Bragantino atropela o Cruzeiro no primeiro tempo e segura reação para vencer por 4 a 2
Massa Bruta abre três gols de vantagem no primeiro tempo, vê a Raposa reagir na reta final, mas responde e garante a vitória em Bragança Paulista
Seis gols, erros defensivos, reação e um desfecho que não deixou espaço para acomodação. O Red Bull Bragantino venceu o Cruzeiro por 4 a 2 nesta segunda-feira (12), no estádio Cícero de Souza Marques, em Bragança Paulista, pela 30ª rodada do Campeonato Brasileiro. Com um primeiro tempo avassalador e eficiência para aproveitar os espaços concedidos pelo adversário, o Massa Bruta construiu uma vantagem que parecia confortável — até a Raposa transformar os minutos finais em uma tentativa de remontada.
Lucas Barbosa, Kaio Jorge, contra, e Eric Ramires marcaram os três primeiros gols dos mandantes, todos ainda na etapa inicial. Zé Lucas descontou antes do intervalo e manteve o Cruzeiro vivo. No segundo tempo, Matheus Henrique voltou a diminuir a diferença aos 44 minutos, mas Herrera respondeu logo na sequência e encerrou a esperança de empate.
O resultado levou o Bragantino aos 40 pontos, na nona colocação, enquanto o Cruzeiro permaneceu em sexto, com 48. Para os paulistas, a vitória também representou o fim de uma sequência de seis partidas sem vencer no Brasileirão. Para os mineiros, ficou o peso de uma atuação defensivamente vulnerável, especialmente nos primeiros 30 minutos.
Três gols em meia hora: o Bragantino aproveita cada brecha
O início da partida foi determinante. O Bragantino não precisou dominar a posse de bola para assumir o controle do placar: encontrou nos escanteios e nas segundas bolas um caminho direto para ferir a defesa cruzeirense.
Aos 12 minutos, Wallace Yan cobrou escanteio na primeira trave, e Lucas Barbosa desviou para abrir o marcador. O lance deu o tom do que viria a seguir. Aos 20, em nova cobrança na mesma região, William desviou para trás e Kaio Jorge acabou mandando contra o próprio patrimônio. Dois gols com participação decisiva de bolas paradas e falhas de organização defensiva — sinais de uma equipe visitante que não conseguia ajustar a marcação na área.
O Cruzeiro ainda não havia assimilado o segundo golpe quando sofreu o terceiro. Aos 30 minutos, Fernando acertou a trave; Eduardo Sasha aproveitou o rebote, mas parou em Otávio. Na sobra seguinte, Eric Ramires apareceu de frente para o gol e ampliou. A jogada resumiu a diferença entre os times naquele trecho: o Bragantino foi agressivo para disputar cada rebote, enquanto a defesa celeste falhou em afastar o perigo mesmo depois da primeira intervenção do goleiro.
A vantagem de 3 a 0, portanto, não surgiu de um domínio absoluto da bola, mas da capacidade de transformar situações de área em gols. O time da casa atacou com objetividade, pressionou o setor defensivo rival e foi recompensado pela insistência.
Zé Lucas mantém a Raposa respirando
Com o placar tão desfavorável, o Cruzeiro precisava encontrar uma resposta antes do intervalo. E ela veio com Zé Lucas, aos 43 minutos. Matheus Pereira acelerou a construção, abriu para Kaio Jorge, e o atacante encontrou o volante chegando à área. A finalização diminuiu a desvantagem e ofereceu à equipe mineira uma possibilidade de reorganização para o segundo tempo.
O gol não apagou os problemas defensivos, mas mudou o cenário psicológico da partida. Em vez de ir para o vestiário diante de uma goleada praticamente consolidada, o Cruzeiro ganhou um motivo para continuar acreditando. No último lance da etapa inicial, Gerson ainda teve uma oportunidade dentro da área, mas parou em Tiago Volpi, que fez uma defesa importante para preservar a vantagem do Bragantino.
O goleiro do Massa Bruta foi uma peça relevante justamente porque o placar poderia ter ficado mais apertado. Enquanto o ataque da equipe paulista aproveitou as falhas do adversário, Volpi respondeu quando o Cruzeiro conseguiu superar a primeira linha de pressão e finalizar com perigo.
Reação celeste esbarra no golpe final
A segunda etapa teve menos intensidade do que a primeira, mas o Cruzeiro não abandonou a tentativa de voltar ao jogo. A equipe passou a buscar mais o ataque e encontrou espaço para diminuir a diferença nos minutos finais. Antes disso, o Bragantino chegou a marcar novamente, mas o gol foi anulado.
Aos 44 minutos, Kaio Jorge fez o pivô dentro da área, e Matheus Henrique aproveitou a sobra para bater forte e fazer 3 a 2. O gol recolocou a Raposa a apenas um de distância e aumentou a pressão sobre os mandantes. Por alguns instantes, o confronto voltou a parecer aberto: o time mineiro tinha pouco tempo, mas carregava o impulso de uma reação que parecia improvável depois do primeiro tempo.
A resposta do Bragantino, porém, foi imediata. Na saída de bola após sofrer o segundo gol, Tiago Volpi lançou para o ataque, Pitta ajeitou, e Herrera finalizou da entrada da área. A bola desviou no caminho e enganou Otávio, fechando o placar em 4 a 2. Em vez de recuar e permitir que a pressão celeste crescesse, o Massa Bruta aproveitou o espaço e encerrou a disputa.
Melhores momentos da vitória do Bragantino por 4 a 2 sobre o Cruzeiro (Vídeo: reprodução/Youtube/@getv)
Dois recados diferentes para a sequência do campeonato
A vitória tem significado especial para o Bragantino. Depois de seis jogos sem vencer, a equipe precisava transformar boas sequências de jogo em resultado. Em casa, conseguiu isso com um ataque eficiente, presença nas bolas paradas e atenção às sobras. O fim da partida também mostrou que, mesmo depois de sofrer dois gols, o time não perdeu a oportunidade de atacar o espaço deixado pelo Cruzeiro.
Para a Raposa, o resultado exige uma leitura menos simples do que a tentativa de reação sugere. Zé Lucas foi um dos destaques da equipe, tanto pelo gol quanto pela presença no meio-campo, e Matheus Henrique contribuiu ao recolocar o time na disputa. Mas os três gols sofridos em meia hora expuseram falhas de posicionamento, dificuldade para defender a primeira trave e problemas para reagir às segundas bolas. A reação tardia não foi suficiente para compensar o custo de um começo tão ruim.
O 4 a 2 deixa uma conclusão clara: o Cruzeiro mostrou capacidade de competir mesmo em desvantagem, mas não pode depender de uma arrancada no fim para corrigir erros acumulados desde o início. O Bragantino, por sua vez, aproveitou a oportunidade com a contundência que lhe faltara nas rodadas anteriores. Em uma partida de altos e baixos, a diferença esteve em quem converteu melhor seus momentos — e o Massa Bruta fez isso cedo, antes de confirmar a vitória no último golpe.
