Ancelotti completa 1 ano de Seleção com imersão à cultura brasileira

Italiano completa 1 ano de Seleção Brasileira já se apaixonou pela cultura brasileira, conquistou atletas e se encaminha para renovação até 2030

13 maio, 2026
Ancelotti | Reprodução/X/@CBF_Futebol
Ancelotti | Reprodução/X/@CBF_Futebol

Na última segunda-feira (12), o treinador da Seleção Brasileira, Carlo Ancelotti, completou o primeiro ano no cargo. Após idas e vindas nas negociações, o técnico chegou para assumir o Brasil em 12 de maio de 2025. Desde então, o italiano se demonstrou interessado em entender como é a cultura do país, indo de aprender idioma, caminhadas na orla, até viver o carnaval e se apaixonar pela culinária. Inclusive, há um acordo alinhado para renovação do contrato até a Copa de 2030.

Durante a Data FIFA de março, o técnico surpreendeu a todos num trote a um dos jogadores convocados pela primeira vez. O novato do grupo se enrolou com a letra do Hino Nacional, o que provocou risadas e gozações. Nesse momento, Ancelotti interrompeu, começou a cantar o hino e a delegação entrou em êxtase.

Este episódio ilustrou o esforço do italiano para se integrar ao grupo da Seleção, mas também à cultura do Brasil. Rodrigo Caetano, diretor de seleções masculinas da CBF, comentou: “Em todas as convocações, nós distribuímos um manual com orientações, normas internas, e na contracapa dele tem o Hino Nacional. O mister leu uma parte da letra, mas outra ele cantou de cabeça. No final, disse que até estar melhor”

Uma das marcas registradas de Ancelotti, em passagens vitoriosas em clubes da Alemanha, Espanha, Inglaterra e França, é entender e se integrar à cultura local, e que esta conexão é essencial para o seu trabalho ser bem-sucedido.

Aulas intensivas de português

Ancelotti reconheceu que precisava aprender o idioma o mais rápido possível. Antes de desembarcar no Brasil, contratou um professor de português particular e, entre julho e agosto, fez quase 20 aulas por videoconferência. Nesse sentido, o técnico focou em entender o vocabulário específico do futebol, para se integrar no dia a dia com atletas e membros da CBF e também realizar melhores entrevistas.

Nos momentos em que Carlo está no país, faz questão de falar em português, para aprimorar a fluência no idioma, a ponto de repreender quem tentava conversar com ele em espanhol. Roberto Piantino, professor do treinador, declarou que chegou a fazer quatro aulas por semana para chegar preparado à segunda entrevista coletiva, que foi em agosto de 2025, e completou que o italiano tem facilidade em aprender, mas ao mesmo tempo que a base do espanhol confundia um pouco pela semelhança entre as duas línguas.

Em 2026, as aulas diminuíram por conta dos compromissos relacionados à Copa, mas seguem acontecendo, tanto com o técnico, quanto com os membros estrangeiros da comissão que chegou com ele à Seleção.


Carlo Ancelotti em coletiva do Brasil (Foto: Reprodução/Pablo Porciuncula/Getty Images Embed)


Líder exigente, porém tranquilo

Ancelotti na Seleção é descrito, por subordinados e superiores a ele, como calmo, leve, agregador. No entanto, ele também cobra dos seus atletas e também das condições de trabalho combinadas com a direção, sem pesar o clima.

Rodrigo Caetano relata que o italiano é convicto nas suas ideias e que é muito mais que um “paizão”, é um líder que escuta a todos, mas sempre se posiciona. Rodrigo Lasmar, médico da CBF, declarou que havia um receio de como seria a relação com todos, mas chegou com leveza, bom humor e valoriza os profissionais de todas as áreas.

Casemiro, ex-jogador do Real de Ancelotti, disse em entrevista que houve um momento marcante com o “mister” no vestiário da Seleção: “No jogo contra o Paraguai, em São Paulo, a gente precisava vencer para ir à Copa. E no intervalo muita gente falando, falando, falando. E aí ele: “Caras, esperem. Eu vou fumar um cigarro, volto em cinco minutos e vocês conversam.” Depois disso, ele voltou, falou e ai todo mundo: ok, ok, ok. Esse cara é diferente.”

Ancelotti é fumante e já foi flagrado em camarotes de estádios no Brasil usando um dispositivo eletrônico, um aparelho que aquece o cigarro sem chegar à combustão. Já durante os jogos, os conhecidos chicletes são um recurso utilizado para driblar a abstinência.


Carlo Ancelotti, com Ronaldo, Rivaldo e Sabrina Sato, durante o Carnaval (Foto: Reprodução/Pablo Porciuncula/Getty Images Embed)


Vida no Brasil

Ancelotti divide sua moradia entre Vancouver, no Canadá, em residência com a esposa, e a Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, bem próximo à sede da CBF. O treinador se encantou com a experiência de viver perto da praia e escolheu um apartamento de frente para o mar.

A dificuldade de pôr compromissos pessoais, por conta dos profissionais, não o impediu de desfrutar a cultura brasileira. O italiano realiza caminhadas na orla cedo, vai a churrascarias e outros restaurantes que fizeram Ancelotti se apaixonar pela culinária do Brasil.

O treinador é fanático por carne, sempre realiza refeições com vinho, mas já relatou que gosta da cerveja brasileira e que recorre a ela nos dias mais acalorados. Sempre que vai à churrascaria, o técnico pede uma reserva de espaço com privacidade com antecedência para ele e seus acompanhantes, mas não deixa de tirar fotos e distribuir autógrafos para fãs e funcionários do restaurante.

Uma das poucas críticas do Carlo em relação à gastronomia é que as massas brasileiras são mais cozidas do que deveriam. Italiano, prefere as pastas “al dente”. O técnico também gosta de cozinhar e promete almoços e jantares para amigos e colegas do futebol.

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