Priscilla reflete sobre o impacto de trabalhar na infância e admite: ‘Esqueci de viver’
Em entrevista ao Sem Censura, a cantora reflete sobre dinâmicas que a incomodavam ao lado de Yudi Tamashiro e como recuperou sua identidade na fase adulta
Priscilla revelou em entrevista ao programa Sem Censura, da TV Brasil que esqueceu de viver por trabalhar desde os oito anos como apresentadora do Bom Dia & Cia ao lado de Yudi Tamashiro. A cantora passou por terapia para lidar com os efeitos da carreira precoce e relata ter perdido sua identidade durante a jornada profissional, recuperando-a apenas na fase adulta.
“Eu cheguei a um período da minha vida em que, por estar trabalhando desde os oito anos, eu esqueci de viver”
Priscilla reconhece exposição
Priscilla reconhece que vivenciou as principais fases da vida na frente de todo mundo. Ela descreve o processo como marcado por desafios simultâneos: a infância, adolescência e aproximação da idade adulta ocorreram enquanto atuava profissionalmente. Apesar disso, a cantora aprendeu a separar o ônus do bônus dessa trajetória.
“Tem o ônus e bônus. Depois de muita terapia, fiquei só com o bônus. Mas é um grande desafio, principalmente para mim, que comecei criança e passei todo o processo da infância para a adolescência e da adolescência para a fase quase adulta. Eu vivi a principal fase de uma pessoa na frente de todo mundo”
Durante a infância, Priscilla chegou a um ponto de ruptura emocional. Ela percebia que seu trabalho havia se tornado sua própria identidade.
“Percebi que eu era o meu trabalho e que eu tinha perdido a minha identidade durante essa jornada, porque, desde a infância, não parei de trabalhar”
A escola funcionou como um refúgio durante esse período. Na instituição, Priscilla se sentia ela mesma. Seus amigos não tinham interesse em seu status de televisão; ofereciam-lhe estímulos de humanidade que faltavam em outros espaços. Esse ambiente permitiu que ela vivenciasse alguma normalidade infantil.
Sua relação com a exposição mudou conforme envelheceu. Na infância, achava legal ser o centro das atenções. Gostava de estar no palco e era parada no shopping. A adolescência trouxe complexidade: a agenda intensa de compromissos tirava sua paz. Na maturidade, começou a entender sobre limites e se tornou responsável por estabelecer o que seria saudável para ela mesma.
No programa ao lado de Yudi Tamashiro, Priscilla percebia dinâmicas que a afetavam. Havia momentos em que perguntas eram direcionadas primeiro a ele, uma evidência de que sua figura vinha na frente. Na época, Priscilla não entendia exatamente o que sentia naquele contexto. Hoje, ela deixa claro que considera Yudi um irmão e que ele não é responsável pelo sentimento que ela carregou.
📺 TV | Priscilla revela machismo na infância ao lado de Yudi: “Coadjuvante”
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— Metrópoles (@Metropoles) August 25, 2026
Priscilla (Vídeo: reprodução/X/@metropoles)
O programa The Masked Singer funcionou como ferramenta importante de reconexão. Participar da atração permitiu que Priscilla se reencontrasse com sua voz. A pandemia acelerou esse processo de reavaliação; ela passou a repensar muitas dinâmicas de sua vida.
Fase adulta
Na fase adulta, Priscilla encontrou estabilidade emocional e profissional ao lado de André Laudz, produtor musical e integrante do grupo Tropkillaz. Os dois se conheceram em estúdio, gravando sua primeira música juntos, e começaram a namorar duas semanas após se conhecerem. O relacionamento perdura há mais de três anos.
Junto com André, Priscilla lançou o álbum Eco. O projeto representa não apenas uma parceria profissional, mas também um marco pessoal: a consolidação de uma vida construída a partir do aprendizado terapêutico e da autodescoberta. Hoje, ela consegue enxergar mais o bônus daquela carreira precoce, consciente de que deixou de viver algumas fases, mas também grata pelas oportunidades que acumulou.
“O maior desafio foi tentar não perder a vida de vista enquanto tudo acontecia”, explicou Priscilla
