John Cusack, ator de produções renomadas, revela motivo de afastamento de Hollywood

Aos 60 anos, ator de ‘Alta Fidelidade’ trocou os estúdios pela liberdade criativa de uma graphic novel escrita com o ilustrador Ignacio Noé

27 jul, 2026
John Cusack | Reprodução/Instagram/@johncusack
John Cusack | Reprodução/Instagram/@johncusack

John Cusack, aos 60 anos, se afastou de Hollywood nos últimos anos. O ator explicou o motivo em entrevista recente à revista Variety durante a San Diego Comic-Con. Cusack tem no currículo filmes celebrados como ‘Tiros na Broadway’, ‘Con Air’, ‘Quero Ser John Malkovich’ e ‘Alta Fidelidade’.

O afastamento ocorreu porque Cusack buscava contar histórias sem interferência de executivos de estúdio. Essa busca o levou a escrever a graphic novel ‘Momo’, ilustrada por Ignacio Noé. Para o ator, o formato é o caminho mais direto para a liberdade criativa que o cinema não oferece mais. “Sempre achei que as graphic novels eram as coisas mais próximas do cinema. Você escolhe os enquadramentos, elas são muito cinematográficas.”

O problema, segundo Cusack, reside na própria mecânica de investimento no cinema. Quando um estúdio precisa alocar grandes quantias em um filme, o comportamento muda. “Quando você pede para alguém investir US$ 20 milhões ou US$ 30 milhões em um filme, essa pessoa quer dar opinião, fica com medo e tudo mais.”

Essa dinâmica sufoca a criatividade. A graphic novel, porém, ofereceu uma saída. Cusack escreveu ‘Momo’ e encontrou em Ignacio Noé um parceiro à altura. O trabalho foi realizado apenas por duas pessoas, sem edição externa ou interferência de terceiros. “É realmente uma obra feita por apenas duas pessoas. Foi apenas a minha história e a do Ignacio, e isso não acontece hoje em dia. Não tem enrolação, não tem comitê.”

Cusack reforçou a ausência de filtros comerciais no projeto. Nenhum teste de audiência, nenhuma deliberação corporativa. Apenas criação pura entre o roteirista e o ilustrador.

Afastamento gradual

Nos últimos cinco anos, Cusack fez apenas cinco papéis em obras sem muita repercussão. Entre eles estão ‘A Névoa da Guerra’ (2025), ‘Detetive Chinatown: O Mistério de 1900’ (2025), ‘Jie Mi’ (2024), ‘Perseguição’ (2022) e a série ‘Utopia’. O contraste com sua carreira anterior é evidente.

Em evento no final do ano passado, Cusack foi direto: “A maioria dos filmes é um lixo.” A frase resume sua frustração com o estado atual do cinema comercial. Apesar disso, o ator reconheceu uma exceção que o intrigaria revisitar.


John Cusack nas filmagens de “Alta fidelidade” (Foto: reprodução/Getty Images/Getty Images Embed)


Cusack nunca teve desejo de fazer sequências de seus filmes. Porém, admitiu que ‘1408’ seria interessante retomar nos dias de hoje. O filme de 2007, inspirado em conto de Stephen King, o colocou no papel de investigador de eventos sobrenaturais. A ideia de explorar novamente esse território criativo, mas com a liberdade que não tinha então, o atrai.

Para Cusack, a escolha pela graphic novel representa mais do que um projeto. É a materialização de uma filosofia criativa: contar histórias sem negociar com investidores ou comitês. A ‘Momo’, conforme explicou na entrevista, ele e Noé criaram sem que ninguém tocasse no que foi escrito ou desenhado.

“Foi simplesmente assim: eu escrevi a história e pensei: ‘Gosto dessa história’. Depois encontrei esse artista lindo e maravilhoso, Ignacio Noé, para fazer as ilustrações. Então ninguém editou nada do que eu escrevi nem do que ele desenhou.”

O caminho escolhido por Cusack sinaliza onde ele encontrou aquilo que Hollywood não mais lhe oferecia.

Mais notícias