Sabrina Sato transforma avenida em manifesto ao surgir como “A Flor” na Gaviões
Rainha de Bateria leva simbologia ancestral ao Anhembi, incorpora elementos da floresta e reforça uma ligação construída ao longo de mais de duas décadas
Na madrugada deste domingo (15), o Sambódromo do Anhembi foi palco de um dos momentos mais aguardados do desfile da Gaviões da Fiel no Grupo Especial do Carnaval de São Paulo. À frente da bateria Batuqueiros da Floresta, Sabrina Sato, de 45 anos, revelou a fantasia que vinha mantendo em suspense e chamou atenção pela proposta estética ousada e carregada de significado.
Rainha de Bateria da escola, a apresentadora apostou em um figurino com grande exposição do corpo, é algo que já declarou apreciar na avenida. Mais do que a sensualidade característica do posto, o traje trouxe uma construção simbólica alinhada ao enredo da agremiação, que neste ano apresentou “Vozes Ancestrais para um Novo Amanhã”.
Duas décadas de história com a escola
Antes de cruzar o Anhembi, Sabrina relembrou a própria trajetória no samba. São 22 anos de ligação com a Gaviões e 15 anos de história com a Unidos de Vila Isabel, no Rio de Janeiro. Em publicação nas redes sociais, destacou que sua caminhada no Carnaval é marcada por aprendizados, erros, acertos e, sobretudo, acolhimento das comunidades.
A artista afirmou que carrega consigo a força das escolas que ajudaram a moldar sua identidade. Segundo ela, a preparação para a avenida começa muito antes do desfile oficial que envolve dedicação física, emocional e espiritual. Ao pisar no sambódromo, reforçou que não desfila apenas como celebridade, mas como parte ativa de uma coletividade que constrói o espetáculo.
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Sabrina Sato é a Rainha de Bateria da escola de samba Gaviões da Fiel (Foto: reprodução/Instagram/@sabrinasato)
“A Flor”: símbolo de resistência e memória
Batizada de “A Flor”, a fantasia colocou Sabrina como representação da floresta viva no coração da bateria. O figurino dialoga diretamente com a proposta do enredo, que mergulha no chamado “Tempo do Sonho”, evocando a criação da floresta, seus guardiões e a harmonia primordial entre humanidade e natureza.
Na legenda publicada em seu Instagram, a apresentadora explicou que encarnou a imagem da Protea, considerada uma das flores mais antigas do planeta. A escolha não foi aleatória: a planta simboliza resistência, capacidade de florescer mesmo após o fogo e renascimento diante das adversidades.
Sabrina associou essa força aos povos originários, lembrando que, apesar de invasões, silenciamentos e tentativas de apagamento histórico, seguem vivos e enraizados. Para ela, o desfile ultrapassa a estética carnavalesca e assume caráter de homenagem e posicionamento. “Hoje eu não visto só uma fantasia. Eu piso na avenida como quem carrega memória”, escreveu.
A narrativa proposta pela escola também ganhou reforço de outras musas que integraram o desfile, como Francine Carvalho, Erika Schneider e Aline Azevedo. Juntas, ajudaram a contar uma história que mistura ancestralidade, luta e preservação cultural.
Quarta escola a se apresentar na noite, a Gaviões levou ao Anhembi uma combinação de impacto visual, reflexão histórica e ritmo intenso. Sob o comando da bateria, Sabrina Sato transformou sua performance em um gesto que uniu espetáculo, identidade e reverência às raízes que inspiraram o enredo deste ano.
Matéria feita por Raquel Ciríaco (In.magazine)
