Rodrigo Santoro celebra fase histórica do cinema brasileiro em meio ao Carnaval
O ator veterano ressaltou a trajetória do cinema brasileiro no Oscar, marcada por indicações históricas e reconhecimento oficial da Academia
Neste domingo (15), começou o desfile das escolas do grupo especial na Sapucaí do Rio de Janeiro. O ator Rodrigo Santoro e sua esposa, a atriz Mel Fronckowiak acompanharam,o desfile no camarote da revista Quem. Em entrevista concedida para o veículo durante o evento, o renomado avaliou o atual momento do cinema brasileiro e destacou o reconhecimento internacional alcançado por produções recentes.
Na ocasião, Santoro afirmou que o período é motivo de alegria e felicidade não apenas pela realização do Carnaval, mas também pela projeção da cultura nacional no exterior. Segundo ele, o cinema brasileiro atravessa uma fase de consolidação, marcada por maturidade artística e fortalecimento da identidade brasileira. Santoro ressaltou que a repercussão de obras como ‘Ainda Estou Aqui’ e ‘O Agente Secreto’ demonstra que o reconhecimento atual não é pontual, mas resultado de um processo contínuo de desenvolvimento do setor nacional de audiovisual.
Rodrigo Santoro destaca momento do cinema nacional
No bate-papo, o ex-ator da Globo mencionou a indicação de ‘O Agente Secreto’ à premiação do Oscar em 2026. O longa-metragem, sob direção de Kleber Mendonça Filho e protagonizado por Wagner Moura, e concorre em quatro disputas, entre elas a principal voltada ao cinema estrangeiro. Santoro declarou que acompanha a disputa com expectativa e afirmou que uma eventual nova vitória brasileira reforçaria a consistência da produção nacional no cenário global. Para ele, a possibilidade de um segundo reconhecimento consecutivo indicaria que o destaque obtido anteriormente não foi circunstancial, mas reflexo de um trabalho estruturado e amadurecido ao longo de todos esses anos.
‘O Agente Secreto’, dirigido por Mendonça Filho, fortalece sua trajetória internacional ao vencer o prêmio de Melhor Filme Internacional no Film Independent Spirit Awards, organizado pela Film Independent. Considerada um dos principais indicativos da temporada, a premiação costuma antecipar tendências observadas também no Globo de Ouro e no Oscar. Além da vitória, o longa soma quatro indicações ao Oscar 2026, Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Escalação de Elenco e Melhor Ator, com Wagner Moura, igualando o recorde anteriormente alcançado por ‘Cidade de Deus’, de Fernando Meirelles.
Brasil consolida espaço entre vencedores do Oscar
O Brasil nunca foi um estreante na história da Oscar. Ao longo das décadas, o país tropical acumulou indicações relevantes, embora muitas delas tenham ocorrido em contextos de coproduções internacionais, o que influenciou a forma como esses resultados foram oficialmente contabilizados. ‘O Beijo da Mulher-Aranha’, dirigido por Hector Babenco, por exemplo, foi indicado em quatro categorias na cerimônia de 1986 — Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator e Melhor Roteiro Adaptado. A produção venceu na categoria de Melhor Ator, com William Hurt, mas não conquistou o prêmio de Melhor Filme Internacional. Além disso, tratava-se de uma coprodução entre Brasil e Estados Unidos, o que a posiciona como um projeto internacional, e não exclusivamente brasileiro.
Sapucaí vibra com vitória do Brasil no Oscar 2025 (Vídeo: reprodução/YouTube/Terra Brasil)
Situação semelhante envolve ‘Orfeu Negro’, vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional em 1960. Embora tenha sido filmado no Brasil e inspirado em elementos da cultura brasileira, o longa foi inscrito oficialmente como produção francesa, por se tratar de uma coprodução entre França, Itália e Brasil. Por esse motivo, a estatueta não é contabilizada formalmente como uma vitória brasileira.
Esse panorama se altera com ‘Ainda Estou Aqui’, que conquistou o prêmio de Melhor Filme Internacional no ano passado, tornando-se a primeira produção oficialmente inscrita pelo Brasil a vencer nessa categoria. A vitória consolida o país entre os vencedores reconhecidos pela Academia e marca um novo capítulo na trajetória brasileira na principal premiação do cinema mundial.
