Leticia Colin conta como será a mocinha de 2026 e revela mensagem de Glória Pires
Aatriz revela mensagem da veterana durante gravações de “Todas as Flores” e discute como o reconhecimento legitimou suas escolhas dramatúrgicas e seu novo trabalho em Jogada de risco
Leticia Colin recordou em entrevista ao videocast Conversa vai, conversa vem o impacto de uma mensagem recebida de Glória Pires enquanto gravava “Todas as Flores”. O elogio da atriz veterana, que é referência histórica para o papel de mocinha na teledramaturgia, chegou num momento em que Colin ainda duvidava de suas próprias escolhas artísticas.
“Gosto muito do seu estilo”.
O texto disparou uma série de questionamentos na atriz. Ela nunca havia escutado uma validação tão direta de alguém que ela admirava profundamente. Naquela época, interpretava Vanessa na novela e passava por um processo de autoconhecimento dramatúrgico que não conseguia nomear com segurança.
“Eu tenho um estilo? Assim, eu posso ter um estilo?”, pensou Leticia Colin ao receber a mensagem. O reconhecimento a chocou pelo que representava: uma confirmação de algo que ela intuía fazer, mas cujas consequências ainda não havia abraçado completamente. Glória Pires, na verdade, legitimava uma direção estética que Colin vinha construindo sem total certeza.
A Confiança nas Intuições
Desde então, Colin passou a acreditar mais nas próprias decisões dentro dos trabalhos. O aval de uma artista que marcou gerações funcionou como espelho e comprovação simultâneos. Ela começou a se afirmar numa linguagem própria, diferente dos estereótipos que historicamente envolvem o arquétipo da mocinha em produções televisivas.
Hoje, Colin integra o elenco de Quem ama cuida no papel de Adriana. A mocinha contemporânea que ela constrói pouco se assemelha àquela que Glória Pires vivenciava décadas atrás. O estereótipo evoluiu: a personagem sente raiva, assume posicionamentos políticos, falha de forma consequente. Ela deseja o que é bom para si, mas também se importa com o coletivo.
“Mas eu prefiro o exagero à mesmice”.
Colin defende um pacto com o erro como ferramenta dramatúrgica, não como fracasso. Ela acredita que ninguém erra do jeito que ela própria erra, e isso virou marca de seu trabalho. O reconhecimento de Glória Pires ajudou a sustentar essa postura com maior segurança.
“É uma honra fazer parte dessa trajetória que se reinventa. O pau está comendo lá fora, a mocinha não pode pensar e agir da mesma maneira que em 1980”.
Leticia Colin conta como será a mocinha de 2026 e revela mensagem de Glória Pires (Vídeo: reprodução/YouTube/@@jornaloglobo)
Personagens Sem Rótulos
Essa busca por papéis complexos a conduziu a Jogada de risco, série do Globoplay dirigida por Bruno Safadi onde vive Rita, uma mulher que se afasta da mocinha tradicional. O personagem está repleto de contradições e conflitos internos que exigem máxima intensidade na construção.
A atriz procura envolver o espectador de múltiplas possibilidades ao trabalhar um papel. A série aborda desejo e sexualidade de forma direta, sem moralismo. Para Colin, isso requer maturidade tanto sua quanto do público que consome a produção. Cenas de nudez aparecem na trama, e ela não teme ser questionada por sua exposição corporal.
Ela nega qualquer hierarquia entre corpo e emoção, entre seio e lágrima. Ambos representam lugar de entrega integral. Colin coloca tudo na mesma bandeja dramatúrgica, sem distinções. Quando atua uma cena sensível, não diferencia o instrumento emocional do instrumento físico.
Para Colin, a ficção reconstrói imaginário. O mundo sofreu bombardeio pornográfico, cabendo à narrativa mostrar o ser humano sem performar para câmeras de exploração. Uma cena de Rita com prazer retrata uma mulher livre vivendo seu desejo, não uma mulher sendo desejada. Essa diferença marca a abordagem dela com corpo e emoção, uma construção dramatúrgica integral que oferece ao público sem divisões.
