Macron critica declarações sobre protestos violentos na França
Distúrbios durante protestos deixam centenas de pessoas sob custódia policial; autoridades investigam os acontecimentos e preparam novas medidas
O presidente da França, Emmanuel Macron, criticou, nesta quarta-feira (21), as declarações de líderes estrangeiros sobre a onda de protestos e violência que atingiu o país europeu. Ao citar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, o francês classificou os comentários como “inaceitáveis e estúpidos” e acusou políticos de se aproveitarem da situação para obter vantagens próprias.
Macron também denunciou o compartilhamento de informações falsas sobre os distúrbios, registrados durante manifestações contra o aumento do custo de vida e as dificuldades enfrentadas pelos estudantes.
Críticas geram reação
Durante uma coletiva de imprensa realizada em Mumbai, na Índia, o presidente francês afirmou que não há provas de envolvimento estrangeiro nos acontecimentos que provocaram os confrontos. No entanto, destacou que informações manipuladas foram divulgadas posteriormente, ampliando as interpretações distorcidas sobre a situação no país.
Macron também respondeu às declarações de Trump, que utilizou os episódios de violência como argumento político antes das eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, previstas para 3 de novembro. Na última segunda-feira (19), o presidente americano afirmou que a França estaria sendo dominada por migrantes, jihadistas e comunistas. Além disso, sugeriu que os Estados Unidos poderiam enfrentar um cenário semelhante caso os democratas vencessem a votação.
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Macron repudia protestos na França (Foto: reprodução/Instagram/@cnnpolitica)
O líder francês também criticou a repercussão de falas que relacionavam os ataques a uma suposta invasão de migrantes e grupos islamistas, argumentando que discursos dessa magnitude contribuem para o aumento de desinformação e prejuízos para a imagem internacional do país.
Netanyahu também foi alvo de críticas após dizer a França era um refúgio do “islamismo extremista”. Macron acredita que declarações desse tipo revelam como autoridades políticas podem usar acontecimentos internacionais para favorecer seus interesses próprios.
Protestos pressionam governo francês
A crise se intensificou no último sábado (17), quando manifestações em diferentes regiões da França foram acompanhadas por atos de vandalismo, incêndios e saques. As mobilizações fazem parte de um movimento iniciado em setembro, que ganhou força em meio à insatisfação com o custo de vida e às reivindicações por melhores condições para estudantes do ensino médio.
Dados divulgados pelas autoridades indicam que entre 550 mil e 800 mil pessoas participaram dos atos no sábado. Embora a maioria das manifestações estivesse relacionada a demandas sociais, grupos envolvidos em ações violentas provocaram danos a estabelecimentos comerciais e prédios públicos.
O governo francês atribuiu os confrontos a grupos de extrema esquerda e a criminosos que teriam se infiltrado nas mobilizações para cometer furtos. Em Paris, 557 pessoas foram mantidas sob custódia, das quais 300 já haviam comparecido perante um magistrado até a noite de terça-feira (20). A promotora da capital, Laure Beccuau, informou que nenhum desses casos apresentava motivação política.
Diante da possibilidade de novas manifestações, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu anunciou o reforço do efetivo policial. Macron também agendou uma reunião com integrantes dos serviços de inteligência, ministros e o chefe de governo para analisar os acontecimentos e avaliar a atuação das autoridades.
Representantes sindicais defendem que a resposta do governo não se limite ao aumento da repressão. A líder da Confederação Geral do Trabalho (CGT), Sophie Binet, afirmou que as reivindicações sociais precisam ser enfrentadas por meio de ações políticas concretas. Enquanto isso, o governo francês também enfrenta dificuldades fiscais e busca reduzir o déficit público em meio ao crescente descontentamento da população.
