João Lucas abre o jogo sobre sua relação com a fé e a ajuda que recebeu com a terapia
Cantor também fala sobre transição musical, apoio de Sasha Meneghel e novo desafio como protagonista de Percy Jackson em 2026.
João Lucas abriu o jogo sobre sua relação com a fé, afirmando que vive uma conexão mais próxima e verdadeira com Deus, mas não se identifica como evangélico. O cantor, que se prepara para protagonizar o musical “Percy Jackson e o Ladrão de Raios” em 2026, também revelou como transformou críticas sobre sua sexualidade e estilo em debates sobre misoginia e machismo.
Segundo o G1, João Lucas começou na arte desde criança, transitando por teatro, circo e calouros antes de se destacar na música gospel. Em 2024, iniciou trabalho em álbum inteiramente pop, o que gerou críticas de seguidores evangélicos. Comentários maldosos sobre sua sexualidade e escolhas de estilo passaram a ocupar redes sociais, mas o artista encontrou caminho para lidar com a hostilidade.
“Tenho vivido hoje uma relação muito próxima com a minha fé, de uma forma mais interessante e verdadeira do que já vivi em toda a minha vida. Apesar de ter crescido em um ambiente religioso, tenho um pouco de dificuldade de dizer que me identifico com determinada religião.”
Fé como movimento pessoal
Para João Lucas, a espiritualidade transcende estruturas institucionais. Ele entende a fé como algo profundamente íntimo, um processo que parte de dentro para fora, independentemente de contextos religiosos formais ou doutrinas específicas. “A fé é algo muito íntimo. É um movimento que acontece de dentro para fora, não necessariamente dentro de uma igreja, de uma estrutura religiosa ou seguindo determinada doutrina.”
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João Lucas ensaiando para o musical “Percy Jackson e o Ladrão de Raios” (Vídeo: reprodução/Instagram/@joao.lucas)
Na visão do cantor, a fé verdadeira deve produzir frutos concretos: amor ao próximo e relacionamento genuíno com o divino. Essa perspectiva pessoal reflete sua própria jornada espiritual, marcada por questionamentos sobre códigos evangélicos brasileiros contemporâneos que não ressoam completamente com suas convicções.
Críticas, terapia e transformação
A transição de João Lucas do gospel para o pop provocou reações intensas. Quando começou a falar abertamente sobre o assunto, compreendeu as raízes dos ataques e viu-os diminuírem significativamente, embora não cessassem completamente. Ele reconhece que a vida pública carrega ônus, apesar dos bônus que oferece.
“Quando comecei a falar sobre esse assunto de forma bem aberta, comecei a entender de onde vinham esses ataques, e eles diminuíram muito”, contou João Lucas. A terapia desempenhou papel crucial nesse processo, ajudando-o a organizar emoções e compreender melhor a hostilidade sofrida. O artista destaca, porém, que é um trabalho contínuo.
Conversas com Sasha Meneghel também contribuíram para sua compreensão sobre exposição e fama. A mãe o auxiliou a refletir sobre as consequências de uma vida pública intensa, equilibrando ganhos e perdas que acompanham a visibilidade.
João Lucas conseguiu reverter a narrativa dos ataques. Em vez de absorver o ódio como ferida pessoal, transformou dor em pauta social relevante. Ao ampliar o debate para questões de misoginia e machismo, aproximou o público de conversas maiores sobre respeito e identidade.
“Quando conseguimos transformar um ataque, ou aquilo que já foi uma dor, em uma narrativa, aproximar o público e levantar uma pauta, o debate se torna mais importante do que o ataque pessoal a mim.”
Percy Jackson: novo desafio
João Lucas foi escolhido para protagonizar “Percy Jackson e o Ladrão de Raios”, com estreia prevista para o segundo semestre de 2026 no Teatro Liberdade, em São Paulo. Será a primeira versão oficial do musical na América Latina, baseada na obra de Rick Riordan. Marianna Alexandre interpretará Annabeth, e o elenco foi anunciado durante a Comic Con Experience.
O artista sente grande responsabilidade ao viver Percy, um personagem marcado por emoções e conflitos internos que conectam intensamente com gerações de fãs. A escolha gerou conversas sobre diversidade e novas interpretações da saga. Apesar da pressão, João Lucas descreve o papel como grande realização profissional. Ele fez o teste sem grandes expectativas, mas alimentava vontade de voltar à atuação após anos focando em música.
A franquia continua conquistando novas gerações, e os fãs acompanham cada novidade da adaptação brasileira com entusiasmo, esperando pelos próximos anúncios sobre produção e ensaios.
