Mick Jagger, aos 82, diz que envelhecer “não tem lado bom”
Vocalista dos Rolling Stones falou ao New York Times sobre as dificuldades da idade e revelou como preserva a normalidade apesar da fama mundial
Mick Jagger falou de forma sincera sobre o envelhecimento durante entrevista ao The Interview, do The New York Times, publicada em 11 de julho. Aos 82 anos, o vocalista dos Rolling Stones afirmou que não vê aspectos positivos na passagem do tempo e contestou a ideia de que a idade traz mais sabedoria.
Durante a conversa, o cantor também abordou os impactos da fama em sua rotina, as limitações físicas impostas pela idade e a experiência de utilizar inteligência artificial em um dos videoclipes mais recentes da banda.
Mick Jagger critica ideia de que envelhecer traz sabedoria
Questionado sobre a experiência de envelhecer, Jagger respondeu sem rodeios e disse que não enxerga benefícios nessa fase da vida.
“Não há nada de bom nisso. Nada. Você não adquire sabedoria. Você esquece tudo. Esqueci toda a minha sabedoria”, afirmou.
O cantor explicou que, embora possa ter acumulado conhecimentos ao longo da vida, sente que parte dessas experiências acaba se perdendo com o passar dos anos. Além disso, destacou que as limitações físicas tornam algumas atividades mais difíceis.
“Não é particularmente agradável e, claro, você não consegue fazer as coisas tão rápido quanto gostaria, e fisicamente não consegue fazer coisas que gostaria de fazer. Você ainda pode fazê-las, mas precisa ter mais cuidado”, declarou.
Apesar das dificuldades, o artista ressaltou que continua ativo, adaptando seu ritmo e adotando mais cautela para manter a rotina e seguir se apresentando.
Jagger também comentou como a fama influencia sua percepção do envelhecimento. Segundo ele, viver sob constante atenção do público torna a experiência diferente da maioria das pessoas, razão pela qual procura realizar atividades simples do cotidiano sempre que possível para preservar uma sensação de normalidade.
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Vocalista Mick Jagger (Foto: reprodução/Instagram/@mickjagger)
Rolling Stones apostaram em inteligência artificial em novo videoclipe
Durante a entrevista, Mick Jagger também falou sobre o uso de inteligência artificial no videoclipe da música “In the Stars”, projeto desenvolvido ao lado de Keith Richards.
A produção utilizou tecnologia de deepfake para recriar versões mais jovens dos dois músicos, mas o vocalista fez questão de esclarecer que apenas os rostos foram alterados digitalmente.
“Nos divertimos muito com isso. Só os rostos dos músicos são diferentes. Eles não são pessoas falsas em uma sala falsa; eles estão todos em uma sala, tocando juntos de verdade”, explicou.
Segundo Jagger, a banda participou normalmente das gravações, mantendo a performance musical original, enquanto a inteligência artificial foi utilizada apenas como recurso visual.
Keith Richards também comentou a experiência e brincou que gostaria de manter atualmente a aparência exibida no videoclipe. Para o guitarrista, o uso da tecnologia foi um experimento interessante, especialmente por se tratar de uma produção audiovisual.
A entrevista mostra um Mick Jagger disposto a refletir sobre temas que vão além da música. Entre críticas ao envelhecimento e curiosidade pelas novas tecnologias, o líder dos Rolling Stones demonstrou que continua acompanhando as transformações do tempo, mesmo sem esconder sua visão pouco otimista sobre os efeitos da idade.
