Gilmar Mendes pode suspender julgamento de Moraes no caso Master
Decano do STF afirma que medida é necessária até que os nomes de todos os magistrados que possuam ligação com o Banco Master sejam revelados
Nesta segunda-feira (28), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, realizou um ajuste no voto da questão de ordem que discute a possibilidade de abrir uma investigação contra o também ministro da Corte, Alexandre de Moraes. Gilmar defende a necessidade de se identificar todos os magistrados que tiveram algum vínculo com o Banco Master.
O decano da Suprema Corte ainda fez críticas ao ministro André Mendonça ao afirmar que houve tratamento desigual sobre as informações que foram coletadas durante as investigações.
Questão de ordem
O ministro Gilmar Mendes apresentou uma questão de ordem no início desta semana por conta de uma possível investigação de Alexandre de Moraes e sua relação com o ex-proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro. Uma questão de ordem é um instrumento formal usado para interromper uma sessão ou julgamento e questionar se as regras de procedimento ou as leis estão sendo respeitadas.
O decano do STF entende que não somente Moraes, como todos os demais magistrados, tanto de tribunais superiores quanto aqueles que foram citados, que possam estar ligados ao empresário e ao banco, devem ser incluídos nessa investigação, justificando assim a sua defesa pela suspensão do julgamento de Moraes.
Os ministros do STF André Mendonça, à esquerda, e Alexandre de Moraes, à direita (Foto: reprodução/AFP/Evaristo SA/Getty Images Embed)
Críticas a Mendonça
Gilmar ainda promoveu críticas à condução dos inquéritos do caso Master dada pelo ministro André Mendonça. Para Mendes, ao concentrar as investigações apenas sobre a relação de Moraes com Daniel Vorcaro, Mendonça agiu com parcialidade e “inequívoco viés político-eleitoral”, uma vez que a relação do banqueiro com outros ministros não teve a mesma prioridade para o relator do caso.
O decano do STF defende a identificação de todos os magistrados que possuam relação com o caso Master; uma tramitação conjunta do pedido de investigação contra Alexandre de Moraes e a acusação do próprio Moraes sobre uma possível parcialidade de Mendonça nas investigações do caso. Gilmar ainda defende que o presidente da Corte, Edson Fachin, deva redistribuir os processos que hoje estão sob sua relatoria.
