Bienal do Livro: Kéfera lança nova obra e afirma: ‘Quis me levar a sério como autora de ficção’
Influenciadora explora universo de fantasia sombria com história de vingança, bruxas e romance entre duas mulheres na Bienal do Livro de São Paulo
Kéfera lança ‘Vestida de Medo’, seu primeiro livro de fantasia sombria, na Bienal Internacional do Livro de São Paulo 2026, nos dias 7 e 8 de setembro. A influenciadora, que já vendeu mais de 700 mil livros, apresenta uma história centrada em vingança, amor proibido e bruxas com duas personagens femininas como protagonistas.
Trajetória literária
A carreira de Kéfera na literatura começou com autobiografias. Ela publicou ‘Muito Mais que 5inco Minutos’ em 2015 e ‘Tá Gravando. E Agora?’ em 2016, consolidou-se como autora. Depois veio ‘Querido Dane-se’ em 2017, sua primeira incursão pela ficção. Agora, aos 11,5 milhões de seguidores no Instagram, ela retorna ao gênero com uma proposta diferente.
Segundo a influenciadora, em entrevista a Revista Quem, a vontade de voltar a escrever ficção veio acompanhada de um desafio pessoal. “Queria muito voltar a escrever ficção, mas dessa vez me desafiar a criar algo completamente diferente do que eu já tinha feito”, afirmou. “Sempre fui muito atraída por histórias mais sombrias, suspense, thriller psicológico, fantasia, e percebi que nunca tinha explorado esse meu lado na literatura.”
Processo criativo
‘Vestida de Medo’ nasceu da vontade de construir um universo do zero, com regras próprias, mistérios, embates, desejo e medo. Kéfera comenta que seu processo de escrita evoluiu a cada livro. “Mudei muito desde meus primeiros livros, que foram escritos por uma Kéfera muito mais jovem. Hoje tenho mais repertório, mais experiências e mais paciência com o processo criativo”, reflete.
O livro começou a ser escrito em 2024 e passou por releituras constantes. “Estou escrevendo esse livro desde 2024, então tive que reler várias vezes para não me perder em nenhum detalhe”, conta. A autora enfatiza que essa foi a oportunidade de escrever o tipo de história que ela gostaria de encontrar numa livraria.
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Kéfera (Vídeo: reprodução/Instagram/@kefera)
Ao abordar sua seriedade como autora de ficção desta vez, Kéfera não poupa detalhes sobre a abordagem: “Quis me levar a sério como autora de ficção. Não queria simplesmente contar uma história, queria construir personagens com contradições, plantar pistas, criar regras para aquele universo e fazer com que as escolhas tivessem consequências.”
O desafio técnico, porém, foi significativo. “O maior desafio foi perceber que, quando você inventa um universo, você também precisa obedecer a ele e conectar uma coisa à outra”, explica. Conectar elementos, lidar com complexidades e universos distintos foram pontos de fricção durante o desenvolvimento.
Equilibrar construção de mundo, ritmo, romance e mistério sem entregar respostas antes da hora também exigiu dedicação. Kéfera precisou entender as regras do mundo fictício que criou, identificar o que era possível e o que não era, e compreender as crenças do povo e a origem do medo das bruxas dentro dessa realidade inventada.
A história
A trama gira em torno de Seraphine Wanderville, uma caçadora de bruxas que encontra Elyra, a centésima mulher que deveria matar. Nesse encontro, Seraphine se vê diante de um sentimento que a faz questionar tudo aquilo que defendeu até então. O livro, publicado pela Galera Record com ilustrações de Luiza Pape, cria essa tensão entre dever e desejo.
A própria Kéfera encontra conexão pessoal com Seraphine. “Questionar as verdades absolutas ao meu redor é algo que sempre fiz em vários momentos da minha vida”, comenta. Ela aponta experiências com carreira, imagem construída pelas pessoas, autovisão e expectativas alheias como pontos que a aproximam da personagem.
Representação
Sobre o romance entre mulheres na trama, Kéfera critica a forma como o mercado editorial categoriza essas histórias. Ela não concorda que narrativas sáficas sejam tratadas como um gênero separado. “Romance entre duas mulheres não precisa ser algo separado. Seraphine e Elyra simplesmente se apaixonam dentro da história”, afirma, em entrevista a Revista Quem. Para a autora, o ideal é encontrar romances sáficos que não coloquem a sexualidade como um problema a ser resolvido.
‘Vestida de Medo’ reacendeu em Kéfera a vontade de explorar mais ficção. Ela pretende continuar com histórias adultas, sombrias e com personagens moralmente ambíguos. “Já existem outras ideias sendo desenvolvidas. Uma delas vai para um lugar completamente diferente da fantasia”, adianta, sem detalhar as futuras narrativas.
Além disso, Kéfera segue focada na atuação e quer se desafiar com personagens diferentes. “Estou em uma fase de querer surpreender as pessoas, mas principalmente quero me surpreender com as coisas que consigo criar”, conclui.
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Kéfera (Vídeo: reprodução/Instagram/@kefera)
Na Bienal do Livro, a influenciadora marcará presença nos dias 7 e 8 de setembro com três sessões de autógrafos. Ela também participará das mesas ‘Kéfera se veste de medo’ e ‘Romantasia brasileira’.
Kéfera cultiva um hábito de leitura que traduz sua relação com as histórias. À noite, com um abajur amarelo, apoiada no braço do sofá com uma mantinha quente e acompanhada de suas cachorrinhas e gatinha preta, ela consegue deixar o celular de lado e entrar completamente na narrativa. É do tipo que negocia horas de sono em prol de mais um capítulo, porque, para ela, a leitura significa sair de sua própria cabeça para habitar os pensamentos de outra pessoa.
