Gilberto Gil relembra como conseguiu registrar o nome de Preta Gil

Cantor compartilha trecho em que explica insistência para registrar o nome, apesar da resistência do tabelião

29 jul, 2026
Preta Gil e Gilberto Gil | Reprodução/Instagram/@gilbertogil
Preta Gil e Gilberto Gil | Reprodução/Instagram/@gilbertogil

Gilberto Gil, de 84 anos, revisitou uma história marcante sobre o nascimento da filha, Preta Gil, em um trecho da série original Meu Nome é Preta, disponível no Globoplay. O cantor compartilhou o vídeo nas redes sociais nesta quarta-feira (29), relembrando a dificuldade enfrentada pela família para registrar oficialmente o nome que acompanharia a cantora durante toda a vida.

Produzida pela Conspiração, a série reúne relatos de Gilberto Gil, Sandra Gadelha e da própria Preta para contar a origem do nome. A artista, que morreu aos 50 anos, em 20 de julho de 2025, em decorrência de complicações de um câncer no intestino, construiu uma trajetória marcada pela música, representatividade e defesa da liberdade.

Tabelião questionou escolha do nome

No trecho compartilhado, Gilberto Gil conta que enfrentou resistência no cartório ao informar que a filha se chamaria Preta Maria. Segundo o cantor, a escrivã estranhou a escolha e chegou a questionar o nome.

“A escrivã lá me perguntou do nome dela, e eu disse: ‘É Preta’. Ela estranhou: ‘Preta?’. Eu disse: ‘É. Preta. Preta Maria’. Tantas com nomes ligados a uma cor e acho que Preta também, né? É natural”, relatou.

De acordo com o músico, o tabelião se recusou inicialmente a aceitar Preta como nome. Gilberto, então, argumentou que outros nomes associados a cores eram reconhecidos normalmente, citando Rosa, Clara e Bianca como exemplos.

A própria Preta Gil relembrou o episódio durante a série e explicou que o nome composto surgiu justamente por causa da resistência encontrada pela família no cartório.

“Eu me chamo Preta Maria por isso, porque o tabelião não quis, e falou para a minha avó e para o meu pai que Preta não era nome de gente. Meu pai deu o escancarozinho dele: ‘Por que se tem Rosa, Clara, Bianca, por que não pode ter Preta?’”, contou.


Gilberto Gil relembra o nome de Preta Gil (@fmconecta)


Sandra Gadelha também insistiu no registro

Sandra Gadelha, mãe de Preta Gil, também participou ativamente da tentativa de registrar o nome escolhido pela família. Segundo o relato apresentado na produção, ela sugeriu acrescentar Maria para facilitar a aceitação do cartório, mas sem abrir mão de Preta.

“Eu não vou sair daqui sem botar Preta. Eu digo: ninguém vai sair daqui. A minha mãe, muito da metida, foi por trás da moça lá no cartório e disse: ‘Bote Maria aí para ficar um nome cristão. É mole?’”, relembrou.

O nome que enfrentou resistência no cartório acabou se tornando uma das marcas mais fortes da trajetória da cantora. Ao longo da carreira, Preta Gil transformou o próprio nome em símbolo de identidade, representatividade e liberdade.

Em outro momento da série, Gilberto Gil se emociona ao falar sobre a filha e reflete sobre o preconceito racial que ela enfrentou ao longo da vida. Para o cantor, mesmo quando alguém tenta superar ou afastar essas experiências, o racismo deixa marcas profundas.

Meu Nome é Preta está disponível no Globoplay e apresenta depoimentos de familiares e registros da própria Preta Gil para reconstruir diferentes momentos de sua história pessoal e profissional.

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