Do surrealismo à passarela: conheça o legado vivo de Schiaparelli
Exposição no museu Victoria and Albert celebra trajetória visionária e legado de Elsa Schiaparelli e a moda contemporânea sob a direção de Daniel Roseberry
O museu Victoria and Albert de Londres anunciou a inauguração da exposição “Schiaparelli: Fashion Becomes Art” para o dia 28 de março. A mostra tem o objetivo de mergulhar o telespectador no mundo criativo da maison, partindo da época da fundadora Elsa Schiaparelli, apresentando o legado e conexão das suas criações com as vanguardas artísticas do século XX, até os dias atuais com o olhar contemporâneo do diretor Daniel Roseberry.
Segundo a instituição, a exposição contará com mais de 400 peças, entre roupas, joias, esculturas, fotografias, perfumes, mobiliário e documentos de arquivo. Entre as peças estão os vestidos surrealistas “Esqueleto” e “Lágrimas”, confeccionados em colaboração com o pintor Salvador Dalí. Além disso, o acervo também inclui peças confeccionadas em colaboração com Jean Cocteau e obras de Picasso e Man Ray.
Elsa Schiaparelli: O início da maison francesa
Elsa Schiaparelli nasceu em Roma, de uma família com notoriedade na sociedade, cursou filosofia na universidade da capital italiana. No ano de 1916, mudou-se para Nova York, onde encontrou artistas importantes como Man Ray. Porém, foi apenas em 1920, quando se mudou para Paris, que teve contato com a alta-costura, ao ir ao ateliê de Paul Poiret. A partir daí, Elsa começou a desenhar roupas e ganhou destaque com um pulôver tricotado à mão com a ilusão de ótica de um laço na gola.
Considerada pioneira ao trazer o surrealismo para a moda com a técnica chamada de trompe-l’oeil (“Engana o olho”, em tradução literal), muito usada na pintura e na arquitetura. Schiaparelli foi se arriscando mais em suas criações com o uso de zíperes aparentes e materiais incomuns, além de criar o icônico “rosa-choque”, que se tornou assinatura da marca.
A fundadora da maison também foi visionária em estratégias de colaborações. Suas parcerias com os artistas Salvador Dalí e Jean Cocteau resultaram em peças icônicas e memoráveis, como o casaco de noite “Cocteau”, que cria a ilusão de ótica de duas figuras que foram um vaso de flores, o vestido com estampa de lagosta e o vestido “Esqueleto”.
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Vestido “Esqueleto” de Elsa Schiaparelli e Salvador Dalí (Foto: reprodução/Instagram/@vamuseum)
O retorno da Schiaparelli
Elsa encerrou as atividades da Schiaparelli no ano de 1954 e, gradualmente, a marca ia perdendo cada vez mais espaço no mundo da moda, apesar de grandes estilistas continuarem se inspirando em criações da Schiaparelli. No entanto, no ano de 2012, Diego Della Valle relançou a grife com o tema do Met Gala, “Schiaparelli & Prada: Impossible Conversations”, e uma exposição no Metropolitan Museum of Art, homenageando as designers Elsa Schiaparelli e Miuccia Prada.
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Peças que vão estar na exposição do Museu Victoria and Albert (Vídeo: reprodução/Instagram/@vamuseum)
O CEO da Schiaparelli, Delphine Bellini, afirmou que a imaginação e a visão radical de Elsa serviram para redefinir os limites que existiam entre a moda e a arte, e a exposição é justamente para celebrar a sua influência que perdura até os dias atuais. “Com as suas coleções inigualáveis, experiência em moda e design, alcance cultural e capacidade de fazer a ponte entre tradição e inovação, o Victoria and Albert Museum oferece o cenário perfeito para mostrar o seu legado ao lado das criações de Daniel Roseberry, que levam adiante o seu espírito surrealista”, finaliza Bellini.
É a primeira exposição dedicada exclusivamente à maison Schiaparelli no Reino Unido. A mostra vai de 28 de março até 8 de novembro deste ano,e os ingressos estão à venda no site do museu.
