‘Michael’ supera ‘Bohemian Rhapsody’ e quebra recorde histórico de bilheteria
Longa faz história ao se tornar a cinebiografia musical de maior bilheteria, superando Bohemian Rhapsody com US$ 911,9 milhões arrecadados mundialmente
A história do cinema musical acaba de ser reescrita. O filme Michael (2026), cinebiografia que mergulha na trajetória complexa e fascinante de Michael Jackson, consolidou-se oficialmente como a cinebiografia musical de maior bilheteria de todos os tempos. Com números impressionantes que refletem o impacto cultural duradouro do “Rei do Pop”, a produção arrecadou US$ 911,9 milhões ao redor do mundo, superando o antigo detentor do posto, Bohemian Rhapsody (2018), que narrou a vida de Freddie Mercury e do Queen.
Dominância global e sucesso comercial
A Lionsgate, estúdio responsável pela obra, confirmou os dados que colocam Michael no topo do panteão das cinebiografias. Do valor total arrecadado, US$ 358 milhões foram gerados apenas no mercado dos Estados Unidos, enquanto outros US$ 553 milhões vieram de audiências internacionais. Esse resultado é ainda mais notável ao considerar que estes números não englobam a arrecadação deste último final de semana, o que significa que o montante final deverá ser ainda maior.
O recorde anterior, estabelecido pelo filme sobre o Queen, faturou cerca de US$ 910 milhões mundialmente durante toda a sua exibição nos cinemas, além de ter proporcionado a Rami Malek o Oscar de Melhor Ator pela sua interpretação icónica de Freddie Mercury.
Trailler de Michael (Vídeo: reprodução/YouTube/@universalpicturesbr)
Um sucesso cercado por controvérsias
O triunfo de Michael é, no mínimo, um fenómeno singular. A produção alcançou números estratosféricos nas bilheteiras a despeito das críticas mistas da imprensa especializada e de uma recepção pública marcada por debates intensos. O ponto nevrálgico dessas discussões residiu na decisão dos realizadores de não abordar as acusações de abuso sexual infantil que assombraram os anos finais da vida do cantor.
O caminho para o lançamento foi, conforme relatam os bastidores, extremamente turbulento. O espólio de Michael Jackson, principal entusiasta da produção, enfrentou desafios legais significativos, incluindo a proibição judicial de abordar alegações específicas de abuso sexual, como as feitas por Jordan Chandler. Esse cenário obrigou a equipa a refilmar boa parte do terceiro ato do longa, o que resultou num atraso de quase um ano no cronograma de estreia. Apesar dessas dificuldades, o resultado comercial provou ser uma vitória estratégica para o espólio.
Impacto no catálogo musical
Para além das telas, Michael provocou um reaquecimento massivo no interesse pelo catálogo musical do artista. Dados da Billboard indicam que o álbum Thriller retornou ao sétimo lugar da Billboard 200, registando um aumento avassalador de 146% em reproduções oficiais sob demanda nos Estados Unidos na semana de 24 a 30 de abril, totalizando 137,5 milhões de execuções. A febre também se estendeu ao trabalho com o Jackson 5, que acumulou 10,1 milhões de reproduções na mesma semana, um crescimento de 135%.
Produção e elenco de peso
Dirigido por Antoine Fuqua, conhecido por trabalhos como Sete Homens e um Destino (2016) e Emancipation (2022), o filme aposta numa narrativa que vai além da música. O roteiro, assinado por John Logan, veterano com indicações ao Óscar por Gladiador e O Aviador, procura traçar a jornada de Jackson desde a sua infância como líder do Jackson Five até à sua ascensão como um ícone global da cultura pop.
O elenco é liderado por Jaafar Jackson, que carrega a responsabilidade de encarnar a lenda. O time conta ainda com Juliano Valdi na pele de Michael durante a sua infância, além de performances de Nia Long e Colman Domingo, interpretando a mãe e o pai do artista, respectivamente. Nomes como Miles Teller, Kendrick Sampson e Laura Harrier completam a robusta lista de atores, conferindo peso dramático à biografia que, para o bem ou para o mal, já garantiu o seu lugar na história da indústria do entretenimento.
