Atlético-MG sofre no Uruguai, mas garante vaga na final da Sul-Americana

Galo é derrotado por 2 a 0 no Centenário, vê vantagem construída na ida diminuir nos minutos finais e enfrentará o Boca Juniors na decisão continental

22 out, 2026
Diogo Guzmán, do City Torque, disputa a bola com Alan Franco, do Atlético-MG | Reprodução/X/@ShowsportCanal
Diogo Guzmán, do City Torque, disputa a bola com Alan Franco, do Atlético-MG | Reprodução/X/@ShowsportCanal

O Atlético-MG está novamente na final da Copa Sul-Americana. A classificação, porém, veio acompanhada de um alerta. Derrotado por 2 a 0 pelo Montevideo City Torque nesta quarta-feira (21), no Estádio Centenário, em Montevidéu, o Galo sofreu durante boa parte do confronto de volta da semifinal, mas confirmou a vaga graças à vitória por 3 a 0 na Arena MRV. No placar agregado, os mineiros avançaram por 3 a 2.

A equipe comandada por Eduardo Domínguez chegou ao Uruguai com uma vantagem confortável e a possibilidade de perder por até dois gols de diferença. Em campo, entretanto, encontrou um adversário disposto a transformar a desvantagem em uma classificação histórica. O Torque pressionou desde os primeiros minutos, acumulou oportunidades e terminou a partida com 31 finalizações, contra apenas quatro do Atlético.

O grande responsável por manter o time brasileiro em vantagem durante boa parte da noite foi o goleiro Gabriel Delfim. Com intervenções importantes, o arqueiro evitou que a pressão uruguaia produzisse efeitos mais cedo. O cenário, que parecia controlado pelo Galo, ganhou contornos dramáticos na reta final, quando Kevin Silva e Gary Kagelmacher marcaram e incendiaram os minutos derradeiros.

Gabriel Delfim segura a pressão uruguaia

Precisando reverter o resultado do primeiro jogo, o Montevideo City Torque assumiu a iniciativa desde o apito inicial. A equipe da casa explorou as jogadas pelos lados, buscou cruzamentos para a área e tentou aproveitar as segundas bolas para encurralar a defesa atleticana.

Aos 12 minutos, o Torque esteve perto de abrir o placar. Após cobrança de escanteio e desvio na primeira trave, Obregón finalizou em direção ao ângulo, mas Gabriel Delfim apareceu com uma defesa de alto nível. Na sequência, o goleiro voltou a trabalhar em uma tentativa de Silvera, mantendo o Atlético vivo em um início de jogo complicado.

A pressão continuou ao longo da primeira etapa. Aos 37 minutos, Pizzichillo aproveitou uma sobra dentro da área e finalizou com força, exigindo outra intervenção do arqueiro alvinegro. Com dificuldades para sair da marcação e encontrar espaços no campo ofensivo, o Galo passou a depender cada vez mais da consistência defensiva para preservar a vantagem construída em Belo Horizonte.

O Atlético teve poucas oportunidades para responder e não conseguiu impor o ritmo que havia apresentado na partida de ida. A diferença de postura entre as equipes ficou evidente: enquanto o Torque tratava cada posse como uma oportunidade de reduzir a desvantagem, os visitantes buscavam administrar o confronto sem oferecer espaços.

Reinier acerta a trave, mas Galo não consegue controlar o jogo

Na volta do intervalo, o roteiro permaneceu semelhante. O time uruguaio continuou em busca do gol, enquanto o Atlético tentava aproveitar os espaços deixados pelo adversário para aliviar a pressão.

A melhor oportunidade atleticana surgiu aos seis minutos do segundo tempo. Após uma construção pelo setor ofensivo, Reinier recebeu em boa condição e finalizou com força, acertando a trave. A chance poderia ter mudado a dinâmica da partida, mas o Galo não conseguiu transformar a oportunidade em um momento de maior controle.

O Torque seguiu insistindo e voltou a ameaçar. Em uma falha na saída de bola de Gabriel Delfim, Obregón interceptou o passe e tentou encobrir o goleiro. Lyanco, porém, apareceu sobre a linha e afastou o perigo, evitando um gol que poderia aumentar a tensão no confronto.

Com o passar dos minutos, o Atlético priorizou a proteção da área e tentou reduzir o ritmo da partida. A estratégia, entretanto, deixou a equipe cada vez mais distante do gol adversário e permitiu que os uruguaios acumulassem ataques.

A situação ficou ainda mais delicada aos 30 minutos da etapa final. Alan Franco recebeu o segundo cartão amarelo após atingir um adversário com o braço e foi expulso. Com um jogador a menos, o Galo perdeu capacidade de pressionar a saída de bola e precisou concentrar ainda mais esforços na defesa.

Dois gols no fim colocam a classificação em risco

A insistência do Montevideo City Torque foi recompensada aos 44 minutos do segundo tempo. Após cruzamento para a área, a defesa atleticana não conseguiu afastar a bola de maneira eficiente, e Kevin Silva apareceu para finalizar e diminuir a desvantagem no placar da partida.

O gol mudou o ambiente no Centenário. Empurrado pela possibilidade de buscar uma reação nos últimos instantes, o time uruguaio intensificou a pressão e encontrou novamente o caminho das redes nos acréscimos.

Aos 48 minutos, Gary Kagelmacher subiu mais alto que a defesa atleticana após cobrança de escanteio e cabeceou para marcar o segundo gol dos mandantes. A vantagem do Atlético no confronto caiu para apenas um gol, e a reta final passou a exigir atenção máxima dos brasileiros.

Apesar da pressão e do resultado adverso, o Torque não conseguiu marcar o terceiro gol, que levaria a decisão da vaga para os pênaltis. O apito final confirmou a classificação atleticana, construída sobretudo com a vantagem obtida na Arena MRV.

O resultado deixa uma avaliação dividida para o Galo. A equipe alcançou o objetivo esportivo e garantiu presença em mais uma decisão continental, mas a atuação em Montevidéu evidenciou dificuldades para controlar o jogo sob pressão, especialmente depois da expulsão de Alan Franco.


Atlético-MG e Boca Juniors vão disputar o título da Copa Sul-Americana (Foto: reprodução/Instagram/@sudamericana)


Atlético-MG reencontra o Boca Juniors na decisão

Com a classificação, o Atlético-MG disputará a final da Copa Sul-Americana contra o Boca Juniors, da Argentina, em 21 de novembro, em Barranquilla, na Colômbia. A equipe argentina garantiu sua vaga após eliminar o Vasco na semifinal.

A decisão representa mais uma oportunidade para o clube mineiro conquistar um título continental. O Atlético chega à terceira final internacional em três anos: foi vice-campeão da Libertadores em 2024, diante do Botafogo, e da Sul-Americana em 2025, contra o Lanús.

O desafio diante do Boca exigirá uma atuação mais consistente do que a apresentada no Uruguai. Além de corrigir os problemas defensivos e melhorar a saída sob pressão, o Galo precisará lidar com uma ausência importante: Alan Franco está suspenso para a decisão após a expulsão contra o Torque.

A classificação está garantida, mas a derrota deixa uma mensagem para a equipe de Eduardo Domínguez. Em uma final continental, administrar a vantagem pode ser tão importante quanto construí-la. Contra o Torque, o Atlético conseguiu avançar; diante do Boca, terá de transformar o sofrimento em aprendizado se quiser encerrar a campanha com a taça.

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