Irã marca primeira execução de manifestante desde início da onda de protestos

Erfran Soltani não teve direito a advogado e nem audiência para julgar seu caso; judiciário iraniano marcou a data da execução para esta quarta-feira (14)

14 jan, 2026
Manifestação/
Antonio_Cansino/Pixabay
Manifestação/ Antonio_Cansino/Pixabay

A organização humanitária Hengaw, sediada na Noruega e responsável por relatar violações de direitos humanos no Irã, divulgou na última terça-feira (13) que o manifestante Erfan Soltani, preso na cidade de Karaj, por ter conexão com os protestos contra o regime do aiatolá Ali Khanemei, será executado pelas autoridades iranianas nesta quarta-feira (14). A Fox News informou que Efran será executado pelo método mais comum no Irã, o enforcamento.

Execução de manifestantes

Segundo a família de Efran, ele foi preso em sua casa na última quinta-feira (8), e ele não teve autorização para ter um advogado e nem teve uma audiência para julgar seu caso. A entidade também confirmou que autoridades confirmaram à família que a sentença de morte era definitiva, gerando uma grande preocupação na organização. “O tratamento apressado e pouco transparente deste caso aumentou as preocupações sobre o uso da pena de morte como instrumento para reprimir protestos públicos”, finalizou a organização.

O chefe do judiciário iraniano já havia dito que foram criados tribunais especializados para lidar com os protestos. O que gerou uma extrema preocupação na ONG Iran Human Rights é que a situação no país gera um alerta para o risco de execução em massa de manifestantes.

O número de mortos nos protestos no Irã chegou a cerca de 2.000 e uma fonte ouvida pela agência de notícias Reuters colocou a culpa nos manifestantes pelas mortes de cidadãos e agentes de segurança e os nomeou de “terroristas”. Porém, segundo a emissora CBS, os números transitam entre 12.000 a 20.000 mortos. Isso porque, segundo publicado no portal, o regime ditatorial iraniano estaria maquiando os reais números de vítimas.

As manifestações no Irã começaram no fim de dezembro com o foco na má situação econômica que o país enfrentava, contudo, a situação escalonou para repressões violentas e levaram os manifestantes a pedir o fim do regime aiatolá Khanemei, que está na frente do governo desde a Revolução Islâmica de 1979.


 Masoud Pezeshkian alega buscar diálogo com manifestantes (Foto: reprodução/Majid Saeedi /Getty Images Embed)


Relação com EUA

Na segunda-feira (12), o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, falou que a situação no país estava “sob controle total” mesmo após o crescimento da violência ligada aos protestos no fim de semana. Abbas também disse que a ameaça de Donald Trump contra as repressões violentas motivou os terroristas a atacar os manifestantes e forças de segurança.

Donald Trump afirmou que os EUA já estavam preparados para agir, caso protestantes que estivessem agindo de forma pacífica fossem mortos, e que o país norte-americano faria uma intervenção. “Vamos atingi-los com muita força onde mais dói”, afirmou Trump na semana passada. Já no sábado (10), o presidente americano continuou com as ameaças ao país do Oriente Médio, afirmando que o “Irã está buscando a liberdade” e reafirmou que ele e seu país estão dispostos a ajudar.

O HRANA, grupo de direitos humanos que possui uma sede nos EUA, divulgou no domingo (11) que o número de mortos foi de 538 pessoas, sendo 490 manifestantes e 48 policiais, e que mais de 10.670 pessoas foram presas. Outras ONGs também estão monitorando e divulgando as mortes que aconteceram durante os protestos, mesmo não sabendo ao certo quantas pessoas realmente morreram, afinal, a internet do país foi cortada por Khamenei, mas existem relatos de que forças de segurança iranianas estariam disparando diretamente contra os manifestantes.

Já o governo iraniano não está divulgando regularmente o número de mortos ou feridos nos protestos. Mas culpam EUA e Israel por se infiltrar nos protestos e colocam as mortes ocorridas na conta dos dois países.

O chefe da polícia do Irã, Ahmad-Reza Radan, contou no domingo (11) que as forças de segurança, principalmente a Guarda Revolucionária do Irã, estão nos confrontos contra manifestantes e que a proteção da segurança nacional é inegociável. Ainda no domingo, Masoud Pezeshkian, presidente do Irã, pediu que a população mantenha distância dos terroristas, e os nomeou de “badernistas”, e afirmou que está em constante busca de diálogo com os manifestantes. Ele também acusou EUA e Israel de buscarem semear o caos e a desordem no país.

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