Gabriela Duarte critica abordagem da entrevista com Regina Duarte: “constrangimento”
Atriz publicou vídeo no Instagram argumentando que a conversa deveria ter enfatizado o retorno artístico das duas aos palcos após duas décadas, não questões políticas
Gabriela Duarte divulgou neste domingo (23) um vídeo no Instagram abordando a repercussão da entrevista que concedeu junto com a mãe, Regina Duarte, à Folha de S. Paulo. Na publicação, a atriz questionou a condução da conversa e o rumo que a cobertura tomou nas redes sociais, afastando-se do tema central que deveria protagonizar a matéria.
A entrevista saiu na capa do caderno de cultura do jornal. O encontro marca um momento especial: com Regina Duarte próxima aos 80 anos e depois de mais de seis décadas de trajetória, as duas retornam aos palcos juntas pela primeira vez em mais de 20 anos. Trecho da conversa viralizou na internet ao longo do fim de semana.
Gabriela reconheceu que perguntas incômodas fazem parte do ofício jornalístico, mas apontou um problema na execução. Segundo ela, existe uma linha tênue entre questionar e pressionar: “Claro que nós sabíamos que outras questões poderiam surgir. Um jornalista pode e deve fazer perguntas difíceis, ainda que a abordagem tenha sido bastante deselegante nesse caso, mas tem uma diferença entre perguntar e insistir até provocar uma reação”.
Na perspectiva da atriz, o incômodo tornou-se mais relevante que a própria resposta, e a cobertura pareceu focada em extrair uma frase de impacto ou manchete provocadora. O propósito original se desviou do anunciado.
Crítica ao panorama jornalístico atual
Gabriela ampliou sua reflexão para questionar o estado do jornalismo contemporâneo. De acordo com declarações à revista Contigo!, ela evidenciou a insistência em política dentro de um espaço dedicado à cultura, identificando uma contradição nas prioridades da mídia: “Quando o desconforto se torna mais importante que a resposta, e a busca parece ser por uma frase, um corte, uma manchete, aí eu acho que vale a pena perguntar: O que tá acontecendo com o jornalismo?”
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Gabriela Duarte se manifesta após entrevista (Vídeo: reprodução/Instagram/@gabidu)
A análise de Gabriela aprofundou-se em como o formato e a busca por engajamento podem comprometer a qualidade da conversação. Ela apontou um dilema estrutural da comunicação moderna: “Se o clique vale mais que o contexto, se a repercussão vale mais que a escuta, e o conflito mais que a história, aí a gente está diante de um problema muito maior que uma simples entrevista”.
Embora reconheça o direito à crítica jornalística severa, Gabriela questionou a transformação do constrangimento em produto. Afirmou que a profissão não carece de defesa contra críticas, mas de distanciamento do sensacionalismo e que deve ser valorizada quando exerce bem suas funções essenciais.
O projeto artístico em foco
Apesar da controvérsia em torno da entrevista, Gabriela permanece centrada no projeto que a reuniu com a mãe: “Depois de mais de 20 anos sem atuarmos juntas, eu e a minha mãe estamos voltando aos palcos”, ressaltou. O retorno às apresentações constitui um marco profissional para ambas, resgatar a dupla mãe e filha em cena. Era precisamente este o assunto que deveria ter dominado a cobertura publicada pela Folha de S. Paulo.
