Bruno Gagliasso participa de apresentação de filme sobre a Ditadura Militar
Ator de 44 anos interpreta preso político em produção que mistura documentário e ficção, com depoimentos de familiares e companheiros de militância
Bruno Gagliasso compareceu ao lançamento do filme “Honestino” no Cine Belas Artes, em São Paulo, nesta quarta-feira (5). O ator, de 44 anos, interpreta o preso político Honestino Guimarães na produção da Pandora Filmes, líder estudantil que foi sequestrado em 1973 e nunca mais foi visto. O longa mistura documentário e ficção para recontar sua trajetória.
Filme resgata história de Honestino Guimarães
Honestino Guimarães foi presidente da UNE e aluno da UnB, símbolo da geração de 68. Preso pela quinta vez em 1973, aos 26 anos, nunca mais apareceu. O Estado brasileiro reconheceu oficialmente sua morte, mas o corpo jamais foi encontrado.
O filme reconstitui a história por meio de cartas, poemas e imagens de arquivo. Depoimentos de familiares, amigos e companheiros de militância tecem o relato, estruturado entre documentário e ficção para dar conta da complexidade da vida de Honestino e do período em que viveu.
Entre os depoentes estão Almino Afonso, Jorge Bodanzky, Franklin Martins e Betty Almeida, biógrafa do líder estudantil. A direção é de Aurélio Michiles, amigo pessoal de Honestino, que trabalhou para honrar a memória do companheiro através da arte.
A história de Honestino tornou-se símbolo da luta pela memória, verdade e justiça em relação aos crimes da ditadura militar. Sua trajetória resume as esperanças e tragédias de uma geração que enfrentou a repressão política com ideais de transformação social.
Campanha marca locais de repressão política
O filme estreia no Festival do Rio entre 2 e 12 de outubro. Gagliasso também aderiu à campanha Liberte o Grito dos Muros: Memória é um Compromisso com o Futuro, criada pela vereadora Maíra do MST (PT-RJ), que busca marcar lugares onde houve repressão política, torturas e assassinatos durante a ditadura.
Segundo o diretor Aurélio Michiles, trazer a história de Honestino à luz é responder os desafios de agora. Para o cineasta, a arte tem capacidade de parecer coincidência, mas na verdade somos mobilizados pela atmosfera em que estamos imersos. No dia 10 de outubro, completam-se 52 anos do sequestro de Honestino Guimarães.


