Gluteoplastia híbrida: Dr. Rogério Morale explica técnica que combina prótese e enxerto de gordura nos glúteos
Cirurgião plástico explica como combina dois recursos em um planejamento que considera as proporções e as características de cada paciente
A busca por um contorno corporal mais harmônico vai além do aumento dos glúteos. Volume, projeção e proporção precisam ser considerados em conjunto para que o resultado respeite as características de cada corpo. Com essa proposta, o cirurgião plástico Dr. Rogério Morale desenvolveu sua técnica autoral de gluteoplastia híbrida, que associa a prótese de silicone ao enxerto de gordura do próprio paciente.
A ideia surgiu da experiência do médico com a cirurgia plástica e da percepção de que a prótese, embora seja utilizada para proporcionar volume e projeção, não consegue trabalhar todas as regiões ao redor dos glúteos da mesma maneira. A gordura entra como um recurso complementar, permitindo atuar no contorno e buscar um acabamento mais harmônico.
“Percebi que nem sempre um único recurso consegue entregar todo o resultado que buscamos. Ao associar a prótese à gordura do próprio paciente, conseguimos trabalhar esses detalhes e alcançar um acabamento mais refinado”, comenta Morale.
Como funciona a técnica híbrida?
Na técnica desenvolvida pelo cirurgião, a prótese de silicone e a gordura têm funções diferentes. Enquanto o implante contribui principalmente para o volume e a projeção dos glúteos, a gordura pode ser utilizada para complementar o contorno e suavizar as transições entre essa região e as áreas próximas.
Para explicar a proposta, Morale faz uma comparação simples: “A prótese é como um quadro, e a gordura funciona como a moldura. O quadro proporciona a estrutura principal, mas a moldura ajuda a valorizar o conjunto e dar acabamento”, aponta o médico.
Na prática, essa associação permite planejar a cirurgia de forma mais ampla, considerando não apenas o tamanho dos glúteos, mas também a silhueta como um todo. Na escolha da prótese, o médico relata utilizar modelos redondos, com planejamento que considera a anatomia e a acomodação do implante.
A técnica, porém, não significa que todas as pacientes precisem dos dois recursos. A indicação depende de uma avaliação individualizada, que leva em conta a quantidade de gordura disponível, a qualidade dos tecidos, as condições de saúde e as expectativas em relação ao resultado.
A busca por resultados mais naturais
Os números ajudam a dimensionar o interesse por procedimentos nessa região do corpo. De acordo com a pesquisa global de 2024 da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS), foram realizadas aproximadamente 644,8 mil cirurgias de aumento dos glúteos no mundo naquele ano. O levantamento considera diferentes abordagens e não representa exclusivamente a técnica híbrida. O total foi 21,5% menor que o registrado em 2023, mas 62,8% superior ao de 2020.
Para Morale, esses procedimentos exigem uma avaliação que vá além da escolha de uma prótese maior. A anatomia, as proporções corporais e as características dos tecidos influenciam o planejamento e ajudam a definir quais recursos podem ser utilizados.
“Precisamos avaliar o corpo como um todo, e não apenas o volume dos glúteos. A proporção corporal, a anatomia, a qualidade dos tecidos e as expectativas individuais são fundamentais para definir a estratégia cirúrgica”, afirma.
A proposta da gluteoplastia híbrida é justamente considerar esses diferentes aspectos. A associação entre prótese e gordura amplia as possibilidades de trabalho sobre o contorno, mas o resultado depende da indicação correta, da execução técnica e das características de cada paciente.

Dr. Rogério Morale (Foto: reprodução/Divulgação)
Segurança também faz parte do planejamento de Morale
Outro ponto importante da técnica é o cuidado durante a aplicação da gordura. Morale explica que utiliza orientação por ultrassom durante o enxerto, recurso que permite acompanhar a posição da cânula em tempo real e visualizar as estruturas anatômicas.
Um estudo publicado em 2025 no Aesthetic Surgery Journal analisou quatro pesquisas, com 6.235 pacientes, sobre o uso do ultrassom durante o enxerto de gordura nos glúteos. Os estudos não registraram mortes ou casos de embolia gordurosa, mas identificaram outras complicações. Os resultados reforçam a importância do ultrassom para acompanhar a aplicação da gordura, embora o recurso não elimine todos os riscos da cirurgia.
A segurança também depende de outros fatores, como avaliação clínica, exames pré-operatórios, ambiente cirúrgico adequado e acompanhamento durante a recuperação. Por isso, a indicação deve ser feita por um cirurgião plástico qualificado, após uma conversa sobre os benefícios, as limitações e as possíveis complicações.
Uma técnica que respeita as características de cada corpo
Embora a gluteoplastia híbrida ofereça uma alternativa para quem deseja trabalhar o volume e o contorno dos glúteos, ela não é indicada para todos os casos. A quantidade de gordura disponível para enxertia, as condições clínicas e a anatomia são alguns dos fatores que precisam ser considerados antes da decisão.
Para o Dr. Rogério Morale, o mais importante é entender o que cada paciente precisa e escolher os recursos de acordo com essa avaliação. A proposta não é simplesmente aumentar os glúteos, mas buscar um resultado proporcional e compatível com as características individuais.
“Uma boa cirurgia vai muito além de escolher uma prótese maior. Precisamos avaliar o conjunto, entender as necessidades de cada corpo e escolher os recursos que realmente podem contribuir para o resultado desejado”, orienta.
Com essa tecnica, o cirurgião propõe uma abordagem que combina volume e acabamento em um mesmo planejamento. A avaliação individualizada e a atenção à segurança permanecem essenciais para definir se essa associação é adequada e quais resultados podem ser realisticamente esperados.
