Justiça rejeita tutela urgente em ação contra Claudia Leitte

Ação segue em tramitação após Claudia Leitte trocar verso sobre Iemanjá por referência a Jesus em show e MP pede R$ 2 milhões por dano coletivo

29 jan, 2026
Claudia Leitte em São Luiz-MA | Reprodução/Instagram/@claudialeitte
Claudia Leitte em São Luiz-MA | Reprodução/Instagram/@claudialeitte

O pedido de tutela de urgência feito pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) no processo que investiga Claudia Leitte pela prática de intolerância religiosa, foi negado pela Justiça. A ação solicita que a cantora pague uma indenização de R$ 2 milhões por dano moral coletivo, após alterar um verso da música “Caranguejo” com um viés religioso durante apresentações.

O caso

No Carnaval de 2024, vídeos antigos da cantora começaram a circular nas redes sociais. Em um deles, Claudia Leitte altera o trecho original da música lançada em 2004, quando ainda era parte da banda Babado Novo. A letra original diz: “Maré tá cheia / Espera esvaziar / Joga flores no mar / Saudando a rainha Iemanjá”. Porém, em suas apresentações, a cantora substituiu o verso por “Eu canto meu rei Yeshua” ou “Só louvo meu rei Yeshua”, o nome de Jesus em hebraico.



Claudia Leitte cantando “Caranguejo” e fazendo a substituição do verso no Programa do Faustão  (Vídeo: reprodução/YouTube/@Band Entretê)


Segundo o MP-BA, a alteração motivou a ação civil pública. A ação pede que os R$ 2 milhões sejam destinados ao Fundo Estadual de Defesa dos Direitos Difusos ou a entidades representativas das religiões de matriz africana. Além disso, também solicita que a Cláudia Leitte faça uma retratação pública e se comprometa a não repetir práticas consideradas discriminatórias em quaisquer aparições ou declarações públicas.

Decisão

A decisão da Justiça veio a público nesta quinta-feira (29) afirmando que, neste momento, não há elementos suficientes que indiquem risco de prática de intolerância religiosa ou de apropriação do patrimônio cultural das religiões de matriz africana. Para a juíza responsável pelo caso, a alteração da letra da música, mesmo que motivada por convicções religiosas pessoais, não configura discurso de ódio nem violação à dignidade coletiva afro-religiosa.

Apesar de negada a tutela de urgência, o processo ainda segue em tramitação. A Justiça também autorizou a inclusão do Instituto de Defesa dos Direitos das Religiões Afro-Brasileiras (IDAFRO) no polo ativo da ação. Na época da polêmica, a entidade havia solicitado que Claudia Leitte fosse impedida de se apresentar no Carnaval de Salvador em 2025, o que não foi atendido. A cantora segue confirmada na programação da festa deste ano.


Claudia Leitte em show no Carnaval da Anitta, em 2024 (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Maurício Santana)


Reformulação da imagem

Claudia Leitte tem adotado um discurso de tolerância religiosa. No álbum “Especiarias”, lançado recentemente, a cantora incluiu referências a diferentes crenças. No single “A Chave”, ela canta: “De joelho ou de pé / amém pra quem é de amém / axé pra quem é de axé / amor acima de tudo e fé, pra tudo, fé”.

Em entrevistas recentes, a artista afirmou que hoje não vê mais contradições entre sua fé cristã e o trabalho artístico ligado ao Carnaval. “A gente trabalha. É o nosso trabalho. E a nossa cultura também. É a minha cultura”, declarou.

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