Wagner Moura desabafa sobre ataques por posicionamento político: “Eu vou morrer”

Em entrevista ao Conversa com Bial, gravada em Atenas, o ator refletiu sobre democracia, tolerância e a dificuldade de debater quando não há consenso sobre fatos

05 ago, 2026
Pedro Bial e Wagner Moura | Reprodução/Instagram/@wagnermoura_brasil
Pedro Bial e Wagner Moura | Reprodução/Instagram/@wagnermoura_brasil

Wagner Moura participou do programa Conversa com Bial, gravado em Atenas, na Grécia, onde desabafou sobre os ataques políticos que recebe nas redes sociais. O ator afirmou estar cansado de ser odiado, mas reafirmou que continuará expressando publicamente suas opiniões e defendeu a importância do diálogo com pessoas de direita.

Conhecido por papéis em produções como Tropa de Elite, Wagner Moura nasceu em Rodelas, na Bahia, em condição humilde. Políticas públicas de incentivo cultural em Salvador foram decisivas para seu início no teatro, assim como para outros artistas que saíram da região, como Vladimir Brichta e Lázaro Ramos.

Diálogo com a direita e democracia

Durante a entrevista, Wagner Moura expressou vontade de construir conversas com adeptos da direita, lamentando o cenário de forte divisão que domina a sociedade. O ator analisou o enfraquecimento das instituições democráticas e ressaltou que a tolerância é um pilar fundamental.

“A tolerância é um fator fundamental, um pilar da democracia. Você tem que ser tolerante”

Ele defendeu a convivência pacífica entre opiniões opostas e relacionou o tema à peça Um Julgamento, em que atua. Para o ator, o grande problema que impede o diálogo é a perda de consenso sobre verdade factual. No passado, divergências ideológicas aconteciam a partir de uma mesma realidade. Hoje, segundo ele, versões distintas da realidade ocupam o lugar das discussões baseadas em fatos.

Wagner Moura indagou o que acontece quando cada um tem sua própria versão dos acontecimentos. “Hoje, os fatos não importam mais. Não sei o que fazer. Se os fatos deixam de ser relevantes, deixam de existir, e passam a existir versões da realidade, se eu tenho a minha realidade e você tem a sua, e agora?”, questionou.


Wagner Moura participou do programa Conversa com Bial (Vídeo: reprodução/Instagram/@lorenamagazine)


Extremismo e enfraquecimento democrático

O ator relembrou pesquisas que fez para o cinema sobre extremismo e alertou para os perigos que representa ao país. De acordo com Wagner Moura, a polarização é a maior ameaça à democracia e está diretamente ligada ao descrédito nas instituições. Quando as pessoas deixam de confiar nos órgãos públicos, segundo sua análise, cresce o espaço para a ascensão de governos autoritários.

Essa reflexão, disse o ator, está presente também nas discussões propostas por Um Julgamento, peça que o preocupa especialmente. “A maior ameaça à democracia que esses caras inventaram aqui é a polarização”, afirmou.

Defesa contra críticas de incoerência

Wagner Moura respondeu com ironia aos ataques que recebe por defender justiça social após conquistar estabilidade financeira. Questionou a lógica por trás dessa crítica: “Quando eu estava lá em Rodelas e era pobre, aí eu poderia ser de esquerda, né? Parece que existe um portal pelo qual você passa. Queria saber qual é o teto, quanto você precisa ganhar para deixar de acreditar em justiça social”.

O ator também confrontou quem o critica por morar no exterior, rejeitando acusações de hipocrisia. “Eles falam: ‘Você é um hipócrita porque está aqui, em Atenas, tomando vinho com Pedro Bial e acredita que as pessoas que moram na favela merecem ser tratadas com decência’. Eu não entendo essa crítica”, respondeu.

Apesar do desgaste gerado pelos frequentes ataques nas redes sociais, Wagner Moura mantém sua posição. “Estou cansado de ser odiado por uma galera”, admitiu. Porém, reafirmou que a firmeza de suas convicções permanecerá inalterada. Para ele, o afeto é a melhor ferramenta para aproximar lados opostos: “No final, o que importa é o amor. É um clichê, mas é verdade”.

Concluindo a reflexão, o ator foi direto: “Eu vou morrer dizendo as coisas que acho. Posso estar errado, mas a minha natureza é dizer o que penso”. Lamentou que rivalidades pessoais tenham substituído debates legítimos sobre impostos e gastos públicos, temas que considera fundamentais para a saúde democrática.

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