Entenda como começou o conflito entre Paquistão e Afeganistão
Início do confronto bélico marca a escalada máxima de tensões que aconteceram ao longo dos últimos anos entre Talibã e governo paquistanês
O governo do Paquistão declarou guerra ao Talibã, grupo que controla o Afeganistão, na última quarta-feira (26). Segundo o ministro da defesa paquistanês, o ministro de defesa Khawaja Asif afirmou que a ‘paciência se esgotou’ e uma ‘guerra aberta’ já está acontecendo. O país já havia realizado bombardeios contra acampamentos do grupo e do Estado Islâmico no território vizinho no final de semana.
Do outro lado, o Talibã afirmou que o ataque paquistanês teria uma ‘resposta apropriada e proporcional’. Nesse sentido, o Afeganistão anunciou ter lançado uma investida contra militares paquistaneses na fronteira entre os países. Segundo autoridades, a ação que foi considerada uma retaliação aos bombardeios ocorridos.
Tensão no sudeste asiático
Na madrugada de quinta-feira (27), pelo horário de Brasília, o Exército paquistanês bombardeou Cabul e outras cidades afegães, de acordo com o porta-voz do governo do Afeganistão.
Conforme informado pelo porta-voz do governo do Paquistão, Mosharraf Zaid, ao menos 247 combatentes talibãs foram mortos e mais de 200 feridos. Pelo lado afegão, Mujahid, porta-voz do Talibã, afirmou que 55 soldados paquistaneses foram mortos, oito afegãos e 11 feridos.
O Paquistão e o Afeganistão trocaram ataques na madrugada desta sexta-feira (27), após Islamabade ter declarado uma “guerra aberta” ao país vizinho. O Exército paquistanês bombardeou diversas cidades afegãs, incluindo a capital Cabul, pic.twitter.com/uCEbnSiZTY
— O Mundo e Capitais (@omundoecapitais) February 27, 2026
Imagens aéreas após o exército paquistanês bombardear diversas cidades afegãs, incluindo a capital Cabul(Foto: reprodução/X/@@omundoecapitais)
Histórico entre os países
Os países nem sempre estiveram de lados opostos. O Paquistão foi o aliado mais próximo do Talibã afegão por décadas e ajudou ao regime surgir no início dos anos 1990. Em contrapartida, o grupo oferecia “profundidade estratégica” ao governo paquistanês em sua rivalidade com a India.
Entretanto, desde o retorno do Talibã ao poder em 2021, saudado pelo então primeiro-ministro paquistanês Imran Khan, as relações estremeceram. Uma das razões é a aproximação diplomática do Afeganistão com a India, com o envio de ajuda humanitária ao país a partir de 2022 e escalou para um encontro e anúncio de acordos em outubro de 2025, o que não é bem visto pelo Paquistão.
Além disso, o estopim do conflito envolve o TTP, grupo paquistanês rebelde ao governo local. De acordo com as autoridades paquistanesas, os militantes estão escondidos no Afeganistão. O governo afegão nega permitir que militantes usem o território para lançar ataques ao país vizinho. Por outro lado, Cabul acusa o Paquistão de abrigar combatentes do Estado Islâmico, enquanto autoridades paquistanesas negam a alegação.
