Marcos Braz revela bastidores de Flamengo e Remo
Executivo de futebol explica como monta o elenco do Remo; comenta sobre polêmicas e reconheceu decisões erradas no passado durante período no rubro-negro
O “gelo no sangue”, bordão eternizado no mercado de contratações, derrete rápido quando aparece um microfone pela frente. Marcos Braz é dirigente à moda antiga: gosta dos holofotes, centraliza decisões e não foge da responsabilidade — nem das polêmicas.
Multicampeão pelo Flamengo, o executivo de futebol foi o arquiteto do elenco que, em 2025, recolocou o Remo na Série A após 32 anos de ausência. No meio desse processo, acumulou histórias, bastidores e versões próprias para episódios que marcaram sua trajetória no futebol brasileiro.
Contratações que geram conquistas
O apetite por reforços segue o mesmo dos tempos em que montou o elenco estrelado que recolocou o Flamengo no caminho dos títulos. Para a volta do clube paraense à elite, o Remo já anunciou 11 contratações e comemorou o título da Supercopa Grão-Pará — combustível suficiente para manter Braz com a língua afiada e a autoestima em dia.
Vitorioso “com e sem dinheiro”, como ele próprio gosta de definir, o atual diretor executivo azulino abriu o jogo no quadro “Abre Aspas”, onde revisitou histórias do passado e tratou de esclarecer temas sensíveis.
Em entrevista à TV Liberal, Braz prometeu novidades no elenco ainda nos próximos dias e manteve o estilo irônico ao falar sobre negociações em andamento.
“Fato de ser contratado eu gosto de falar depois de assinado. Já vi, na minha vida, algumas noivas descerem do altar”, brincou. “Levo as coisas com tranquilidade. Tem jogadores a caminho, outros para chegar. Tem jogador vindo do Japão, está a um dia de Belém. Podem ficar tranquilos: essas próximas 48 horas prometem.”
Segundo a imprensa local, o nome que cruza o planeta rumo ao Pará é Vítor Bueno, atualmente no Cerezo Osaka. O meia-atacante soma passagens por Athletico-PR e São Paulo e surge como reforço de peso para a temporada.
Polêmicas, conflitos e mea-culpa
Entre tapas e beijos com Gabigol, demissões de técnicos em momentos turbulentos e atritos com torcedores, Braz não fugiu dos temas espinhosos. Comentou a briga com um torcedor rubro-negro em um shopping no Rio de Janeiro e admitiu erros da gestão Landim na condução da tragédia do Ninho do Urubu.
De peito aberto para quase tudo, o dirigente revelou que o retorno à Série A traz também dilemas pessoais, especialmente quando o adversário atende pelo nome de Flamengo.
“Tenho a cabeça muito tranquila com meu ciclo fechado no Flamengo. O que não me deixa tranquilo é me tornar adversário direto pelos mesmos objetivos. Para deixar claro: os objetivos do Remo em 2026 não têm nada a ver com os do Flamengo. Me dá frio na barriga pensar em estar em um clube com as mesmas metas do Flamengo.” Confessou Braz em entrevista.
Marcos Braz ao lado de Gabigol e o ex-presidente do Flamengo Rodolfo Landim (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Wagner Meier)
Olhos no Brasileirão e no passado
O Remo estreia na Série A na próxima quarta-feira, contra o Vitória, no Barradão. O reencontro com o Flamengo ficou marcado apenas para 19 de março, no Maracanã. Até lá, Braz segue abrindo o baú.
No “Abre Aspas”, falou das dificuldades do Flamengo pós-Jorge Jesus, do trauma da demissão de Dorival Júnior, dos altos e baixos da relação com Gabigol e até de episódios envolvendo Adriano, no período em que foi vice-presidente rubro-negro, entre 2009 e 2010. Antes de a bola rolar na elite do futebol brasileiro, Marcos Braz já deixou claro: história, bastidor e controvérsia nunca foram problema. Pelo contrário — sempre fizeram parte do pacote.
