EUA e China iniciam negociações sobre comércio e IA

Representantes de China e EUA se reuniram neste domingo em Nova York; inteligência artificial deve estar no centro da reunião entre os presidentes

21 set, 2026
Os dois países tratam negociações antes de encontro entre Trump e Xi Jinping | Reprodução/Instagram/@ thestatesmanltd
Os dois países tratam negociações antes de encontro entre Trump e Xi Jinping | Reprodução/Instagram/@ thestatesmanltd

Autoridades dos EUA e da China discutiram comércio e inteligência artificial (IA) durante uma rodada de negociações realizada neste domingo (20), em Nova York. Segundo o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, os países também avançaram na proposta de criar um mecanismo permanente de diálogo sobre IA.

As conversas reuniram Bessent, o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, e o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng. O encontro ocorreu antes da reunião entre o presidente americano, Donald Trump, e o presidente chinês, Xi Jinping, marcada para quinta-feira (24), em Washington.

Negociações preparam encontro entre Trump e Xi

As discussões têm como objetivo preparar possíveis acordos entre as duas maiores economias do mundo. Entre os temas estão comércio, inteligência artificial e questões relacionadas à segurança internacional.

Estados Unidos e China consideram o avanço tecnológico estratégico para a competitividade econômica e militar. Os dois países, porém, mantêm divergências sobre o setor.

Entre os principais pontos de atrito estão as restrições americanas ao acesso chinês a chips avançados, as acusações de cópia e transferência de tecnologia e as diferenças sobre a regulamentação da inteligência artificial.

Washington tem limitado o acesso da China a semicondutores de ponta e outras tecnologias consideradas estratégicas. Pequim critica as medidas e acusa os Estados Unidos de tentar conter seu desenvolvimento tecnológico.

EUA e China discutem mecanismo para IA

Após as reuniões, realizadas nos escritórios do JPMorgan Chase em Nova York, Bessent afirmou que os países discutiram a criação de um mecanismo chamado “diálogo EUA-China sobre IA”.

A proposta prevê que Washington e Pequim mantenham conversas sobre os objetivos relacionados ao desenvolvimento da tecnologia e sobre possíveis ameaças associadas à inteligência artificial.

Segundo Bessent, o mecanismo também poderia estabelecer um sistema de notificação para situações em que uma questão envolvendo IA atingisse o nível de segurança nacional.

“Acreditamos que, assim como ocorre com qualquer atividade transfronteiriça, passar da falta de transparência para uma maior transparência entre as duas maiores potências de IA do mundo é muito importante”, afirmou.

Estados Unidos e China disputam a liderança no desenvolvimento da inteligência artificial em meio ao aumento das discussões sobre a regulamentação do setor. Entre as preocupações estão o uso da tecnologia em ataques cibernéticos, operações militares e sistemas de vigilância.


 Secretário do Tesouro dos EUA Scott Bessent (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Kena Betancur)


Washington aponta riscos relacionados à tecnologia chinesa

Empresas americanas de inteligência artificial divulgaram recentemente relatórios segundo os quais seus modelos conseguiram violar ou contornar ambientes de testes isolados. Autoridades dos Estados Unidos também avaliam que a IA pode ampliar as capacidades de hackers chineses, além de aplicações militares e sistemas de vigilância.

Em um relatório divulgado neste mês, o governo Trump acusou empresas chinesas de obter, de forma “agressiva, maliciosa e direcionada”, funções e capacidades proprietárias de modelos americanos de IA.

A questão deve fazer parte das discussões entre Trump e Xi durante o encontro desta quinta-feira (24).

Negociações comerciais avançam

Além da inteligência artificial, Bessent e Greer afirmaram que também discutiram comércio com representantes chineses. Segundo autoridades americanas, os dois países avançam na criação de um novo Conselho de Comércio.

A proposta foi apresentada neste ano com o objetivo de ampliar o comércio de bens considerados não sensíveis entre Estados Unidos e China.

A lista poderia incluir bens de consumo e produtos de baixa tecnologia fabricados na China. Do lado americano, estariam produtos agrícolas e de energia e, potencialmente, dispositivos médicos, segundo Greer.

O representante comercial dos Estados Unidos afirmou que as autoridades dos dois países continuam trabalhando para identificar uma quantidade suficiente de produtos que possam ser “comercializados de maneira equilibrada” e criar uma espécie de base para o relacionamento comercial.

Estados Unidos e China concordaram com uma trégua comercial de um ano em outubro do ano passado, após meses de disputas envolvendo tarifas e controles de exportação. O conflito gerou impactos sobre as relações comerciais entre as duas maiores economias do mundo e aumentou as preocupações sobre seus efeitos na economia global.

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