George Clooney defende Mark Ruffalo e faz alertas sobre megafusão em Hollywood
Ator manifesta apoio à liberdade de expressão do colega no Festival de Veneza e expressa preocupação com onda de demissões no setor audiovisual
Nesta quarta-feira (2), o ator George Clooney defendeu publicamente o colega Mark Ruffalo durante uma coletiva de imprensa no Festival de Cinema de Veneza. Presente no evento para receber o Leão de Ouro honorário pelo conjunto de sua carreira, o astro manifestou apoio ao direito de manifestação de Ruffalo contra a proposta de aquisição da Warner Bros. Discovery pela Paramount, negócio avaliado em cerca de US$ 111 bilhões.
Preocupação com empregos e concentração de poder
Além de defender o direito de resposta e posicionamento do colega, Clooney demonstrou fortes preocupações quanto aos impactos econômicos e sociais da fusão das duas gigantes de mídia. Na avaliação do artista, a união de corporações desse porte costuma resultar em reestruturações financeiras severas e cortes de custos que afetam diretamente os trabalhadores da indústria.
Clooney reforça a defesa da liberdade de expressão na indústria do entretenimento, em um momento de crescentes tensões políticas e corporativas. “Eu apoio a capacidade de Mark Ruffalo de falar livremente”, declarou o ator durante a coletiva. “Não vamos banir a fala. Acredito na liberdade de expressão, mesmo quando discordo completamente dela. É assim que uma democracia funciona”, completou, destacando que o debate e a divergência são pilares do sistema democrático.
“Fico preocupado quando uma grande empresa engole outra. Sempre me preocupo quando grandes empresas estão se consolidando porque isso significa que muitas pessoas vão perder seus empregos”, afirmou o ator aos jornalistas em Veneza.
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George Clooney em Veneza defendendo Mark Ruffalo (Vídeo: Reprodução/Instagram/@variety)
Clooney também revelou dúvidas sobre a viabilidade financeira da transação. Segundo o artista, o modelo do negócio suscita incertezas devido ao tamanho impressionante das companhias e à forte concentração de produções de cinema, televisão e jornalismo sob a gestão de um único grupo corporativo. A negociação ocorre em meio a um período de rápida transformação em Hollywood, impulsionado pelo avanço do streaming e pela mudança nos modelos tradicionais de exibição nos cinemas. Se a compra for finalizada, o novo conglomerado reunirá algumas das marcas e propriedades intelectuais mais valiosas do mercado global.
Origem da controvérsia e apoio comunitário
A polêmica ao redor de Mark Ruffalo começou após o ator se transformar em uma das vozes mais ativas contra a aprovação da fusão. Em publicações nas redes sociais, o intérprete do personagem Hulk criticou os prováveis impactos do acordo e direcionou questionamentos à família Ellison, controladora da Paramount.
Nas declarações, Ruffalo citou a ligação entre a empresa de tecnologia Oracle, fundada por Larry Ellison, e o fornecimento de tecnologias ao exército de Israel, vinculando o cenário ao conflito com os palestinos. A direção da Paramount reagiu imediatamente às postagens e acusou Ruffalo de utilizar temas e estereótipos antissemitas, acusação rejeitada pelo ator.
A acusação contra Ruffalo gerou mobilização na comunidade cultural. Mais de 170 artistas, acadêmicos e personalidades judaicas assinaram uma carta aberta em apoio ao ator. No documento, os signatários alertaram para o perigo de utilizar acusações de antissemitismo para silenciar críticas legítimas ao governo israelense, às decisões corporativas e à excessiva concentração de poder na indústria do entretenimento. Durante o evento na Itália, Clooney elogiou o colega, classificando Ruffalo como uma boa pessoa e reiterando que continuará garantindo o direito de livre manifestação dentro da classe artística.
