CBF troca comando da arbitragem e nomeia Sandro Meira Ricci
Rodrigo Cintra deixa a presidência da Comissão de Arbitragem após 16 meses; Sandro Meira Ricci, ex-árbitro da Copa de 2018, assume o posto
Samir Xaud, presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), anunciou nesta terça-feira (9) a demissão de Rodrigo Cintra da presidência da Comissão de Arbitragem e a nomeação do ex-árbitro Fifa Sandro Meira Ricci para o cargo, encerrando uma gestão de 16 meses marcada pela implantação da profissionalização da arbitragem brasileira, iniciada em 2026, mas também por críticas recorrentes a erros em campo e ao uso do VAR. Ricci, mineiro de Poços de Caldas, retorna ao país vindo dos Estados Unidos, onde exercia a função de gerente de árbitros na Professional Referee Organization (PRO), empresa responsável pela arbitragem da Major League Soccer (MLS).
Quem é Sandro Meira Ricci
Com mais de 15 anos de carreira nos gramados, Sandro Meira Ricci construiu um currículo robusto dentro e fora do Brasil. Árbitro do quadro da Fifa, participou de competições de alto nível, como Copa Libertadores, Copa América, Mundial de Clubes e Campeonato Brasileiro em todas as divisões. O ponto mais alto da trajetória foi a Copa do Mundo de 2018, na Rússia, após a qual encerrou a carreira de árbitro.
Aos 50 anos, ele chega à CBF com bagagem internacional e um desafio claro: recuperar a credibilidade de um setor que acumula desgaste junto a clubes, torcedores e imprensa. Nos últimos anos antes da nomeação, Ricci atuava nos Estados Unidos como gestor de árbitros na PRO, organização que gerencia a arbitragem da MLS, liga de futebol norte-americana. A experiência em gestão foi um dos fatores que pesaram na escolha da diretoria da CBF.
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Sandro Meira Ricci é o novo chefe de Arbitragem da CBF (Foto: reprodução/Instagram/@sportscenterbr)
Segundo comunicado oficial da entidade, a transição ocorrerá de forma gradual, sem impacto nas competições em andamento. O gerente técnico do VAR, Péricles Bassols, permanece no cargo durante o processo de mudança.
Contexto da demissão de Cintra
Rodrigo Cintra assumiu a presidência da Comissão de Arbitragem em fevereiro de 2025, indicado pelo então presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues. Durante sua gestão, liderou o processo de profissionalização dos árbitros brasileiros, modelo colocado em prática nesta temporada. Até a semana passada, mantinha agenda ativa na entidade: esteve na Granja Comary para ministrar palestra sobre as regras da Fifa ao grupo de Carlo Ancelotti, em preparação para a Copa do Mundo de 2026.
Apesar das iniciativas, a gestão Cintra não escapou de críticas. A arbitragem brasileira continuou no centro de polêmicas ao longo de 2025 e 2026, com erros que geraram prejuízos a diferentes clubes e alimentaram debates sobre a eficiência do VAR e a falta de uniformidade nos critérios adotados em campo. Em nota de despedida, a CBF reconheceu os avanços obtidos durante sua passagem e agradeceu pela dedicação e profissionalismo.
A saída de Cintra faz parte de uma reformulação mais ampla conduzida por Samir Xaud desde que assumiu a presidência da CBF, após a destituição de Ednaldo Rodrigues. Ele não deve ser o único a deixar a comissão: boa parte da equipe que chegou com ele também será desligada da entidade nos próximos dias.
Trocas frequentes na arbitragem
Ricci se torna o quarto nome à frente da arbitragem da CBF desde 2020, evidenciando a instabilidade histórica do setor. Coronel Marinho ocupou o posto entre 2016 e 2019. Leonardo Gaciba assumiu de 2019 a 2021. Wilson Seneme, ex-Conmebol, comandou o departamento de 2022 ao início de 2025. Cintra chegou em seguida e permaneceu até junho de 2026.
A rotatividade reflete a pressão constante que recai sobre a área no futebol brasileiro. Com um calendário extenso, disputas em múltiplas divisões e crescente escrutínio das decisões arbitrais pelas transmissões em tempo real, o cargo exige tanto habilidade técnica quanto capacidade de gestão de crises. A expectativa em torno de Ricci é que ele use a experiência internacional para promover ajustes nos protocolos internos e recuperar a confiança dos agentes do futebol nacional.
