Mônica Martelli estreia no cinema ao lado de Ingrid Guimarães e fala sobre desejo na menopausa: ‘Comprando calcinha para usar com o namorado’
Amigas há 30 anos, as atrizes debatem menopausa, sexualidade, relacionamentos e maternidade em entrevista ao O Globo
Mônica Martelli, 58, e Ingrid Guimarães, 54, estreiam juntas no cinema em 3 de setembro no filme “Minha melhor amiga”, dirigido por Susana Garcia. Em entrevista ao O Globo, as amigas de três décadas falam abertamente sobre menopausa, sexualidade, relacionamentos e maternidade, refletindo sobre a vida após os 50 anos. A conversa durou duas horas, e foi necessário pedir que falassem uma de cada vez, segundo a publicação.
O filme retrata as duas atrizes interpretando personagens quase idênticas a elas mesmas. As personagens se chamam Júlia e Clara, em homenagem às filhas de Mônica e Ingrid, ambas com 16 anos. A trama mostra situações parecidas com as que postam de suas viagens nas redes sociais, refletindo a amizade consolidada entre elas.
O filme e a amizade
A conexão entre Mônica e Ingrid começou no programa “Chico Total” na década de 1990. Ambas fizeram parte do elenco da novela “Por amor” em 1997, onde trabalharam juntas. Ao longo dos anos, suas carreiras cresceram paralelamente, consolidando uma parceria que atravessou décadas.
Mônica transformou seus encontros e desencontros amorosos em um monólogo chamado “Os homens são de Marte… E é para lá que eu vou”, criado em 2005. O trabalho ficou mais de uma década em cartaz, virou série e filme, tornando-se um fenômeno de bilheteria. Ingrid, por sua vez, estourou na peça “Cócegas” ao lado de Heloísa Períssé em 2001, um sucesso que a consagrou no teatro.
A partir de 2010, Ingrid virou fenômeno de bilheteria com a franquia “De pernas pro ar”, consolidando-se como uma das atrizes mais requisitadas do país. Susana Garcia, diretora do novo filme e irmã de Mônica, respondeu com humor quando Ingrid perguntou se iam ensaiar em Portugal:
“Vocês estão ensaiando há 30 anos”, respondeu Susana Garcia.
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Mônica Martelli e Ingrid Guimarães estreinam novo filme no cinema (Vídeo: reprodução/Instagram/@hugogloss)
Menopausa e sexualidade
Mônica entrou na menopausa há oito anos. Sentiu todos os sintomas quando a fase chegou, incluindo ondas de calor intensas e alterações do sono. No início, não fez reposição hormonal porque a maioria dos médicos contraindicava o tratamento devido ao histórico de câncer de mama da mãe. Sofreu muito nos primeiros anos até que, três anos depois, pôde fazer reposição hormonal sob acompanhamento rigoroso.
A atriz desenvolveu truques práticos para lidar com as mudanças de temperatura. Usa decotes no frio e carrega echarpe para tirar e pôr conforme necessário. Evita golas altas para não piorar os sintomas e, para dormir, alterna deixar uma perna fora do edredom conforme a temperatura muda durante a noite.
Sobre a libido, Mônica teve sorte. Entrou na menopausa enquanto iniciava um relacionamento novo:
“Comprando calcinha para usar com o namorado novo”, resumiu Mônica sua situação de libido na menopausa.
Ingrid entrou na menopausa aos 48 anos. A atriz observa que a menopausa é pouco celebrada na sociedade, ao contrário de outras passagens da vida da mulher, que ganham reconhecimento e discussão pública. Apesar dos desafios, Ingrid encontrou um lado positivo: tinha pele oleosa na juventude e agora se besunta de hidratante, desfrutando de uma pele mais equilibrada.
Ingrid vai estrear uma peça em janeiro chamada “Ainda dá tempo”, que aborda o envelhecimento. Ao lado de Mônica, ela está entre as primeiras atrizes a falarem abertamente sobre menopausa, desmistificando um tema frequentemente silenciado.
Relacionamentos e desejo
Mônica namora Fernando Altério há sete anos e meio. A dinâmica do relacionamento contribui para manter o desejo ativo:
“Namoro o Fernando há sete anos e meio e só encontro com ele sexta e sábado. Então, minha possibilidade de manter o desejo é muito alta”, explicou Mônica.
Essa distância estratégica evita o desgaste do convívio diário. Mônica é a favor de sexo com hora marcada entre casais. Acredita que parceiros se distanciam gradualmente e marcam hora para tudo menos para encontrar o marido. Uma terapeuta de casal recomendou essa prática a ela, argumentando que a intencionalidade resgata a conexão.
Ingrid está casada há 22 anos com Renê Machado, artista plástico. Sua experiência é distinta:
“Estou casada há 22 anos. Já passei por todas as fases possíveis e diversas crises. Casamentos longos são verdadeiros desafios”, refletiu Ingrid.
O casal não tem rotina fixa porque Renê é artista plástico, e isso molda a dinâmica da relação. Ingrid já achou algumas vezes que o casamento tinha acabado, mas buscaram terapia de casal e se reconectaram. Nunca pensou em abrir o casamento nem marca hora para transar. Viaja todo ano com Mônica e as meninas, reforçando a parceria entre as amigas, e essa dinâmica contribui para manter o casamento vivo.
Maternidade e redes sociais
As filhas das atrizes fazem aniversário na mesma época e têm 16 anos. Mônica e Ingrid foram parceiras de maternidade, apoiando uma à outra nas diferentes fases.
Júlia, filha de Mônica, passou por uma fase em que só podia ser postada de costas nas redes. Depois das viagens das atrizes, a menina passou a curtir mais ser postada e, eventualmente, fizeram campanhas grandes com ela. Quando tinha uns 11 anos, Mônica disse a Julia:
Não confiar no Instagram da mamãe, porque a rede é apenas a edição do que quer mostrar para o mundo, não a realidade. Ingrid teve trajetória similar com Clara. Houve fase em que a filha não queria ser postada, depois um período em que gostava e Ingrid exagerou. Hoje, tudo é negociado entre mãe e filha.
Ingrid se arrepende de ter dado celular tão cedo para Clara, quando tinha 10 anos. Se existisse controle parental há cinco anos, teria utilizado. Mônica e Ingrid educam as duas filhas juntas, compartilhando responsabilidades e decisões sobre exposição nas redes.
Feminismo e educação das filhas
Mônica fez militância em casa para desconstruir o mito do homem salvador. Sua influência vem da mãe, uma feminista que moldou sua visão de mundo. Julia foi para o lado radical do feminismo, absorvendo esses valores desde cedo.
Ingrid bate na tecla de Clara ser uma pessoa independente e autossuficiente. A atriz observa o movimento de bullying entre meninas nas escolas e enfatiza a importância do acolhimento entre mulheres. Para ela, a educação das filhas passa por fortalecer a sororidade e questionar padrões impostos pela sociedade.
