Miguel Falabella explica sobre privacidade e reflete sobre internamento recente
Em entrevista na televisão, artista aborda a paternidade mantida longe dos refletores, a preservação de relacionamentos, a luta contra boatos de saúde no passado e os planos profissionais após susto com pneumonia
O ator, diretor e dramaturgo Miguel Falabella detalha os motivos que o levaram a manter a vida pessoal longe dos holofotes ao longo de décadas de carreira. Durante participação no programa Roda Viva, na TV Cultura, o artista explicou a razão de revelar apenas recentemente que é pai de dois homens adultos e aborda a opção por não transformar a vida afetiva em espetáculo público.
Na entrevista, o ator de 69 anos também relembra episódios marcantes de desinformação sobre a saúde no passado e relata a reflexão que fez sobre a brevidade da vida após enfrentar uma pneumonia recente.
Paternidade e preservação da família
Ao ser questionado sobre a decisão de divulgar publicamente a paternidade somente no ano passado, Falabella afirma que buscou proteger a individualidade dos filhos, Theo e Cassiano. Os dois são filhos biológicos de uma amiga próxima do artista. Segundo ele, a exposição pública nunca pareceu justa com os jovens, que construíram as trajetórias de forma independente.
“Nunca expus porque achava que eu era uma pessoa pública e não eles. Graças a Deus, são dois homens incríveis”, afirma o artista, revelando também que já é avô. “Tenho um netinho”, conta ao mencionar a preocupação com o futuro do planeta.
A postura reservada em relação aos filhos reflete a mesma conduta que ele adota nos relacionamentos amorosos e na abordagem da própria orientação sexual. O diretor ressalta que sempre evitou se enquadrar em definições rígidas estabelecidas pelo público ou pela imprensa, mantendo a vida íntima preservada sem que isso significasse viver de forma reprimida.
Recusa a rótulos e blindagem do meio artístico
Para Falabella, a tentativa do público de categorizar personalidades conhecidas cria limitações profissionais e pessoais. Ele destaca que a escolha por não expor relacionamentos foi fundamental para construir uma trajetória sólida no teatro e na televisão brasileira.
“Não queria ser colocado em uma prateleira. Depois que te colocam, não sai mais… Nunca quis ter rótulos. Me blindei mesmo. Nunca transformei a vida em espetáculo. Até porque, na época em que vivemos com preconceito, talvez eu não tivesse feito metade do que eu fiz”, explica. Ele reforça que viveu de forma livre, mas que sempre priorizou a carreira profissional no debate público: “Eu nunca tive nenhum problema com a minha vida. Eu nunca levantei bandeiras, mas eu sempre vivi muito à vontade. Não acho que a minha vida seja, acho que o meu trabalho é muito mais interessante do que a minha vida”.
QUEM É O POVO BRASILEIRO PARA MIGUEL FALABELLA?
O ator e dramaturgo Miguel Falabella esteve no #RodaViva em junho e falou sobre como sua experiência de vida o ajudou a compor seus personagens.#TVCultura #SomosCultura #MiguelFalabella pic.twitter.com/B67bdjfnEA
— Roda Viva (@rodaviva) August 25, 2026
Falabella falou sobre sua carreira e seus personagens (Vídeo: reprodução/X/@rodaviva)
Apesar da postura discreta, o ator demonstra surpresa com a reação dos seguidores quando compartilha pequenos vislumbres do cotidiano, como ocorreu recentemente ao publicar uma foto do parceiro Alexandre Altoé no Instagram. “Nunca me interessei pela vida de ninguém, nunca permiti que se interessassem pela minha. Agora botei uma foto do Alexandre no Instagram e foi um desespero. O que é isso, gente? Que desespero é esse?”, questiona.
Impacto de boatos falsos na carreira
Durante o programa, o dramaturgo relembra o período em que foi vítima de graves fake news relacionando o nome dele a diagnósticos de saúde falsos.
Na década de 1980 e 1990, boatos maliciosos apontavam falsamente que ele, a atriz Claudia Raia e outros artistas estariam infectados pelo vírus HIV. A disseminação dessas mentiras causou prejuízos emocionais e profissionais em um momento em que a desinformação e o preconceito eram intensos.
“Falaram que eu, Claudia Raia e alguns artistas tínhamos. Foi horrível. Lembro que fui fazer espetáculo em Londrina e saiu no jornal que eu tinha morrido no Hospital das Clínicas em São Paulo. Aí me falaram: ‘Não tem nenhum ingresso vendido’… No Natal, entrei em uma loja e ela foi se esvaziando… Foi cruel”, relata o ator sobre as consequências do estigma e da desinformação.
Pneumonia recente e reflexão sobre o futuro
Aos 69 anos, Miguel Falabella passou por um susto recente de saúde que o levou a repensar a rotina e a definir prioridades para os próximos anos. Três semanas antes da gravação do programa, o diretor enfrentou uma pneumonia silenciosa enquanto estava no Rio de Janeiro.
Sem perceber a gravidade inicial dos sintomas, ele se deitou para descansar e acordou bastante debilitado. Sozinho na residência, pediu um transporte por aplicativo e foi por conta própria até um hospital. Ao chegar na unidade de saúde, os médicos identificaram a infecção pulmonar e determinaram a internação imediata.
“Eu tive uma pneumonia três semanas atrás. Foi uma pneumonia silenciosa; de repente, me deitei e acordei muito mal. Estava sozinho no Rio, peguei um Uber, fui ao hospital. O cara já viu que eu estava com pneumonia, me internaram e eu pedi algo para dormir. Apaguei. Acordei no meio da noite com a sensação de paz tão grande… Mas pensei: ‘Tem tanta gente de quem quero me despedir e abraçar. Não quero ir hoje’. Não tive medo. Foi uma experiência tão estranha”, descreve.
Novos projetos e resgate de memórias
A experiência da internação trouxe clareza sobre os caminhos que deseja trilhar daqui para frente. O artista afirma que o episódio serviu para organizar vontades e canalizar a energia criativa para projetos pessoais que envolvam afeto e memória.
Entre os planos principais está a escrita de uma obra literária dedicada a homenagear figuras femininas marcantes que cruzaram a trajetória pessoal e profissional dele ao longo das últimas décadas.
“A ideia me deu o desejo de priorizar. Quero fazer as coisas que eu quero fazer, quero escrever um livro sobre essas grandes mulheres que passaram na minha vida… Sou eu lembrando dessas grandes mulheres que eu tive em meus braços. Já tenho até nome: ‘Eu as tive em meus braços'”, conclui o diretor, indicando que o foco atual está em realizar projetos com significado pessoal.
