Crise interna afasta John Textor da Eagle Football Group
Mesmo fora da holding internacional; empresário segue no controle do Botafogo por decisão judicial que impede mudanças imediatas na SAF alvinegra
A disputa pelo controle do Eagle Football Group ganhou novos contornos nos últimos dias e expôs uma crise interna que se arrasta há meses. No centro do embate está John Textor, empresário norte-americano que perdeu espaço na holding internacional, mas que, paradoxalmente, segue exercendo poder no futebol brasileiro por força de decisão judicial.
Embora tenha sido afastado da gestão da Eagle por determinação do fundo credor Ares Management, Textor permanece no comando da SAF do Botafogo. A permanência ocorre graças a uma liminar concedida pela Justiça do Rio de Janeiro em outubro de 2025, que suspendeu qualquer tentativa de alteração imediata no controle do clube carioca.
A coexistência entre o afastamento internacional e a manutenção do poder local revela um cenário jurídico e societário fragmentado, no qual decisões financeiras, disputas administrativas e estratégias de governança se entrelaçam.
Assembleia, votos contestados e reação do fundo
A decisão da Ares de retirar Textor do comando da Eagle foi tomada após uma escalada de conflitos internos. O episódio mais recente ocorreu às vésperas da Assembleia Geral da holding, quando o empresário optou por desligar dois membros do conselho: Stephen Welch e Hemen Tseayo. Ambos atuavam como conselheiros da Eagle BIDCO e vinham se posicionando de forma crítica às decisões adotadas pelo controlador.
Ver essa foto no Instagram
Botafogo segue sob controle de John Textor por decisão da Justiça (Foto: reprodução/Instagram/@botafogo)
Segundo informações apuradas no setor, a discordância não se limitava a questões administrativas, mas envolvia principalmente a estratégia de aporte financeiro para enfrentar compromissos urgentes do Botafogo, entre eles sanções que impactam diretamente o registro de novos atletas. Textor apresentou um plano de capitalização imediata, com promessa de recursos ainda nesta semana, mas a proposta não obteve respaldo interno.
Ao afastar os conselheiros, o empresário buscou invalidar seus votos na Assembleia, o que lhe permitiria conduzir sozinho a deliberação e tentar destituir a atual diretoria da Eagle, composta por Michele Kang e Michael Gerlinger, além de pleitear sua própria recondução ao cargo máximo da holding.
Dívida milionária e rompimento definitivo
O pano de fundo do embate é financeiro. Em 2022, a Ares concedeu um empréstimo de aproximadamente US$ 450 milhões para viabilizar a compra do Olympique Lyonnais. Até hoje, segundo o próprio fundo, a dívida não foi quitada. O descumprimento dos compromissos e as recentes decisões unilaterais de Textor levaram a Ares a agir de forma mais dura.
O fundo desconsiderou a tentativa de anulação dos votos, reconheceu como legítima a posição de Welch e Tseayo e determinou o retorno imediato de ambos aos cargos que ocupavam. Na sequência, Textor foi oficialmente afastado do comando da Eagle, medida que já havia sido antecipada meses antes no caso específico do clube francês.
A informação veio a público inicialmente por meio do jornal O Globo. Procurado, o empresário afirmou que não foi surpreendido pela decisão e que seus advogados consideram a medida juridicamente questionável.
Enquanto a disputa segue nos bastidores corporativos e nos tribunais, Textor é esperado no Rio de Janeiro para acompanhar a estreia do Botafogo no Campeonato Brasileiro, em partida contra o Cruzeiro, no estádio Nilton Santos, um contraste que evidencia o impasse entre o poder formal e o controle prático no futebol brasileiro.
