações, vive uma vida descrita por pessoas próximas como quase “monótona”, mas totalmente voltada ao rendimento esportivo. O atacante mora a cerca de 20 minutos do centro de treinamento, conta com acompanhamento físico personalizado, chef responsável pela alimentação e passa o tempo livre em casa, com a esposa, os cachorros ou jogando videogame. Praticamente não conhece a França fora do futebol. Toda a intensidade da sua rotina está concentrada dentro de campo.

E os resultados vieram rápido. Em janeiro, Endrick estreou marcando gol, fez um hat-trick em uma única partida e se tornou o brasileiro mais jovem a alcançar esse feito nas cinco grandes ligas europeias desde a temporada 1992/93. Aos 19 anos e seis meses, superou Ronaldo Fenômeno, que havia marcado três gols em um jogo aos 21, pela Inter de Milão, em 1997/98.

Até agora, são quatro gols e uma assistência em quatro partidas, desempenho que rendeu elogios da imprensa francesa, do treinador e dos companheiros. Endrick também foi eleito o jogador do mês de janeiro da Ligue 1. “Endrick é um jogador que entendeu muito bem nosso estilo de jogo. É tecnicamente forte e ainda ajuda defensivamente. Estou satisfeito”, afirmou Paulo Fonseca, técnico do Lyon.


Paulo Fonseca e Endrick se cumprimentam à beira de campo (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Jean Catuffe)


O atacante tem agora pouco mais de um mês para seguir se afirmando antes da próxima convocação da Seleção. O Brasil enfrenta França e Croácia em março, na penúltima lista de Ancelotti antes da Copa. Para Endrick, estar entre os chamados é fundamental — especialmente porque ainda não foi convocado pelo treinador com quem trabalhou no Real Madrid. O próximo compromisso do Lyon será nesta quarta-feira, contra o Laval, pelas oitavas de final da Copa da França.

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