Argentina se prepara para adeus de Messi e peso da camisa 10 vazia

Com a iminente saída do craque Lionel Messi, a seleção da Argentina busca novas lideranças no elenco para iniciar o ciclo focado em 2030

06 out, 2026
Lionel Messi  | Reprodução/Instagran/@leomessi
Lionel Messi | Reprodução/Instagran/@leomessi
Reunida em Buenos Aires nesta terça-feira (6), a comissão técnica da Argentina ligou o alerta para o futuro da seleção nacional. Após anos de dependência do seu maior craque, o foco do atual ciclo de treinamentos mudou: o objetivo imediato é testar novos atletas em posições de comando para que o grupo não sofra um apagão técnico e tático assim que a transição oficial acontecer.

O dilema da camisa 10 e os novos herdeiros

A saída iminente do maior ídolo recente do país abriu um debate profundo nos bastidores da Associação de Futebol da Argentina (AFA). Deixar o lendário número 10 temporariamente sem dono virou uma possibilidade real na mesa da comissão técnica. A estratégia visa blindar as jovens promessas do país, evitando que a pesada cobrança de herdar o uniforme esmague imediatamente o desenvolvimento natural de novos talentos e interrompa ciclos promissores.

Lionel na sua última Copa deste ano (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Justin Setterfield)

Caso a comissão delibere passar o bastão sem intervalos, dois nomes de peso despontam como favoritos na nova geração. O meia Nico Paz chega credenciado por um ano mágico no futebol italiano pela Serie A, em que balançou as redes 13 vezes e faturou o prêmio de principal jovem da competição. Ao seu lado na disputa está Franco Mastantuono, outra joia muito cotada pela imprensa local para assumir o protagonismo do meio-campo e dar sequência à responsabilidade de criação no setor ofensivo.

A reconstrução tática e as baixas no vestiário

A mudança drástica atinge também os pilares que sustentaram o ciclo vitorioso mais recente do país. O volante Rodrigo De Paul, considerado por muito tempo solicite-chave nas relações do grupo campeão do mundo, ficou fora da convocação atual para os amistosos. Segundo o jornalista Alejandro Wall, a ausência do meio-campista mexe profundamente na estrutura interna do elenco, pois ele “foi o grande unificador do grupo e aí Scaloni vai ter que encontrar outro jogador”.
Nesse cenário de urgência por voz ativa em campo e reorganização de funções, o zagueiro Cuti Romero assume papel de destaque. O defensor herdou a braçadeira de capitão e se tornou o símbolo imediato dessa nova fase de liderança dentro das quatro linhas. A comissão técnica entende que a referência humana precisa ser reconstruída rapidamente para que os atletas mais jovens tenham em quem se apoiar nos momentos de maior pressão coletiva.

O novo modelo de jogo é o desafio de Scaloni

A era pós-Messi vai exigir uma transformação profunda de mentalidade tática na equipe. O jornalista Alejandro Wall aponta que o treinador vive hoje um momento de “voltar a começar“, muito parecido com o seu início em 2018, quando assumiu sob desconfiança e precisou formar uma nova geração. No entanto, o desafio atual é inverso: naquela ocasião, ele precisava construir uma nova seleção ao redor de Messi, e desta vez terá que ajudar a erguer uma Argentina totalmente sem ele, caso permaneça no cargo depois de dezembro.
Para mitigar o impacto dessa transição, a permanência de Scaloni é tratada como prioridade absoluta por quem acompanha os bastidores da seleção. O torcedor Emiliano reforça a necessidade de manter o comandante no cargo para liderar a juventude em direção a um futebol mais coletivo: “O ideal seria que Scaloni continuasse, porque conhece a dinâmica do grupo melhor do que ninguém. Imagino que será preciso pensar em uma equipe mais jovem e que aposte mais no jogo coletivo, porque não estará mais o GOAT, que mudava o jogo com sua magia“.

O fantasma do passado e a sombra de Maradona

Para os torcedores, esse cenário de incertezas evoca lembranças históricas dolorosas sobre o peso de substituir um gênio do futebol mundial. A Argentina já viveu um vácuo de liderança idêntico após a saída definitiva de Diego Maradona nos anos 1990. Naquela época, a busca por uma nova referência que vestisse o manto sagrado resultou em uma longa sequência de anos difíceis e um amargo jejum de grandes conquistas para o país.
A história mostra que camisas 10 talentosos como Riquelme e Verón assumiram o protagonismo, mas a seleção demorou décadas para reencontrar o equilíbrio ideal até o surgimento de Lionel Messi. Emiliano resume o sentimento de apreensão e esperança que toma conta das ruas de Buenos Aires neste início de ciclo: “Quando Maradona se aposentou, pensamos que nunca mais veríamos algo igual. Acho que virão anos difíceis, pensando em conquistar títulos, mas com a fé de que o sangue argentino poderá se reinventar para continuar competindo para ganhar“.

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