Após apenas três meses à frente da equipe principal, Martín Anselmi encerrou sua passagem pelo Botafogo e ampliou a sequência de mudanças no comando técnico do clube desde a adoção do modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF). A saída foi definida em reunião realizada na manhã de domingo (22), colocando fim a um ciclo que durou exatamente 90 dias e reforçando a instabilidade no banco de reservas alvinegro.
Desde que a gestão passou a ser liderada pelo empresário John Textor, em 2022, o clube carioca acumula uma rotatividade elevada de treinadores. Ao todo, Anselmi se tornou o oitavo profissional a deixar o cargo nesse período. O cenário evidencia um padrão de curta permanência, com poucos técnicos conseguindo dar continuidade a projetos de médio ou longo prazo.
Alta rotatividade marca gestão da SAF
No histórico recente do Botafogo sob a SAF, apenas um comandante conseguiu ultrapassar a marca de um ano no cargo. O português Luís Castro permaneceu por 462 dias, entre março de 2022 e junho de 2023, sendo até agora o trabalho mais longevo da nova administração.
A média de duração dos treinadores no período é de aproximadamente 167 dias, pouco mais de cinco meses, o que reforça a dificuldade do clube em manter estabilidade técnica. Após a saída de Castro, nenhum outro profissional conseguiu se firmar por tempo significativo.
Nota oficial do Botafogo afirma falta de evolução esportiva (Foto: reprodução/Instagram/@botafogo)
A lista de treinadores inclui nomes como Bruno Lage, que ficou menos de três meses, e Lúcio Flávio, cuja passagem durou pouco mais de 40 dias. Outros profissionais, como Tiago Nunes, Artur Jorge, Renato Paiva e Davide Ancelotti, também tiveram ciclos relativamente curtos, ainda que alguns tenham permanecido por períodos um pouco maiores.
Desempenho e números de Anselmi
Durante sua curta trajetória, Anselmi comandou o Botafogo em 18 partidas oficiais. O desempenho foi irregular: foram sete vitórias, dois empates e nove derrotas. A equipe marcou 20 gols e sofreu a mesma quantidade, mantendo um equilíbrio que não foi suficiente para atender às expectativas da diretoria.
Com esses números, o treinador argentino registrou o terceiro trabalho mais breve da era SAF. Apenas Lúcio Flávio, com 42 dias, e Bruno Lage, com 88 dias, tiveram passagens ainda mais curtas.
Em comunicado oficial, o clube justificou a decisão, afirmando que não identificou a evolução esperada dentro de campo. A diretoria destacou a necessidade de mudanças para alinhar o desempenho esportivo às metas traçadas para a temporada.
Até a definição de um novo comandante, a equipe será dirigida de forma interina por Rodrigo Bellão, atual técnico do time sub-20. A escolha segue um padrão já adotado anteriormente pelo clube em momentos de transição, enquanto a diretoria busca uma alternativa definitiva para o cargo.