Zema quebra o silêncio, anuncia de qual lado está no 2º turno e declara apoio a Flávio Bolsonaro
Ex-governador de Minas Gerais, derrotado no primeiro turno, justifica posicionamento com crítica ao PT e afirma que direita tem força no Congresso para pedir impeachment
O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), derrotado no primeiro turno com 326.488 votos, declarou nesta segunda-feira (5) apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro. Zema afirmou que votará contra o PT e justificou sua escolha com críticas ao governo Lula.
Zema ficou em sexto lugar na disputa à Presidência, com 0,27% dos votos válidos, segundo o Tribunal Superior Eleitoral. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula ficou com 45,15%. O resultado abre caminho para o segundo turno entre os dois candidatos.
“Eu não vou me omitir nem ficar em cima do muro nesse momento tão importante. Voto contra o PT. Voto no Flávio Bolsonaro. O Brasil não aguenta mais 4 anos de Lula, nem mais 4 ministros nomeados pelo Lula”.
Zema apoia Flávio Bolsonaro (Vídeo: reprodução/Facebook/Estadão)
Zema explicou sua decisão em termos de rejeição ao governo petista. Durante a campanha, o ex-governador resistira ao apelo por voto útil e manteve sua candidatura até o fim. Agora, com a derrota no primeiro turno, alinha-se a um dos dois candidatos que seguem na disputa.
Por que Zema escolheu Flávio
O ex-governador ressaltou a importância da votação nas urnas como termômetro político. “A mensagem que o brasileiro mandou nas urnas nesse último domingo (4) está muito clara. Precisamos tirar os intocáveis de Brasília. Com o avanço que a direita teve no Senado e na Câmara, ela já tem um número de parlamentares suficiente para poder pedir o impeachment”, afirmou Zema, segundo a G1.
O resultado das eleições legislativas mostrou ganho da direita em ambas as casas do Congresso. Essa força parlamentar, na avaliação de Zema, criaria condições para ações de maior impacto político caso Flávio vencesse o segundo turno.
Zema celebrou o desempenho de seu partido. O Novo elegeu dez deputados federais e três senadores, atingindo a cláusula de barreira, que garante acesso aos recursos do fundo eleitoral e tempo de televisão. “O trabalho que nós fizemos para que um partido pequeno avançasse deu resultado”, disse Zema.
Outros candidatos derrotados
Nem todos os candidatos derrotados no primeiro turno tomaram a mesma posição. Augusto Cury (Avante), que ficou em terceira posição, e Renan Santos (Missão), quarto colocado, afirmaram que não apoiariam nem Flávio nem Lula no segundo turno.
Ronaldo Caiado (União Brasil), que recebeu 2.605.148 votos e ficou em quinto lugar com 2,18% dos votos válidos, segundo o TSE, adotou postura diferente. No domingo (4), logo após o fechamento das urnas, Caiado afirmou que estaria contra o PT, sem citar nominalmente Flávio Bolsonaro. “Onde estiver PT no segundo turno, eu estarei contra o PT. Porque PT é atraso. PT já teve todas as chances de mostrar para o que veio e o que ele entregou é um país estagnado, um país repleto de corrupção”, disse Caiado, conforme reportado pela G1.
Flávio Bolsonaro busca formalizar o apoio de Caiado. Está prevista reunião entre os dois nesta terça-feira (6) em Goiânia. O encontro com o governador de Goiás pode sinalizar alinhamento mais explícito na reta final da campanha presidencial. O segundo turno ocorrerá em 25 de outubro.
