Cauã Reymond revela depressão no auge de Avenida Brasil: “Não me sentia preenchido”
Em entrevista ao Charla Podcast, o ator expõe infância marcada por tragédias familiares e explica como terapia o ajudou a processar suas conquistas
Cauã Reymond revelou no Charla Podcast que enfrentou depressão no auge do sucesso de Avenida Brasil (2012), apesar de carreira consolidada, casamento feliz e filha recém-nascida. O ator participou de uma conversa sobre saúde mental com Marcelo Adnet e descreveu o período como marcado por vazio interno, explicando que terapia foi decisiva para aceitar suas conquistas.
O ator e produtor da série Jogada de Risco no Globoplay abordou o tema de forma direta durante a entrevista. Cauã afirmou que talvez nunca tivesse falado tão abertamente sobre esse período específico de sua vida. A conversa tocou em pontos sensíveis de sua história pessoal e profissional, conectando o vazio emocional ao contexto familiar que o formou.
O relato pessoal
Cauã descreveu o momento em que tudo parecia estar no lugar certo, mas internamente havia um vazio profundo. Procurar ajuda psicológica foi determinante para ele compreender o que estava acontecendo naquele momento. O ator reconheceu que a terapia o permitiu nomear e processar a depressão que vivia silenciosamente enquanto colhia os frutos do sucesso profissional.
“Após Avenida Brasil eu acho que vivi uma pequena depressão. Eu sou um cara que acordo cedo, surfo, [e] não me imobilizou. Mas naquele momento eu vivi um momento de muito sucesso, eu vivi um casamento com uma pessoa especial, minha filha tinha nascido, tudo estava certo na minha vida, e eu não me sentia preenchido.”
A importância de sentar em um consultório e reconhecer suas próprias conquistas marcou um ponto de virada. Cauã explicou que foi fundamental falar em voz alta sobre o que havia alcançado. De acordo com o ator, a sensação de ter conquistado tudo o que desejava precisava ser reconhecida conscientemente para que pudesse, de fato, ser integrada em sua vida.
“Foi muito importante sentar em um consultório e falar: ‘Cara, tudo o que eu queria, eu conquistei’. Foi essa a sensação. Nunca imaginei, de onde eu saí, chegar até aqui.”
Entrevista de Cauã Reymond ao Charla Podcast (Vídeo: reprodução/YouTube/Charla Podcas)
A infância trágica
Cauã abordou a história de sua família para contextualizar por que demorou a compreender as próprias conquistas. Sua infância foi cercada por episódios difíceis e perdas marcantes que moldaram sua relação com o sucesso e a estabilidade. Esses eventos ajudam a explicar por que, mesmo alcançando seus objetivos, ele enfrentava dificuldade em permitir-se estar grato pelas realizações.
“Minha mãe era empregada, HIV positivo, adotada. Minha avó foi mãe solteira. Minha tia foi adotada também, esquizofrênica, assassinada no hospício. Uma história extremamente trágica.”
Chegar a uma vida de estabilidade financeira, reconhecimento profissional e uma família estruturada foi algo que Cauã jamais imaginou viver. Levou tempo para que ele assentasse e fosse grato pelas conquistas. O contraste entre sua origem e seu presente criou uma lacuna emocional que precisava ser processada.
Sucesso e sofrimento
Cauã refletiu que momentos de grande sucesso podem ser acompanhados por sofrimento emocional intenso. Frequentemente, segundo o ator, é no auge que a pessoa está com dificuldade, não durante a caminhada para chegar lá. Essa inversão de expectativa é um dos paradoxos que ele vivenciou pessoalmente.
“Na maioria das vezes, é no auge que a pessoa está com dificuldade. Não na caminhada. A maturidade e o apoio te ajudam a aceitar suas conquistas. Muita gente não aceita essas conquistas.”
O acompanhamento psicológico foi o instrumento que permitiu a Cauã sair daquele período. Ele atribuiu a superação ao processo de autoconhecimento, à terapia, à conversa aberta e ao aprendizado contínuo com seus erros. Cada queda e cada levantada foram partes essenciais de sua jornada para lidar com a depressão.
O relato completo de Cauã sobre a depressão e a história de sua família começa aos 31 minutos e 50 segundos da entrevista do Charla Podcast.
