Ancelotti reconhece falhas na Copa e anuncia renovação da Seleção: “É hora de uma nova geração”
Técnico italiano reconhece falhas em substituições contra a Noruega e anuncia renovação focada na Copa América 2028
Carlo Ancelotti encerrou nesta quarta-feira o ciclo de Neymar, Casemiro e Danilo na Seleção Brasileira. Em entrevista ao GE, o técnico italiano admitiu erros em substituições contra a Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo e anunciou ampla renovação focada na Copa América de 2028 como primeiro objetivo do novo ciclo.
Ancelotti retornou ao Rio de Janeiro na terça-feira após 24 dias de reflexão sobre a derrota. O período foi marcado pela tristeza e decepção de uma eliminação em torneio mundial. Durante esse tempo, o técnico avaliou os 26 jogadores convocados e os erros táticos cometidos durante a competição.
Fim de ciclo confirmado
“Acho que com essa Copa do Mundo termina uma geração de jogadores muito importantes. Começando por Neymar. Passando por Danilo, Casemiro, todos esses jogadores que na Copa do Mundo tinham mais de 30 anos”, afirmou Ancelotti ao GE.
O técnico já conversou com alguns dos veteranos sobre o encerramento do ciclo após a Copa. Neymar foi particularmente claro em suas declarações sobre o fim do tempo com a Seleção. A decisão representa uma virada geracional planejada e não uma reação à eliminação contra os noruegueses.
Ancelotti deixou claro que não será uma mudança radical. “Não vou dizer que vou mudar todos os 26. Vamos manter alguns jogadores importantes, que podem seguir com a linha de trabalho, como o Marquinhos, para dizer um nome. Acho que é importante que fique para dar um sinal de continuidade ao trabalho. Mas a ideia é mudar, botar uma nova geração”, explicou, segundo o GE.
Atacante Neymar Jr (Foto: reprodução/Getty Images Embed/ANGELA WEISS)
Novo ciclo focado em 2028
A Copa América de 2028 é o primeiro objetivo emergencial da Seleção no novo ciclo. O Brasil terá quatro anos para equilibrar a renovação com a competitividade necessária para conquistar títulos. Essa janela de tempo permite o desenvolvimento de jogadores jovens sem perder a qualidade competitiva.
Ancelotti iniciou o processo de observação de novos talentos para a convocação de setembro, quando a Seleção enfrentará Austrália e Índia em amistosos. O objetivo é mapear jogadores que possam integrar o novo projeto nos próximos anos, especialmente os que atacam em profundidade e encaixam no DNA ofensivo brasileiro.
Há uma conexão forte com a seleção sub-20 e as Olimpíadas de 2028. Desse processo sairão jogadores para a próxima Copa do Mundo, em 2026. O desenvolvimento de novos talentos será sistemático e focado na preparação de longo prazo.
Erros na Copa reconhecidos
“Não foi um período fácil, por causa da tristeza, da decepção da derrota. É uma derrota diferente, porque é uma derrota em uma Copa do Mundo”, disse Ancelotti.
Ancelotti admitiu erros em substituições durante a partida contra a Noruega. As mudanças aconteceram após uma parada para hidratação e alteraram significativamente a dinâmica do jogo. Danilo Santos e Neymar entraram no lugar de Martinelli e Rayan, enquanto Endrick foi deslocado para a ponta. Matheus Cunha também deixou o campo durante essa sequência de alterações.
O técnico pensava em retomar o controle do jogo com a entrada de Neymar. A ideia era colocar mais qualidade na frente para buscar a vitória em um jogo eliminatório. No entanto, as mudanças produziram o efeito inverso.
“Acho que ali mudou algo no time. Perdemos um pouco o controle pelo lado. Com a entrada do Neymar, eu pensava em retomar o controle do jogo”, reconheceu Ancelotti ao GE.
Ancelotti ressalvou que não é correto avaliar um trabalho apenas pelo resultado final. A derrota contra a Noruega foi muito ruim e decepcionante, mas ele considera que o trabalho realizado durante um ano foi bem executado. A eliminação não invalida a trajetória anterior.
Seleção brasileira na Copa do Mundo 2026 (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Julian Finney – FIFA)
Tática e posse de bola
O Brasil teve apenas 30% de posse de bola contra a Noruega, enquanto os adversários tiveram maioria em seu próprio campo. Ancelotti defende que posse não é o indicador mais importante para ganhar jogos. Diferentes modelos táticos podem levar ao sucesso.
Espanha ganhou a Copa do Mundo recentemente com muita posse de bola e conta com sete meio-campistas entre os melhores do mundo. O Brasil, por sua vez, possui jogadores com características ofensivas diferentes. Vinicius Junior, Endrick e Estêvão atacam em profundidade, característica que define o estilo brasileiro.
Raphinha também é um jogador de características ofensivas marcantes. O modelo da Seleção deve explorar esse padrão com um jogo mais vertical, aproveitando os atacantes que possuem velocidade e capacidade de penetração. Essa filosofia difere do modelo europeu baseado em posse prolongada.
Ancelotti levou três goleiros experientes para a Copa: Alisson, Ederson e Weverton. Ele pretende observar novos goleiros no processo de renovação. Há talentos jovens no Campeonato Brasileiro para avaliar nessa posição.
Luiz Henrique teve poucos minutos porque é um jogador muito específico para a dinâmica que Ancelotti buscava. Rayan foi escolhido quando Raphinha se lesionou e desempenhou bem contra Haiti, Escócia e Japão. A decisão refletiu o contexto das partidas e as necessidades táticas de cada momento.
Houve problema de comunicação sobre a lesão de Neymar. O Santos informou que o jogador teria condição de treinar em 27 de maio, mas exame realizado pela Seleção indicou que precisaria de um mês de recuperação. Neymar não teve a possibilidade de se preparar adequadamente como os demais convocados.
Apesar do problema, Ancelotti nunca pensou em trocar Neymar. O jogador tinha condição de ficar bem para a competição e se comportou muito bem contra a Noruega. A confiança no atleta se manteve até o fim.
Ancelotti passou a receber mais críticas após a eliminação. Ele afirma que a crítica às vezes deixa mais desperto e motivado para o futuro. O foco agora está em melhorar, levando em conta os erros do passado e as lições aprendidas.
O técnico está convencido de que o trabalho realizado durante um ano foi bom. Os 26 jogadores convocados eram os que deveriam jogar a Copa do Mundo. O processo de renovação com jogadores jovens será interessante e promissor para os próximos ciclos.
Ancelotti retornou ao trabalho com avaliações em andamento. O processo de observação para a convocação de setembro foi iniciado. O foco está em formar um novo grupo competitivo com jogadores jovens, mantendo sinais de continuidade através de atletas como Marquinhos.
