Cristiano Ronaldo abre o jogo sobre Jorge Jesus e revela decisão sobre aposentadoria: “Decidi”

Em comunicado divulgado nesta terça, o capitão português detalha conversas com o técnico, aponta falta de palavra e reconhece seus próprios erros antes do jogo contra a Dinamarca

06 out, 2026
Cristiano Ronaldo | REprodução/Instagram/@cristiano
Cristiano Ronaldo | REprodução/Instagram/@cristiano

Cristiano Ronaldo divulgou nesta terça-feira (6) comunicado explicando sua saída da concentração da Seleção Portuguesa. O atacante saiu do grupo 24 horas antes do confronto contra a Dinamarca pela Liga das Nações da Europa, em Copenhague, e apresentou sua versão sobre o desentendimento com o selecionador Jorge Jesus.

“Tal como prometi, decidi contar, na primeira pessoa e de forma direta, as circunstâncias que envolveram o último estágio da Seleção Nacional.”

No texto, Ronaldo relata as conversas mantidas com a Federação Portuguesa de Futebol após a Copa do Mundo e os encontros com Jesus. Constrói uma narrativa em que descreve um pacto inicial que, conforme sua leitura, não foi honrado pelo selecionador.

O plano inicial com Jesus

Ronaldo afirma que Jesus lhe apresentou um planejamento para sua participação na Data Fifa. Segundo o comunicado, o técnico indicou que o português entraria no primeiro jogo e no último, com rotatividade de três a quatro atletas por partida nos demais confrontos.

Jesus também teria sugerido que Ronaldo não viajasse para Noruega e Dinamarca, comparecendo apenas ao primeiro duelo. Ronaldo recusou na ocasião, argumentando que não seria apropriado deixar de capitanear a equipe por não jogar no estrangeiro.

Na noite anterior ao início do estágio, Jesus foi à residência de Ronaldo em Lisboa. O capitão afirma que todos os termos combinados em agosto foram reafirmados naquele encontro, com confirmação do compromisso do selecionador.


Cristiano Ronaldo abre o jogo sobre Jorge Jesus e revela decisão sobre aposentadoria (Foto: reprodução/X/@CR7Brasil)


O que ocorreu contra a Noruega

Ronaldo participou do jogo de Alvalade e, mesmo sendo substituído, não protestou. Repassou a braçadeira para Bruno Fernandes e priorizou a vitória portuguesa. O cenário mudaria dias depois.

No horário do almoço do dia do duelo com a Noruega, um assistente de Jesus procurou Ronaldo com uma mensagem: o técnico desejava conversa. Jesus perguntou se o capitão estava em condições de atuar 30 minutos, algo distante do plano de recuperação física acordado anteriormente.

Ronaldo afirma ter respondido afirmativamente, apesar do foco em se recuperar. Jesus retrucou dizendo que Cristiano se preparasse pois jogaria os 30 minutos. O capitão aqueceu a partir do intervalo, observou o tempo passar e não foi utilizado. De acordo com seu relato, o selecionador havia faltado à palavra.

“A quebra da palavra tem, para mim, um impacto definidor. Senti que, a partir dali, a minha permanência iria apenas prejudicar o grupo de trabalho e fiz o que sempre disse que faria se não me sentisse útil: peguei nas malas e saí.”

Depois da partida contra a Noruega, Ronaldo não foi cumprimentar os torcedores. Ele reconhece que foi uma falha sua e pede desculpas aos portugueses.

Tentativa de acerto entre as partes

Dois dias após o ocorrido, Ronaldo, Jesus e Simão Coutinho, diretor desportivo do Al Nassr, mantiveram conversa profunda. Coutinho havia acompanhado as negociações de agosto entre o capitão e o selecionador, segundo o relato de Ronaldo.

Os três concordaram que a única saída era Jesus repetir publicamente, na coletiva de imprensa, aquilo que havia dito em particular. O combinado era que o técnico iniciaria a conferência esclarecendo que nunca pediu para Ronaldo jogar determinado tempo, que foi ele quem propôs o esquema e que foi falha colocá-lo a aquecer sem utilizá-lo.

Jesus abraçou Ronaldo e prometeu comunicar na coletiva o que havia dito nos bastidores. O capitão afirma que o selecionador também prometeu que o assunto seria superado e que Ronaldo não participaria do duelo com a Dinamarca, mas jogaria no Dragão, onde Portugal enfrentaria outro adversário.

Posterior reunião entre Jesus, Simão Coutinho e Tiago Craveiro, por videoconferência, resumiu o que havia sido discutido. Um documento foi produzido, validado por Ronaldo e entregue a Jesus conforme solicitado.

A coletiva que não cumpriu o acordo

A conferência de Jesus divergiu do que havia sido pactuado. Ronaldo afirma ter percebido tom e agressividade que não merecia, postura que Jesus nunca havia demonstrado em privado.

Na prática, Jesus afirmou que propôs o plano a Ronaldo e que foi erro aquecê-lo sem utilizá-lo. Disse que o capitão nunca questionou suas decisões, foi exemplar, leal e profissional. Afirmou que quer Cristiano Ronaldo na seleção e acredita nele.

“Errei ao colocar alguém da dimensão de Pelé ou Maradona a aquecer para depois não o colocar em jogo. Se fosse hoje não o faria.”

Ronaldo sustenta que nenhuma das colocações de Jesus incluía o pedido de desculpas que havia sido combinado na reunião reservada.

O abandono do estágio

Ronaldo decidiu deixar o estágio sem aguardar outra quebra de confiança. Ele reconhece ter conversado com o Presidente da FPF e com Jesus na manhã do dia da coletiva de imprensa.

Naquele diálogo, reafirmou que se não o quisessem ali, bastava serem diretos, e que aceitaria e prepararia algo digno. Presidente e Jesus responderam em comum que não, que o lugar de Ronaldo era na Seleção Nacional. O capitão diz que guarda essa lembrança com clareza.

Reconhecimento de responsabilidade

Ronaldo enfatiza que nunca, em nenhum momento, interferiu em decisões técnicas ou táticas de técnicos e selecionadores em quase 25 anos de trajetória. Quando alguém lhe falta à palavra, sente que seu lugar não é ali.

“O Selecionador disse-me nesse dia que contava comigo e que a minha presença era fundamental para o seu projeto.”

O capitão pede desculpas aos companheiros de Seleção por ter deixado o estágio. Reconhece que não deveria ter tomado essa atitude apesar da perda de confiança na palavra do técnico.

Ronaldo afirma que a consequência de seu ato deve ser avaliada e punida pela Federação Portuguesa de Futebol. Entende que a penalidade não deve ter atenuantes, pois ele é capitão da equipe, o que constitui agravante.

Disponibilidade para a Seleção

Ronaldo diz ter ouvido menções sobre jogos de despedida que a FPF deseja lhe oferecer. Promete que fará um ou mais jogos de despedida, porém quando pensa na Seleção pensa em competir.

Afirma que estará disponível para defender Portugal se estiver bem fisicamente e cumprir eventual suspensão. Diz que continuará disponível para competir e conquistar títulos pela Seleção, como sempre fez até agora.

Mais notícias