Corinthians corre contra o tempo para fechar com Ramón Díaz antes do Dérbi
Timão tenta definir o comando técnico após sete derrotas consecutivas; punição do tribunal esportivo pode limitar a atuação do argentino na reta final
O Corinthians tenta acelerar a definição de seu próximo treinador em meio a uma das fases mais delicadas da temporada. Após a saída de Fernando Diniz, a diretoria colocou Ramón Díaz como principal opção para assumir a equipe, com a intenção de contar com o argentino já no clássico contra o Palmeiras, no domingo (11). A negociação, porém, envolve um obstáculo importante: a suspensão de seis partidas imposta ao técnico pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD).
A urgência tem explicação dentro de campo. O Timão vem de sete derrotas consecutivas no Campeonato Brasileiro, sequência que deixou o clube com 32 pontos e na 16ª colocação, apenas uma posição acima da zona de rebaixamento. Nesse cenário, a escolha do novo comandante precisa considerar não apenas a capacidade de reorganizar a equipe, mas também o tempo disponível para preparar o elenco antes de um dos compromissos mais importantes do calendário.
Ramón Díaz volta ao radar em momento de crise
O argentino aparece como prioridade por já conhecer o ambiente do Parque São Jorge e parte significativa do elenco. Em sua primeira passagem pelo Corinthians, em 2024, Ramón e seu auxiliar e filho, Emiliano Díaz, conduziram uma reação importante na reta final do Brasileirão. A equipe se afastou da zona de rebaixamento, emendou uma sequência de vitórias e garantiu vaga na Libertadores da temporada seguinte.
O histórico pesa na avaliação da diretoria, que busca uma solução de curto prazo para interromper a sequência negativa. A possibilidade de um contrato válido apenas até o fim do ano também se encaixa na urgência do momento, em que o objetivo imediato é afastar o risco de queda para a Série B.
Apesar da preferência pelo treinador, a negociação ainda não estava concluída nos relatos consultados. A diretoria também avaliou alternativas, mas a familiaridade de Ramón com o clube e sua experiência anterior na luta contra o rebaixamento mantêm seu nome em evidência.
Suspensão no STJD é o principal entrave
O retorno de Ramón Díaz depende de uma questão que vai além do acordo contratual. Em fevereiro de 2026, o treinador recebeu seis jogos de suspensão em julgamento do STJD por uma declaração machista feita durante sua passagem pelo Internacional, em novembro de 2025. Na ocasião, ele afirmou que o futebol era “para homens, não para meninas” e posteriormente pediu desculpas pela fala.
A punição pode impedi-lo de comandar a equipe à beira do campo em seis das nove rodadas restantes do Campeonato Brasileiro, caso seja mantida. Por isso, o departamento jurídico do Corinthians estuda a possibilidade de recorrer para tentar reverter a decisão ou reduzir a pena.
Uma das alternativas consideradas é a presença de Emiliano Díaz no banco de reservas durante o período de suspensão, caso a contratação da dupla seja concretizada e a punição continue em vigor. A situação torna a escolha mais complexa: além de definir o comando técnico, o clube precisa estabelecer como a equipe será orientada nos compromissos em que Ramón não puder atuar normalmente.
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Corinthians enfrenta o Palmeiras neste domingo (11), pelo Campeonato Brasileiro (Foto: reprodução/Instagram/@corinthians)
Dérbi aumenta a pressão por uma definição
O calendário encurta o prazo para a diretoria tomar uma decisão. O Corinthians enfrenta o Palmeiras no domingo, às 17h30 (de Brasília), no Nubank Parque, e tenta chegar ao clássico com a comissão técnica definida. A proximidade do confronto aumenta a importância de uma escolha rápida, mas também limita o tempo de trabalho antes da partida.
Mais do que uma disputa entre rivais, o Dérbi chega em um momento no qual o Corinthians precisa interromper a sequência de derrotas e recuperar terreno na tabela. A equipe ocupa a parte inferior da classificação e tem pouca margem para prolongar a instabilidade nas rodadas finais.
A eventual chegada de Ramón Díaz representaria uma tentativa de repetir a reação de 2024, mas o cenário atual traz um desafio adicional: o treinador pode não estar disponível no banco em boa parte da reta final. Enquanto a negociação segue, o Corinthians precisa conciliar a urgência por resultados com a definição de um plano que funcione dentro e fora de campo.
