Miss que perdeu coroa por gravidez está internada em estado grave, diz namorado
Organização aponta descumprimento contratual e diz que gestação não foi o único fator; Documentos indicam que modelo sabia da condição desde abril
A modelo Lara Marina Soares Tosta, Miss Brasil Supranational 2026, comunicou pela rede social na última quinta-feira (27) que havia perdido o título após anunciar sua gravidez. No dia seguinte, deu entrada em um hospital onde permanece internada em estado que seu namorado, Gustavo, descreve como crítico. O Concurso Nacional de Beleza (CNB) contesta a narrativa pública e nega que a gestação tenha sido o único motivo para a destituição, alegando descumprimento de obrigações contratuais.
O namorado foi procurado pelo UOL e relatou a situação com preocupação. “A situação é bem grave, a vida dela está em risco e a do nosso filho principalmente”, afirmou Gustavo, que indicou estresse como causa da internação sem fornecer mais detalhes sobre o quadro clínico.
Lara Marina conquistou a coroa em fevereiro em concurso realizado em Pernambuco. Em julho, viajou até a Polônia para representar o Brasil no Miss Supranational 2026, terminando em terceira colocação. Após retornar ao país em agosto, divulgou sua gestação, deflagando a crise que resultou na perda do título.
A posição do CNB
O Concurso Nacional de Beleza informou, conforme comunicado divulgado à imprensa, que ocorreu “descumprimento de obrigações contratuais consideradas incompatíveis com a manutenção do título”. A organização reafirma de forma categórica que a gravidez não foi, em nenhum momento, o motivo da perda do título. O CNB fundamenta sua decisão em documentação médica à qual teve acesso, apontando que em 22 de abril de 2026 Lara havia realizado ultrassonografia que detectava gestação de aproximadamente sete semanas.
O cronograma dos fatos, segundo a organização, revela uma lacuna entre o conhecimento prévio e a comunicação oficial. Lara embarcou para a Polônia em 13 de julho de 2026. Retornou ao Brasil em 3 de agosto e somente em 12 de agosto comunicou a gravidez ao CNB, enviando laudo médico que comprovava o exame de ultrassom realizado em 22 de abril. Até aquele momento, a organização não havia sido informada sobre a gestação.
A modelo se pronunciou por vídeo afirmando que descobriu a gravidez apenas em agosto, após regressar da competição internacional. Ela ressaltou que a maternidade não apaga sua trajetória nos concursos de beleza.
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Lara Marina (Vídeo: reprodução/Instagram/@larammarina)
Regra estabelecida
O CNB mantém regra prévia e aplicada indistintamente que veda a participação de candidatas grávidas nos períodos de preparação, representação e participação no concurso. A organização justifica a medida argumentando que cada gestação evolui de forma diferente e que a competição envolve viagens, deslocamentos, ensaios, compromissos oficiais e rotina intensa que podem representar riscos à saúde da candidata e do bebê.
A regra busca preservar também a isonomia entre as participantes e o planejamento da competição. O CNB deixa expresso que a norma não representa julgamento sobre a maternidade ou sobre decisões individuais das mulheres em relação à gestação.
Outros pontos de divergência
Além da questão temporal da gravidez, o CNB registrou descumprimentos contratuais adicionais. A organização apontou problemas relacionados a trajes típicos e vestimentas determinadas para compromissos oficiais. Em diferentes ocasiões, peças estabelecidas pela produção foram substituídas por outras escolhidas por iniciativa própria, sem comunicação ou autorização prévia.
Houve também registro de descumprimento da obrigação de manter contato regular com a produção. O contrato estabelecia a necessidade de comunicação contínua, vedando períodos superiores a 24 horas sem resposta. Em diferentes momentos, integrantes da equipe tentaram localizar a candidata sem obter retorno. Após permanecer dias incomunicável, Lara informou estar indisposta e atribuiu a condição a um quadro de dengue. Situações semelhantes ocorreram antes da viagem internacional.
Durante o concurso na Polônia, estava previsto o uso de biquíni, mas Lara entrou em cena com maiô. A justificativa apresentada foi dificuldade para evacuar. Naquele momento, a gravidez não foi comunicada à organização como razão para a alteração do traje. O CNB registra esse episódio para esclarecer que, mesmo diante de uma situação posteriormente relacionada à gestação, a informação não havia sido comunicada oficialmente.
Argumentos finais
O CNB reconhece que Lara participou do concurso internacional e obteve colocação. Porém, a participação e o resultado do evento não afastam a necessidade de cumprimento das obrigações assumidas perante a organização brasileira. Uma colocação no Miss Supranational, por si só, não significa que todas as obrigações contratuais tenham sido atendidas.
A organização enfatiza esse ponto porque a narrativa pública pode levar à interpretação de que o título foi retirado unicamente pela descoberta da gravidez, interpretação que não corresponde aos fatos e aos documentos que fundamentaram a decisão. O CNB reitera seu respeito à mulher, à maternidade e à trajetória de todas as candidatas, afirmando seu dever de preservar a isonomia entre as participantes e zelar pela segurança de todas.
