Maria Grazia Chiuri leva sua visão de moda e arte para construir futuro da Fendi

Em entrevista primeira entrevista ao Brasil, estilista fala sobre identidade, representação e os caminhos de sua nova fase à frente da maison italiana

24 ago, 2026
Maria Grazia Chiuri | Reprodução/Instagram/@britishvogue
Maria Grazia Chiuri | Reprodução/Instagram/@britishvogue

Em entrevista à Vogue Brasil, Maria Grazia Chiuri fala sobre identidade e o novo capítulo da sua carreira na maison, que iniciou no mundo da moda aos 24 anos. Desde o retorno da estilista à Fendi em outubro de 2025 como diretora criativa, a italiana procura equilibrar os códigos da marca com o estilo adquirido ao longo de anos de experiência, enquanto sente que nunca deixou Roma.

Na primeira entrevista concedida ao Brasil, a estilista italiana reflete sobre como a moda é uma ferramenta importante para a expressão e representação de um indivíduo. Para a designer, vestir-se ultrapassa a escolha de uma roupa: trata-se do desejo de construir o próprio imaginário. “A moda fala da nossa natureza de querer se representar”, afirma à publicação.

A relação de Chiuri com a Roma/Fendi

Antes do desfile de estreia de Maria Grazia Chiuri na alta-costura da Fendi, a revista Vogue Brasil entrevistou a designer. Durante a conversa, Chiuri revelou que sente como se nunca tivesse deixado Roma, apesar do tempo que passou fora. Isso também reflete como a capital italiana é repleta de contradições, camadas e histórias. Para a estilista, essas complexidades permitem que as pessoas possam ser livres para viver, enquanto a “sensação de que tudo já foi feito e que tudo pode ser visto por vários pontos de vista” fica no ar, como as obras de arte espalhadas pela cidade.


 

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Maria Grazia Chiuri no desfile de alta-costura da Fendi (Foto: reprodução/Instagram/@fendi)


Em outubro de 2025, como diretora criativa da Fendi, Chiuri iniciou uma trajetória de retorno às próprias origens. Aos 24 anos, a estilista ingressou na maison, onde trabalhou durante uma década ao lado de Anna, Paola, Franca, Carla e Alda Fendi, em um ambiente que costuma descrever como uma verdadeira irmandade. “Trabalhar ao lado delas me trouxe uma visão global da marca. Ainda que cada uma tivesse um papel específico, em um setor específico, trabalhávamos todos juntos”, explica. Ao trabalhar como designer de acessórios da marca, Maria Grazia também participou do processo de criação da icônica bolsa Baguette.

Para Chiuri, a experiência na maison romana também foi fundamental para compreender que, apesar da percepção de que um diretor criativo pode transformar tudo sozinho, a estrutura de uma empresa é muito mais complexa. Foi na Fendi que a estilista aprendeu a importância de falar no plural.

Segundo Chiuri, as irmãs Fendi eram mulheres pragmáticas e rigorosas, mas também capazes de fazer escolhas inovadoras. Entre elas, estava a decisão de apostar em um jovem designer ainda pouco conhecido. Foi assim que, aos 18 anos, Karl Lagerfeld chegou à marca e iniciou o que duraria 54 anos. A designer italiana ainda explica que, em sua visão, Lagerfeld tinha como referência Marlene Dietrich — “uma mulher andrógina e consciente de si”, mas, ao mesmo tempo, as senhoras Fendi o encontraram “no início da revolução sexual, quando se respirava uma ideia de liberdade do corpo”, cenário que contribuiu para moldar a estética e a identidade que o designer desenvolveria na maison.

Retorno e coleção de alta-costura

O retorno de Maria Grazia à maison reflete muito sobre o diálogo com quem usa a peça, em um mundo hiperconectado em que os desfiles começaram a ser espetáculos de entretenimento e os detalhes da construção das roupas passam despercebidos. Toda a equipe precisa pensar em formas de tornar o desfile atrativo e visível para quem o assiste em uma tela. Chiuri destaca que é “fundamental ter uma visão clara sobre roupa e a técnica”. A estilista quer focar na mensagem “Less I, more us”, em tradução livre: “Menos eu, mais nós”, da sua coleção de Outono/Inverno no desfile de estreia.


 

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Desfile de alta-costura Outono/Inverno 2026 (Vídeo: reprodução/Instagram/@fendi)


No desfile de estreia de Chiuri da alta-costura da Fendi, a diretora criativa fez uma homenagem a Karl Lagerfeld, como ponto de partida para uma exposição de 1985 na Galleria Nazionale d’Arte Moderna e Contemporanea, na noite do desfile. Entre criações, croquis originais e entrevistas com o designer alemão, a estilista apresentou uma coleção pautada nas cores preta e branca. Ela trouxe vestidos fluidos de chiffon, casacos inspirados em quimonos e outras modelagens de peças reais que acompanham o corpo da mulher moderna, em couro, pele, renda, tule, veludo e cashmere.

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